A qualidade do ar no Paraná em 2025 apresentou uma evolução positiva em comparação ao ano anterior, com a maior parte do estado, incluindo a capital Curitiba, registrando índices favoráveis ao longo de quase todo o período. Dados de estações de monitoramento indicam que, em 86% do ano, os curitibanos respiraram um ar classificado como “bom”, com a concentração de poluentes em níveis que não comprometem a saúde pública.
Essa avaliação segue padrões estabelecidos por órgãos reguladores, que definem limites para a emissão de gases provenientes de atividades industriais e veiculares. A conformidade com essas normas é essencial para garantir um ambiente seguro e reduzir a incidência de doenças respiratórias na população.
A resolução CONAMA nº 506/2024 estabelece que a concentração máxima diária permitida de poluentes na atmosfera é de 50 μg/m³. Para que a qualidade do ar seja considerada “boa”, esse índice deve variar entre 0 e 40 μg/m³.
Registros apontam que, em 2025, 45 dias em Curitiba tiveram a qualidade do ar classificada como “moderada”, um patamar ligeiramente inferior, mas ainda distante dos níveis prejudiciais à saúde.
Curiosamente, os meses de julho e agosto concentraram a maior parte desses dias com qualidade do ar moderada, totalizando quase metade das ocorrências. O período de inverno, conhecido por suas condições climáticas específicas, parece ter um impacto direto nesses índices.
A baixa dispersão de ventos e o fenômeno da inversão térmica são fatores cruciais para a retenção de poluentes próximos ao solo durante o inverno. O ar frio e seco agrava essa situação, facilitando o acúmulo de poeira, gases de escapamento e emissões de queimadas.
Além disso, a tendência de manter ambientes internos mais fechados durante os meses frios pode aumentar a concentração de alérgenos e outros poluentes no interior das residências e locais de trabalho.
Comparativamente, o ano de 2024 apresentou um cenário mais preocupante, com 14 dias de concentrações diárias de poluentes acima do limite permitido em diferentes estações do Paraná, um aumento significativo em relação a 2025.
A Grande Curitiba, por sua densidade populacional e concentração de atividades industriais e de transporte, é naturalmente mais suscetível a apresentar índices de poluição do ar mais elevados.
Municípios como Colombo e Araucária, pertencentes à Região Metropolitana, registraram os únicos índices considerados “ruins” em todo o estado durante 2025, embora em um número restrito de dias e com concentrações ligeiramente acima do limite.
O especialista João Carlos de Oliveira, do Instituto Água e Terra (IAT), salienta que o tráfego intenso de veículos pesados em vias e rodovias que cortam esses municípios contribui significativamente para a emissão de partículas finas.
Estes poluentes não se originam apenas da combustão, mas também da ressuspensão de poeira depositada nas superfícies, agravando a qualidade do ar local.
A importância de se monitorar a qualidade do ar
O monitoramento contínuo da qualidade do ar no Paraná é realizado por uma rede de 21 estações públicas, estrategicamente distribuídas em diversas cidades do estado, incluindo Curitiba, Araucária, Colombo e Londrina, entre outras.
Essa estrutura foi reforçada em 2025 com a implementação de novos equipamentos e a atualização de sistemas em 22 estações. O objetivo foi modernizar a rede e expandir o monitoramento para áreas anteriormente não cobertas.
A rede de monitoramento é um componente vital para a saúde pública e a gestão ambiental. Os dados coletados permitem a elaboração de relatórios anuais detalhados sobre a qualidade do ar em todo o estado, auxiliando no diagnóstico de problemas de poluição atmosférica e no licenciamento ambiental.
Ademais, as informações geradas são de grande valia para pesquisas científicas e para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes no combate à poluição e na proteção da saúde da população.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar dos avanços observados em 2025, a manutenção de uma boa qualidade do ar em longo prazo requer ações contínuas e integradas. A dependência de fatores climáticos e a dinâmica urbana demandam atenção especial.
A busca por fontes de energia mais limpas, o incentivo ao transporte público e a tecnologias de controle de emissões industriais são algumas das estratégias que podem reforçar os resultados positivos alcançados.
A colaboração entre órgãos públicos, setor privado e a sociedade civil é fundamental para garantir que os índices de qualidade do ar continuem em trajetória ascendente, promovendo um ambiente mais saudável e seguro para todos os cidadãos paranaenses.






