Em janeiro, 19 pessoas em situação de rua foram submetidas a internações involuntárias em Curitiba, conforme regulamentado por uma portaria intersetorial recém-atualizada. A maioria desses casos ocorreu após atendimento em serviços de urgência, evidenciando a complexidade das intervenções realizadas pela prefeitura. As ações visam oferecer tratamento a indivíduos que, em estado de vulnerabilidade extrema, podem colocar em risco a própria vida ou a de terceiros.
A portaria conjunta nº 2, de dezembro de 2025, estabeleceu os novos critérios para a condução dessas internações, buscando garantir rigor técnico e transparência. O princípio fundamental é que a internação é uma medida excepcional, acionada apenas quando não há outras alternativas viáveis para a estabilização do paciente e a garantia de sua segurança.
A primeira intervenção sob a nova norma ocorreu em 9 de janeiro, com uma mulher atendida pela equipe do Consultório na Rua. A médica responsável identificou que a paciente se encontrava em uma situação de risco iminente, necessitando de intervenção imediata e estabilização em um ambiente de saúde adequado.
A Linha de Cuidado e a Intervenção Multisetorial
O atendimento a esses pacientes segue uma complexa linha de cuidado, que começa com a identificação da crise aguda e a estabilização do quadro. Equipes multidisciplinares da saúde, incluindo psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, atuam em conjunto para avaliar e intervir nas necessidades individuais.
A rede de apoio se estende a diversos pontos de atenção, como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o Consultório na Rua. A escolha do serviço mais adequado depende da resposta clínica e da evolução de cada paciente, sempre com o objetivo de oferecer um tratamento multiprofissional e individualizado.
A Unidade de Estabilização Psiquiátrica (UEP) desempenha um papel crucial como segundo ponto de atenção, recebendo pacientes após diagnóstico e encaminhamento. Ali, a avaliação psiquiátrica aprofundada determina o plano terapêutico, que pode incluir internação em leitos de saúde mental ou centros de atenção psicossocial com funcionamento 24 horas.
A busca ativa de familiares, quando possível, é considerada um fator determinante para o sucesso do tratamento. O envolvimento familiar no plano terapêutico do paciente fortalece o processo de recuperação e a reinserção social. A equipe médica destaca que o tratamento visa o controle da condição, considerada crônica, e não a cura, demandando acompanhamento contínuo.
A reinserção social é o objetivo final, com o suporte de órgãos como a Fundação de Ação Social. Essa fundação atua na aproximação familiar, na oferta de moradia temporária e em programas de capacitação profissional e encaminhamento para o mercado de trabalho, visando a autonomia e a gestão da própria vida pelo indivíduo.
A Estrutura de Suporte Pós-Internação
Após a alta hospitalar, os pacientes continuam a ser acompanhados pela Rede de Atenção Psicossocial da Prefeitura de Curitiba. O suporte pode ocorrer em CAPS tipo três, com leitos de atendimento 24 horas, ou em CAPS tipo dois, que oferecem leitos de hospitalidade noturna.
Ambas as modalidades de CAPS garantem o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar diversificada, incluindo médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e musicoterapeutas. Essa estrutura visa oferecer suporte contínuo e integral à saúde mental e ao bem-estar dos pacientes.
A articulação intersetorial entre as diversas secretarias municipais é fundamental para a construção de uma rede de cuidado robusta. A colaboração entre saúde, assistência social e outras áreas garante que todos os aspectos da vida do indivíduo sejam considerados na jornada de recuperação e reinserção social, um desafio complexo, porém alcançável.





