A cidade de Loanda, no Noroeste do Paraná, está em fase avançada de recuperação de uma colossal voçoroca, um dos maiores fenômenos de erosão urbana do Brasil. A cratera, que se estendia por aproximadamente oito quilômetros e atingia profundidades de até 15 metros em alguns pontos, representava uma ameaça iminente à infraestrutura local e a propriedades rurais e residenciais. A obra, que já alcançou 82% de sua execução, tem previsão de conclusão no primeiro semestre de 2026, marcando um ponto de virada para o desenvolvimento sustentável da região.
O projeto ambicioso, que consumiu um investimento total de R$ 46,1 milhões, é fruto de uma colaboração estratégica entre o Governo do Estado, por meio do Instituto Água e Terra (IAT), e a Itaipu Binacional. O IAT contribuiu com cerca de R$ 21 milhões, enquanto a Itaipu aportou R$ 25,1 milhões. Essa parceria foi fundamental para viabilizar uma intervenção de grande porte, necessária para conter um problema crônico que afetava a cidade.
A gravidade da situação era tamanha que a erosão já colocava em risco edificações. O secretário das Cidades, Guto Silva, destacou a importância histórica da obra, enfatizando que não seria possível planejar o progresso urbano e atrair novos investimentos com uma “cicatriz” tão profunda no coração da cidade. A intervenção visa não apenas conter o avanço da voçoroca, mas também reverter o processo de degradação ambiental.
## A Engenharia por Trás da Recuperação
O cerne do projeto de recuperação envolve a construção de um extenso canal de concreto armado, com cerca de 1,24 km de comprimento. Esta estrutura foi meticulosamente projetada para canalizar o fluxo da drenagem urbana até um grande dissipador de energia em seu ponto final. Com capacidade para receber vazões de aproximadamente 55 metros cúbicos por segundo, o sistema é dimensionado para mitigar a velocidade da água, prevenindo a formação de novas instâncias erosivas.
Paralelamente à construção do canal principal, estão sendo implantadas galerias pluviais. Estas irão interligar o sistema de drenagem da cidade à nova estrutura, otimizando a eficiência da microdrenagem urbana e assegurando um escoamento hídrico mais controlado. A consolidação do dissipador de energia já foi concluída, com a aplicação de mais de 3 mil metros cúbicos de enrocamento pesado e 500 metros cúbicos de concreto, além de aproximadamente 50 toneladas de aço, para garantir a proteção do solo contra a força da água.
A obra civil do canal de concreto armado, a estrutura mais robusta do projeto, encontra-se em estágio avançado, com cerca de 90% de sua execução finalizada. Até fevereiro deste ano, já haviam sido empenhados R$ 30,7 milhões dos recursos totais previstos, demonstrando o ritmo acelerado e o compromisso com a entrega.
### Recomposição do Ecossistema e Parque Urbano
Além das soluções de engenharia, o projeto dedica atenção especial à recuperação ambiental da área afetada. Uma das propostas inovadoras é a criação de um parque urbano que se estenderá ao longo das margens da antiga voçoroca. A iniciativa contempla o plantio de cerca de 30 hectares com diversas espécies arbóreas, promovendo a restauração da cobertura vegetal e a estabilização do solo.
Técnicas de bioengenharia serão empregadas em conjunto com o plantio, utilizando a vegetação como aliada para consolidar o terreno e acelerar a recuperação ecológica. O parque e um viveiro de mudas associado ao projeto encontram-se em fase inicial de implementação, com previsão de desenvolvimento mais intenso após a finalização das obras de drenagem e a reorganização do sistema urbano.
As características geológicas singulares da região de Loanda, inserida na formação Arenito Caiuá, com solos predominantemente arenosos e baixa capacidade de retenção hídrica, foram um fator preponderante para o surgimento e a progressão da voçoroca. A intervenção não só resolve um problema de infraestrutura, mas também busca restabelecer um equilíbrio ambiental, transformando uma área degradada em um espaço de lazer e conservação para a comunidade.





