Cooperação garante novo método de combate à dengue em Curitiba

🕓 Última atualização em: 26/03/2026 às 12:22

Curitiba formalizou um acordo para implementar o Método Wolbachia, uma estratégia inovadora no combate a doenças transmitidas por mosquitos como dengue, zika e chikungunya. A iniciativa, firmada entre a prefeitura e a biofábrica Wolbito do Brasil, visa introduzir mosquitos portadores da bactéria Wolbachia, que são incapazes de transmitir esses vírus.

A colaboração técnica representa um passo importante para reforçar as ações de saúde pública no município. Apesar de Curitiba ter demonstrado sucesso na redução de casos de dengue em anos anteriores, a adoção desta tecnologia representa um fortalecimento adicional na prevenção. A medida foi oficializada durante a Smart City Expo Curitiba.

A bactéria Wolbachia, presente naturalmente em grande parte dos insetos, quando introduzida no mosquito Aedes aegypti, atua como um mecanismo de bloqueio contra a replicação viral. Isso significa que os mosquitos com a bactéria, mesmo que piquem uma pessoa infectada, não são capazes de contrair e, consequentemente, transmitir os patógenos.

Esta parceria estratégica surge em um momento crucial, considerando as projeções epidemiológicas que apontam para períodos potencialmente mais intensos de arboviroses nos próximos anos. A prefeitura busca, com isso, antecipar-se e preparar o território para enfrentar esses desafios com ferramentas mais eficazes.

A Wolbito do Brasil, maior biofábrica do mundo de mosquitos com Wolbachia, já está instalada em Curitiba desde o ano passado. Sua presença na cidade é vista como um diferencial, agregando expertise e capacidade produtiva local para a execução do programa.

O acordo técnico-científico, embora a cidade não se enquadre nos critérios federais de priorização para infestação, permitirá que Curitiba acesse a tecnologia. A prefeitura destaca que a ação é complementar às estratégias já em curso, ampliando o leque de opções para a proteção da população.

Abordagens de Liberação e Engajamento Comunitário

A implementação do programa técnico-científico terá como foco inicial o bairro Sítio Cercado. Nesta área, serão empregadas duas metodologias distintas de liberação de mosquitos: ovos e mosquitos adultos que já carregam a Wolbachia. Essa abordagem dual permitirá a comparação de resultados e a otimização das estratégias em um mesmo ambiente.

Contudo, a soltura dos mosquitos não ocorrerá de imediato. A primeira fase do projeto será dedicada ao engajamento comunitário. Durante um mês, haverá ações educativas e de orientação junto aos moradores do Sítio Cercado, detalhando a tecnologia e as atividades planejadas para o bairro. Essa etapa é fundamental para garantir a aceitação e o sucesso da iniciativa.

Após o período de sensibilização da comunidade, a fase de implantação terá início. Esta etapa está prevista para durar aproximadamente 26 semanas, durante as quais os mosquitos serão liberados gradualmente na área de estudo. O acompanhamento rigoroso dos resultados será crucial para a avaliação da eficácia.

O Método Wolbachia já possui um histórico de sucesso em diversas localidades, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Em Niterói, por exemplo, a aplicação da tecnologia resultou em uma redução de até 89% nos casos de dengue, demonstrando seu potencial como ferramenta de saúde pública.

A estratégia se alinha às diretrizes nacionais de prevenção e controle das arboviroses, complementando as ações tradicionais de combate ao mosquito vetor. A expectativa é que, com a integração do Método Wolbachia, Curitiba fortaleça ainda mais sua capacidade de resposta e proteção à saúde de seus cidadãos.

Inovação e Desenvolvimento Tecnológico Local

A Wolbito do Brasil representa um marco na produção de soluções inovadoras para a saúde pública. Inaugurada em julho de 2025, a biofábrica é fruto de uma parceria estratégica entre o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), detentor da patente da tecnologia.

O IBMP, por sua vez, é uma colaboração entre a Fiocruz e o Governo do Paraná, por meio do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Ambas as instituições são apoiadas pelo Tecnoparque, um programa da Prefeitura de Curitiba que visa fomentar projetos inovadores através de incentivos fiscais.

O Tecnoparque, ativo desde 2018, já destinou cerca de R$ 500 milhões em benefícios fiscais para mais de 130 empresas. Além do suporte financeiro, o programa funciona como uma rede de negócios, conectando e impulsionando o desenvolvimento de empresas nas áreas de tecnologia e inovação em Curitiba, fortalecendo o ecossistema local.

A presença da Wolbito do Brasil na cidade não apenas traz benefícios diretos para a saúde pública, mas também contribui para o desenvolvimento econômico e tecnológico de Curitiba. A geração de empregos e a disseminação de conhecimento na área de biotecnologia são aspectos relevantes desta instalação.

A assinatura do termo de cooperação contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o presidente da Agência Curitiba, Dario Paixão; o presidente da Câmara Municipal, Tico Kuzma; a superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Flávia Quadros; e a diretora de Saúde Ambiental da SMS, Francielle Dechatnek, reforçando o apoio institucional à iniciativa.

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