Companhia Deborah Colker traz espetáculo inédito de dança a Curitiba

🕓 Última atualização em: 28/03/2026 às 23:59

A renomada Companhia de Dança Deborah Colker está em turnê com seu mais recente espetáculo, “Remix”, uma obra que revisita e reinterpreta momentos marcantes de sua trajetória de três décadas. O espetáculo, que estreou na região Sul do país, celebra o legado artístico construído pela companhia, apresentando uma perspectiva inovadora sobre o próprio repertório. A produção promete uma fusão de emoções, transitando entre a intensidade e a leveza, em um espetáculo que exige uma complexa estrutura de montagem e envolve um grande número de profissionais.

A concepção de “Remix” emerge de uma reflexão profunda sobre a história da companhia, impulsionada por eventos pessoais e profissionais. A ideia tomou forma a partir de uma homenagem recebida pela coreógrafa Deborah Colker, que, ao ver a performance de crianças inspiradas pelo trabalho da companhia, percebeu a força e a longevidade de seu legado.

O espetáculo é estruturado em dois atos, cada um com uma proposta emocional distinta. O primeiro ato mergulha em sentimentos mais densos e explosivos, enquanto o segundo ato busca a alegria e a leveza, proporcionando ao público uma jornada emocional completa.

A dramaturgia, assinada por João Elias, cofundador da companhia, busca criar um diálogo entre as cenas extraídas de diferentes espetáculos, resultando em uma narrativa coesa e impactante. Elias descreve a produção como a mais ousada da companhia até o momento, evidenciando a magnitude da estrutura cenográfica e o envolvimento de uma vasta equipe técnica.

A equipe criativa de “Remix” conta com nomes de peso. A cenografia é assinada por Gringo Cardia, responsável pelos cenários originais de diversas obras da companhia. Claudia Kopke atualiza os figurinos, mantendo a essência dos trabalhos originais de Yamê Reis e Samuel Cirnansck.

A sonoridade do espetáculo é uma colaboração de Berna Ceppas, que realiza a fusão das trilhas sonoras. A adaptação da iluminação, originalmente concebida por Jorginho de Carvalho, fica a cargo de Eduardo Rangel, garantindo a ambientação visual adequada a cada momento.

A escolha de revisitar obras anteriores não é inédita para a Companhia Deborah Colker, que já explorou seu repertório em projetos como “Mix” (1995) e “Vero” (2016). No entanto, “Remix” se distingue pela sua dramaturgia em dois atos, conferindo uma nova unidade à remontagem de cenas.

A Reinvenção do Repertório

O elenco, composto por 16 bailarinos, dá vida a sequências extraídas de peças fundamentais do repertório. O primeiro ato de “Remix” inclui a coreografia “Paixão”, de “Vulcão” (1994), uma das primeiras criações da companhia, que explora a intensidade dos sentimentos. Em seguida, a cena da cortina de “Belle” (2014) aborda conflitos femininos e a dualidade entre recato e desejo, inspirada em obras literárias e cinematográficas clássicas.

A atmosfera de tensão e lirismo continua com a coreografia “Vasos”, originária de “4×4” (2002). A cena, acompanhada por um solo de piano executado ao vivo, apresenta bailarinos interagindo com vasos, em um espetáculo visual que culmina com a suspensão das peças, criando imagens de grande beleza plástica. Esta parte do espetáculo é complementada pela performance da pianista Patrícia Glatzl ou, em algumas apresentações, pela própria Deborah Colker.

O segundo ato de “Remix” transporta o público para um universo de leveza e exploração, com cenas do espetáculo “Rota” (1997). A coreografia “Gravidade” é uma inspiração direta observada nos movimentos dos astronautas em ambiente de ausência de peso, transpondo essa liberdade para a linguagem corporal da dança.

O encerramento é marcado pela icônica coreografia “Roda”. Inspirada em simbolismos universais associados ao movimento circular, a roda gigante evoca o lúdico e a socialização. O espetáculo culmina com a ideia de movimento contínuo, refletindo o ciclo da vida e a constante renovação.

“Remix”: Uma Celebração da Trajetória

“Remix” é, em essência, uma celebração da trajetória da Companhia de Dança Deborah Colker. Ao reunir fragmentos de espetáculos marcantes, a obra não apenas relembra momentos de sucesso, mas também os recontextualiza através de uma nova dramaturgia e proposta artística.

O espetáculo convida o público a uma experiência imersiva, onde a revisitação de cenas conhecidas pode gerar novas emoções e reflexões. A ousadia na montagem e a profundidade da linguagem corporal consolidam “Remix” como um marco na produção da companhia, reafirmando seu compromisso com a inovação e a excelência na dança contemporânea.

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