Com 180 anos de existência, o Colégio Estadual do Paraná (CEP) se consolida como uma instituição centenária de ensino público, atravessando gerações e moldando a história educacional e cultural do estado. A celebração de sua longa trajetória ressalta seu papel como pilar na formação de milhares de cidadãos e seu impacto contínuo na sociedade.
Desde sua fundação em 13 de março de 1846, o CEP – inicialmente conhecido como Licêo de Coritiba – precedeu a emancipação do Paraná em sete anos, demonstrando sua antecipação na vanguarda da educação regional.
A instituição passou por diversas mudanças de endereço, refletindo o crescimento e a evolução do sistema educacional brasileiro ao longo dos séculos. Denominações como Instituto Paranaense, Gymnásio Paranaense e Colégio Paranaense antecederam a adoção oficial do nome Colégio Estadual do Paraná em 1943.
Mais do que um centro de aprendizado, o CEP se tornou um importante patrimônio educacional, responsável pela formação de aproximadamente 90 mil estudantes ao longo de seus 180 anos. Sua influência se estende pela vida cultural, política e intelectual do Paraná.
A contribuição de ex-alunos notáveis
Ao longo de sua história, o Colégio Estadual do Paraná foi palco da formação de personalidades que deixaram marcas indeléveis em diversas áreas do saber e da atuação pública. Nomes que transitaram por seus corredores tornaram-se referências nacionais.
No campo político, figuras como Jânio Quadros, ex-presidente da República, e ex-governadores paranaenses como Ney Braga, Jaime Lerner e Paulo Pimentel, são exemplos de ex-alunos que seguiram carreiras de destaque.
O legado cultural e intelectual também é vasto. Escritores renomados como Dalton Trevisan e Paulo Leminski, o compositor Bento Mossurunga, o artista Poty Lazzarotto e o jurista René Dotti são alguns dos nomes que enriqueceram o panorama cultural brasileiro, tendo passado pelos bancos escolares do CEP.
Um exemplo emblemático de superação e acesso à educação como ferramenta de transformação social é a trajetória de Enedina Alves Marques. A primeira engenheira negra do Brasil frequentou o colégio no início do século XX, trabalhando como doméstica enquanto estudava. Sua conquista acadêmica e profissional demonstrou a capacidade do CEP em impulsionar talentos em condições adversas.
O diretor da instituição, César Augusto Cruz, destaca que, além dos nomes amplamente conhecidos, o CEP formou e continua formando inúmeros profissionais que fortalecem a sociedade paranaense em suas respectivas áreas. Ele enfatiza que a escola sempre foi um espaço de formação de lideranças e de estímulo ao pensamento crítico.
Patrimônio arquitetônico e acervo histórico
O edifício atual do Colégio Estadual do Paraná, um ícone arquitetônico de Curitiba, foi tombado como patrimônio histórico do Paraná em 1994. Sua imponência arquitetônica é reflexo de sua importância na memória urbana e educacional da capital paranaense.
Além do valor arquitetônico, o CEP resguarda um acervo intelectual significativo. Sua biblioteca conta com mais de 38 mil exemplares e 16 mil títulos catalogados, servindo à comunidade estudantil com obras de diversas áreas do conhecimento.
O Centro de Memória da instituição abriga verdadeiras raridades, como a obra “Sertum Palmarum Brasiliensium”, de 1903, do botânico João Barbosa Rodrigues, fundamental para o estudo da botânica brasileira. Este acervo de mais de 500 obras raras é um testemunho da história do conhecimento no estado.
Curiosidades pouco conhecidas também fazem parte da história do colégio. No subsolo, encontra-se um abrigo antiaéreo construído durante a Segunda Guerra Mundial, que hoje é utilizado para atividades culturais. No Salão Nobre, a Pinacoteca Theodoro de Bona abriga um monumental quadro retratando a fundação de Curitiba, encomendado para a inauguração da sede atual em 1950.
A pedagoga Laureci Schmitz, que dirigiu o CEP em duas gestões, ressalta que a força da instituição reside em sua capacidade de criar caminhos que se estendem para além de seus muros. Ela exemplifica com projetos como o DANCEP, grupo de dança que cresceu de forma expressiva, e o acompanhamento individualizado de estudantes, que pode levar a conquistas notáveis em universidades de renome.
A capacidade de despertar talentos e de formar indivíduos que se tornam orgulho para a instituição, mesmo em experiências internacionais, como o encontro com um ex-aluno doutorando na Sorbonne, demonstra a relevância duradoura do Colégio Estadual do Paraná. A escola transcende a mera transmissão de conhecimento, tornando-se um espaço de construção de sonhos e de direcionamento de trajetórias de vida.






