A importunação sexual, um crime que transcende a esfera física e avança para o ambiente digital, ganha atenção redobrada com a expansão da campanha “Não é Não” no Paraná. A iniciativa, que já vinha sendo implementada em anos anteriores, amplia seu alcance em 2024 para abranger as interações em redes sociais, reforçando a mensagem de que qualquer contato sem consentimento configura violência, independentemente do local ou plataforma.
A campanha, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi), visa a sensibilizar a população para a necessidade de respeitar os limites interpessoais. A mensagem é clara: a linha que separa a interação social da violência é o consentimento, e a sua ausência descaracteriza qualquer ato como aceitável.
Em Curitiba, a presença da campanha já se faz notar nas ruas desde o dia 17 de janeiro. Equipes da Secretaria da Mulher e Igualdade Étnico-Racial estão atuando nos principais blocos de pré-carnaval, promovendo a conscientização sobre a importunação sexual, o combate à violência contra a mulher, ao racismo e à LGBTfobia.
As ações de panfletagem e diálogo direto com o público ocorrem nos finais de semana que antecedem o Carnaval. O objetivo é assegurar que a celebração ocorra em um ambiente seguro e acolhedor para todos, desmistificando a ideia de que a folia carnavalesca é um espaço de permissividade para comportamentos abusivos.
O alcance digital da importunação sexual
A inclusão explícita das redes sociais na campanha “Não é Não” reflete uma preocupação crescente com a violência que se manifesta no ciberespaço. Comentários invasivos, envio de material não solicitado e assédio virtual são formas de importunação que exigem a mesma firmeza de repúdio e combate.
A secretária de Estado da Semipi, Leandre Dal Ponte, enfatiza a importância da mobilização conjunta entre o Estado e os municípios. Ela ressalta que a mensagem central é o respeito ao consentimento, um princípio fundamental para a convivência social, agora estendido para o ambiente online.
A diretora de Políticas Públicas para Mulheres da Semipi, Mariana Neris, reforça que o respeito e a autonomia individual não são negociáveis. Ela aponta que o consumo de álcool não serve como justificativa para o assédio, reiterando o slogan: “Não é não. Assédio não é folia.”
O Bloco Garibaldis e Sacis, por exemplo, um dos blocos tradicionais de Curitiba, já iniciou suas atividades de pré-carnaval, levando a festa para bairros como Tatuquara e Sítio Cercado. As saídas temáticas, como “Garibaldis na magia do circo” e “Super-heróis Babys”, buscam descentralizar a folia e promover a participação familiar.
Com mais de 50 apresentações de blocos de rua previstas em Curitiba até o feriado de Carnaval, a cidade se prepara para uma celebração que, segundo as autoridades, deve ser marcada pela segurança e pelo respeito. A campanha “Não é Não” distribui materiais informativos para os 399 municípios do Paraná, buscando fortalecer a rede de proteção e conscientização em todo o estado.
A responsabilidade coletiva na prevenção
A mensagem da campanha transcende a esfera punitiva, focando na prevenção e na educação. É fundamental que cada indivíduo compreenda a gravidade da importunação sexual e adote uma postura de respeito e observância aos limites alheios, seja em um ambiente festivo ou em qualquer outra interação social.
A participação ativa da sociedade civil, das organizações e das esferas governamentais é crucial para a efetividade de iniciativas como esta. Somente através de um esforço contínuo e coordenado será possível construir um Carnaval e um ambiente digital verdadeiramente seguros e inclusivos para todas as pessoas.






