Curitiba lança uma inovadora linha de cuidado para a prevenção da doença renal crônica, um marco na saúde pública brasileira. A iniciativa, oficializada no Dia do Rim, visa capacitar profissionais e integrar todos os níveis de atenção à saúde, desde a atenção primária até os serviços de diálise, com o objetivo de intervir precocemente e evitar o agravamento das condições que levam à insuficiência renal.
A estratégia prioriza a identificação de indivíduos em risco, como pacientes com hipertensão e diabetes, garantindo um acompanhamento contínuo e eficaz.
Esta abordagem integrada busca reduzir a progressão para quadros graves, que frequentemente culminam em tratamentos de alto custo e complexidade, como a diálise e o transplante renal.
A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba lidera o projeto, com o apoio de conselhos regionais de medicina e sociedades científicas da área da saúde.
O foco principal recai sobre as equipes da atenção primária, consideradas a porta de entrada do sistema de saúde.
Esses profissionais são fundamentais para estabelecer um vínculo sólido com os usuários, permitindo a detecção precoce de sinais que podem indicar um futuro comprometimento renal.
A secretária municipal de Saúde, Tatiane Filipak, ressaltou a importância de uma medicina não fragmentada e do trabalho em rede para assegurar a saúde dos pacientes.
Ela enfatizou que o olhar atento dos profissionais da atenção básica faz uma diferença substancial na vida das pessoas, ao identificar e gerenciar fatores de risco.
A importância da Prevenção e do Rastreio Precoce
A doença renal crônica (DRC) é frequentemente assintomática em seus estágios iniciais, o que dificulta seu diagnóstico precoce. Sem intervenção adequada, ela pode progredir para formas irreversíveis, exigindo tratamentos substitutivos renais que impactam significativamente a qualidade de vida e a expectativa de vida dos pacientes.
O aumento de diagnósticos de DRC em Curitiba, com um crescimento de 18% entre 2024 e 2025, evidencia a necessidade urgente de estratégias preventivas e de rastreio mais eficientes. A integração da linha de cuidado abrange a atenção primária, a especializada, a urgência e emergência, e os serviços de diálise, criando um fluxo contínuo de assistência.
O simpósio realizado para o lançamento da linha de cuidado contou com a presença de representantes do Ministério da Saúde, conselheiros do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e presidentes de sociedades médicas relevantes, como a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Sociedade Paranaense de Nefrologia.
Essas parcerias são cruciais para a implementação e o sucesso de políticas públicas de saúde baseadas em evidências e melhores práticas clínicas.
A implementação dessa linha de cuidado como política pública em Curitiba, alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde, representa uma estratégia fundamental para a melhoria dos desfechos clínicos.
A iniciativa demonstra um compromisso com a prevenção, a qualidade assistencial e a sustentabilidade financeira do Sistema Único de Saúde (SUS).
Impacto na Qualidade de Vida e Sustentabilidade do SUS
Evitar que pacientes cheguem à necessidade de diálise ou transplante renal representa não apenas um avanço em termos de qualidade de vida e sobrevida, mas também uma otimização significativa dos recursos públicos. A vida de pacientes em diálise é extremamente sofrida, e a prevenção de complicações renais graves permite que esses indivíduos mantenham maior autonomia e bem-estar.
A iniciativa de Curitiba, ao focar na identificação precoce e no manejo de condições como hipertensão e diabetes, contribui para a redução da morbidade e mortalidade associadas à DRC. Isso se traduz em menor demanda por procedimentos de alta complexidade e, consequentemente, em economia para o sistema de saúde.
A capacitação dos profissionais da rede de saúde é um componente essencial desta linha de cuidado. O Programa Escute seu Coração, por exemplo, que já atua na promoção da saúde cardiovascular, pode ser um aliado importante no rastreio de fatores de risco para a doença renal.
O sucesso desta abordagem dependerá da contínua colaboração entre gestores, profissionais de saúde e a sociedade civil, garantindo que a prevenção e o cuidado renal se tornem uma prioridade efetiva na saúde pública.






