Curitiba lança a campanha “Não é Não”, uma iniciativa de conscientização social com foco no período de pré-carnaval, visando combater a importunação sexual e diversas formas de violência. A ação, promovida pela Secretaria da Mulher e Igualdade Étnico-Racial, marca presença nos principais eventos de rua da cidade, buscando promover um ambiente festivo seguro, inclusivo e respeitoso para todos os participantes.
A abordagem da campanha é direta e educativa, com equipes atuando em locais de grande concentração de foliões. O objetivo é dialogar com o público, distribuir material informativo e reforçar a importância do consentimento e do respeito mútuo durante as celebrações.
A iniciativa destaca a necessidade de garantir que a alegria do carnaval possa coexistir com a segurança e a dignidade de todas as pessoas, independentemente de gênero, raça ou orientação sexual. O poder público se posiciona como um agente de acolhimento e fiscalização.
A diretora de Políticas para as Mulheres, Aline Betenheuser, ressalta a mensagem central da campanha. “O respeito é um princípio inegociável”, afirma. “A campanha visa empoderar os cidadãos a desfrutar da festa com liberdade, mas com a responsabilidade de não ultrapassar os limites do outro.”
A presença das equipes da secretaria em meio aos blocos de carnaval é uma estratégia para alcançar diretamente o público-alvo. O diálogo busca informar, orientar e demonstrar que há um suporte disponível para quem necessitar.
As ações estão programadas para ocorrer em diversos pontos da cidade, acompanhando o calendário de blocos e eventos que antecedem o carnaval oficial. A meta é ampliar o alcance da mensagem e fortalecer a cultura do consentimento.
Ações e Locais Estratégicos
As atividades da campanha “Não é Não” estão sendo estrategicamente distribuídas em locais e datas que concentram grande número de participantes. A escolha dos pontos visa maximizar a visibilidade da mensagem e a interação com os foliões.
Eventos como o Bloco Brasilidades, realizado nas Ruínas de São Francisco, e os blocos Afro Pretinhosidade e Garibaldis e Sacis, com atividades na Vila Torres e Praça João Cândido, estão entre os palcos das ações. A dinâmica dos blocos, que geralmente se iniciam a partir das 15h, é acompanhada pelas equipes.
Outros locais importantes incluem a Praça Tiradentes, o Paço da Liberdade, a Rua Marechal Deodoro, o Bebedouro do Largo da Ordem, o Sesc Paço da Liberdade e a Sociedade Morgenau, onde desfila a Escola de Samba Acadêmicos da Realeza. Essa diversidade de cenários reflete o compromisso em abranger diferentes públicos e regiões.
A intenção é que a conscientização se torne parte intrínseca da experiência carnavalesca, desde os eventos preparatórios até as celebrações principais, fomentando uma cultura de paz e respeito.
A campanha vai além da simples prevenção, buscando ativamente promover a igualdade e combater todas as formas de discriminação, incluindo o racismo e a LGBTfobia. O diálogo em campo é uma ferramenta poderosa para educar e transformar atitudes.
Impacto e Perspectivas Futuras
A iniciativa “Não é Não” busca estabelecer um precedente para eventos futuros, consolidando a importância da segurança e do respeito em espaços públicos de lazer e celebração. A campanha visa não apenas responder a questões pontuais, mas promover uma mudança cultural duradoura.
O engajamento da sociedade é fundamental para o sucesso dessas ações. Ao conscientizar o público sobre a gravidade da importunação sexual e outras formas de violência, a campanha incentiva a denúncia e a adoção de comportamentos mais empáticos e responsáveis.
A Secretaria da Mulher e Igualdade Étnico-Racial aposta no diálogo contínuo e na presença ativa nos eventos como formas de reforçar a mensagem. A expectativa é que a conscientização se traduza em uma diminuição efetiva dos casos de violência durante o período festivo e além dele.
A experiência em Curitiba pode servir de modelo para outras cidades brasileiras que enfrentam desafios semelhantes na garantia de eventos seguros e inclusivos. A abordagem multifacetada, que combina informação, acolhimento e combate à discriminação, é um passo importante.
A continuidade destas ações é essencial para que a mensagem de “Não é Não” ressoe para além do carnaval, integrando-se à vida cotidiana e fortalecendo a rede de proteção às mulheres e grupos vulneráveis.






