Bombeiros do Paraná alertam que trote é crime e pode custar vidas

🕓 Última atualização em: 31/03/2026 às 18:36

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) emite um alerta contundente sobre a prática de trotes para o serviço de emergência 193. Ligações falsas, especialmente aquelas feitas em datas como o Dia da Mentira, podem ter consequências graves, desviando recursos valiosos e, crucialmente, colocando vidas em risco ao atrasar o atendimento de ocorrências reais.

A capitã Luisiana Guimarães Cavalca, porta-voz da corporação, enfatiza que “trote não é brincadeira, é crime e pode custar vidas”. A mensagem é clara: a banalização de chamadas de emergência tem um impacto direto na capacidade de resposta do serviço.

Quando um cidadão disca 193, a chamada é direcionada à Central de Operações dos Bombeiros (Cobom). Ali, atendentes realizam uma triagem minuciosa para determinar a natureza da emergência, definindo a quantidade e o tipo de viaturas e o número de efetivos necessários para o socorro.

Em casos de trotes, essa complexa estrutura logística é ativada em vão. O tempo e os recursos mobilizados, que poderiam estar salvando vidas, são desperdiçados, gerando gastos públicos e exaustão das equipes.

O resultado direto da interrupção indevida do serviço é o atraso no socorro a quem realmente necessita. A capitã ressalta: “A partir do momento em que uma viatura se desloca para uma ocorrência falsa, aquela região fica desguarnecida. Se surgir uma situação real, o atendimento pode demorar mais e isso traz prejuízo direto para quem realmente precisa”. Essa desmobilização temporária pode ser a diferença entre a vida e a morte em situações críticas.

O Impacto Direto na Cadeia de Resposta de Emergência

Um exemplo emblemático dessa realidade ocorreu em Maringá. Dois caminhões de quartéis distintos foram despachados para o combate a um suposto incêndio de grandes proporções em uma residência. Ao chegarem ao local, as equipes de bombeiros constataram a inexistência da situação descrita. A verificação posterior com a Cobom revelou que a linha telefônica utilizada para o chamado era falsa. Essa mobilização desnecessária deixou as áreas normalmente cobertas pelos quartéis desprovidas de suporte operacional por um período crítico.

Em cenários de atendimento pré-hospitalar, onde cada segundo é vital, o impacto dos trotes é ainda mais severo. A rapidez na resposta define o que profissionais de saúde e bombeiros chamam de hora de ouro, um período crítico para a sobrevida e minimização de sequelas.

A capitã Cavalca explica a gravidade da situação: “A rapidez na prestação do atendimento pré-hospitalar e no encaminhamento da vítima para o tratamento efetivo no hospital é muito importante para a sobrevida da pessoa e para minimizar sequelas. Quando uma viatura precisa ser deslocada de outro bairro, por exemplo, o atendimento pode demorar entre 10 e 15 minutos a mais, o que pode agravar a situação”. Esse tempo adicional de deslocamento pode comprometer o prognóstico do paciente.

Trote: Uma Violação Legal com Consequências Reais

A prática de passar trotes para serviços de emergência não é apenas uma infração ética e social, mas também configura crime com punições legais estabelecidas. No estado do Paraná, a Lei Estadual nº 17.107, de 2012, impõe sanções administrativas para quem realiza ligações falsas. Estas sanções podem incluir a aplicação de multas e a responsabilização do titular da linha telefônica, mesmo que o autor seja um menor de idade.

Adicionalmente, a conduta pode ser enquadrada no Código Penal Brasileiro. O artigo 340 trata da comunicação falsa de crime ou de ocorrência, prevendo pena de detenção de um a seis meses ou multa. Em casos mais graves, o artigo 266 pode ser aplicado, que penaliza a interrupção ou perturbação de serviço público com reclusão de um a três anos e multa. Em situações envolvendo crianças e adolescentes, pais ou responsáveis podem ser convocados para prestar esclarecimentos e arcar com as responsabilidades administrativas.

Dados indicam que uma parcela significativa dos trotes ocorre durante a noite, a madrugada e períodos de férias escolares, quando crianças e adolescentes podem ter acesso descontrolado a telefones. Há também registros de chamadas feitas por indivíduos com deficiência intelectual, que, por vezes, ligam para conversar. O CBMPR reforça a necessidade de supervisão parental ativa.

“Os pais e tutores devem ficar atentos ao uso de telefones por crianças ou pessoas com deficiência intelectual. Ao menor descuido, elas podem ligar para os serviços de emergência e atrapalhar o atendimento”, alerta a capitã Luisiana. O uso consciente e responsável do número 193, destinando-o exclusivamente a situações de emergência real, é um ato de cidadania que garante o rápido socorro a quem realmente precisa.

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