BNDES destina R$ 21 milhões para restaurar 900 hectares da Mata Atlântica no Paraná

🕓 Última atualização em: 07/04/2026 às 14:53

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou os primeiros R$ 21 milhões para a restauração de uma área de 900,7 hectares na Floresta Nacional de Irati (Flona Irati), localizada no Sudeste do Paraná. Os recursos fazem parte de um financiamento total de R$ 110,1 milhões e serão aplicados em ações de manejo sustentável e recuperação ecológica, com o objetivo de erradicar gradualmente espécies exóticas invasoras, como pinus e eucalipto, e substituí-las por flora nativa da Mata Atlântica.

Esta iniciativa representa um marco para o bioma da Mata Atlântica, pois se trata da primeira concessão florestal federal estruturada com apoio do BNDES neste ecossistema. O modelo adotado busca harmonizar a produção controlada de madeira proveniente de espécies exóticas com a revitalização da vegetação autóctone e a gestão florestal responsável em uma unidade de conservação federal.

A viabilização do primeiro desembolso foi resultado de uma parceria com os bancos BTG Pactual e Safra, que ofereceram garantias financeiras. Essa colaboração expande a rede de apoio, somando agora seis grandes bancos comerciais nacionais que já participaram de investimentos florestais em espécies nativas com o respaldo do BNDES, especialmente através do Fundo Clima Florestas, parte da iniciativa BNDES Florestas.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o governo federal está impulsionando a restauração florestal como uma agenda econômica estratégica para o país. Segundo ele, o banco atua na estruturação de projetos e na mobilização de capital para solidificar um mercado que integre preservação ambiental, produção sustentável e desenvolvimento econômico.

Além da restauração dos 900,7 hectares, a concessionária Flona Irati Florestal Ltda., pertencente ao grupo Ibema Participações S.A., será responsável pela conservação de toda a área da Floresta Nacional, totalizando 3.810,64 hectares. A unidade é fundamental para conectar fragmentos importantes da Mata Atlântica no interior paranaense, como a APA Serra da Boa Esperança e a Reserva Biológica das Araucárias, fortalecendo os corredores ecológicos e a biodiversidade regional.

O plano de ação inclui a implementação de uma brigada de combate a incêndios florestais, a revitalização de estruturas voltadas ao turismo, lazer e atividades administrativas da unidade, além do monitoramento da fauna e flora e o fomento à pesquisa e à educação ambiental. A concessionária também promoverá a integração produtiva de comunidades locais e a capacitação de seus membros em práticas florestais sustentáveis, visando ampliar os benefícios socioeconômicos da concessão.

Novas Fronteiras para a Bioeconomia

O projeto servirá como um laboratório para testes de plantio consorciado de espécies nativas, como araucária, bracatinga, canela-guaicá, erva-mate, espinheira-santa e louro-pardo. O objetivo é estimular a cadeia produtiva da silvicultura de espécies nativas e o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a restauração da Mata Atlântica, abrindo novas perspectivas para a bioeconomia florestal brasileira.

Erick Coelho, gestor financeiro do grupo Ibemapar, ressaltou que o financiamento representa um movimento estratégico que reforça o propósito da empresa em transformar negócios para beneficiar vidas e ambientes. Ele enfatizou que a parceria com o Fundo Clima do BNDES fortalece a agenda de investimentos sustentáveis, unindo eficiência na alocação de capital, inovação em manejo florestal e compromisso com a conservação da Mata Atlântica, gerando valor econômico com impacto socioambiental concreto.

O programa BNDES Florestas é uma frente estratégica do banco que utiliza diversos instrumentos financeiros e técnicos para consolidar, em escala, o setor de restauração e da bioeconomia florestal no Brasil. A iniciativa já mobilizou R$ 7 bilhões em investimentos, visando impulsionar a restauração e sua cadeia produtiva, gerando sustentabilidade em escala global. Através dessas ações, espera-se o plantio de 280 milhões de árvores, a geração de 70 mil empregos verdes e a captura de 54 milhões de toneladas de carbono, contribuindo significativamente para a mitigação das mudanças climáticas.

A Importância Estratégica da Mata Atlântica

A Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, enfrenta desafios significativos devido à intensa ocupação humana e ao histórico de desmatamento. A restauração de áreas degradadas e a implementação de práticas de manejo sustentável são cruciais para a conservação de seus ecossistemas e para a manutenção de serviços ambientais essenciais.

Neste contexto, a atuação do BNDES e de empresas como a Ibemapar na Flona Irati demonstra um caminho promissor para aliar objetivos de conservação com desenvolvimento econômico. A iniciativa não apenas visa recuperar a cobertura florestal, mas também fortalecer a economia local através da geração de empregos e da promoção de cadeias produtivas sustentáveis, alinhando-se aos princípios da economia circular e da transição energética.

A gestão integrada da Flona Irati, que abrange áreas de produção com espécies exóticas e a conservação de remanescentes nativos, exemplifica uma abordagem inovadora. Este modelo pode servir de referência para outras unidades de conservação em diferentes biomas brasileiros, demonstrando que a preservação ambiental pode andar de mãos dadas com o crescimento econômico e o bem-estar social, consolidando a posição do Brasil como líder em desenvolvimento sustentável.

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