A cidade de Curitiba intensifica, nesta quinta-feira (19), as ações de conscientização e prevenção à violência contra a mulher. Iniciativas como a blitz educativa realizada no calçadão da Rua XV de Novembro, promovida pela Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal, visam a disseminação de informações cruciais para a proteção feminina e o combate à violência doméstica no município.
Durante a abordagem pública, as equipes distribuem material informativo detalhado sobre os diferentes tipos de violência e os ciclos que marcam a agressão doméstica. O foco principal é apresentar os contatos da rede de apoio e proteção, incentivando vítimas e testemunhas a procurarem auxílio sem receio.
O supervisor da Patrulha Maria da Penha, Zeilton Dalla Villa, ressaltou a importância dessa estratégia de alcance. Segundo ele, a campanha pretende percorrer todas as dez administrações regionais da cidade, as Ruas da Cidadania e os terminais de ônibus, ampliando o acesso à informação sobre onde buscar ajuda e atendimento especializado.
Um Legado de Proteção e um Olhar para o Futuro
A Patrulha Maria da Penha, um marco na proteção das mulheres em Curitiba, completou 12 anos de atuação em 2026. Sua criação representou um avanço significativo, sendo a primeira patrulha especializada no Brasil integrada às guardas municipais, com a missão primordial de coibir e prevenir a violência doméstica contra as mulheres.
Ao longo de sua existência, a unidade registrou um número expressivo de atendimentos, superando 86 mil. Desses, mais de 3.300 resultaram no encaminhamento de agressores para a Delegacia da Mulher, além de um acompanhamento rigoroso de medidas protetivas. Em 2025, foram mais de 9 mil atendimentos, com cerca de 370 prisões e o monitoramento de mais de 4.500 medidas protetivas, evidenciando a relevância e a efetividade do serviço.
Em meio a um cenário social que ainda reflete resquícios de estruturas patriarcais, conforme aponta a estudante de pedagogia Alecsandra Bronqueti, ações como essa são fundamentais. Ela enfatiza a necessidade de conscientizar a sociedade sobre a igualdade de gênero e a importância da rede de apoio para as mulheres, destacando o calçadão como um local estratégico devido ao seu alto fluxo de pessoas.
Entendendo e Combatendo as Diversas Formas de Violência
A legislação define a violência doméstica e familiar contra a mulher como qualquer ato ou omissão, fundamentado em gênero, que resulte em morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico, ou dano moral ou patrimonial. Essa violência pode ocorrer tanto no ambiente doméstico e familiar quanto em qualquer outra relação íntima de afeto, independentemente de coabitação, configurando uma grave violação dos direitos humanos.
A Lei Maria da Penha categoriza essa agressão em cinco formas distintas, cada uma com suas particularidades e impactos devastadores na vida das vítimas. A conscientização sobre essas classificações é o primeiro passo para o reconhecimento e a denúncia. São elas: a violência física, que abrange qualquer conduta lesiva ao corpo; a violência psicológica, que atinge a autoestima e a saúde mental; a violência moral, que envolve difamação e injúria; a violência sexual, caracterizada por qualquer ato não consentido; e a violência patrimonial, que visa controlar ou destruir os bens da vítima.
Para auxiliar na identificação e na busca por ajuda, é fundamental conhecer os canais de denúncia disponíveis. A Patrulha Maria da Penha (3221 2760) e a Central de Pré-Atendimento à Mulher (180) são portas de entrada essenciais. Além disso, em situações de emergência, a Guarda Municipal (153) e a Polícia Militar (190) estão à disposição. A Casa da Mulher Brasileira, a Delegacia da Mulher, a Defensoria Pública e o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher oferecem suporte especializado e encaminhamentos jurídicos e sociais.






