Um debate acirrado sobre a regulamentação da área de estética e a atuação multiprofissional ganhou destaque em Brasília, com a participação de representantes de diversas categorias da saúde. O cerne da discussão gira em torno de um projeto de lei que visa redefinir o escopo de atuação dentro de procedimentos estéticos, provocando reações de entidades médicas que defendem a restrição a médicos, e de outras profissões da área da saúde, como a Biomedicina, que argumentam pela natureza multidisciplinar do setor.
A proposta legislativa em questão busca modificar a Lei do Ato Médico, legislação que estabelece as prerrogativas exclusivas dos médicos. Entidades médicas argumentam que a reserva de mercado para procedimentos estéticos é fundamental para garantir a segurança dos pacientes e a qualidade dos serviços prestados à população.
Contudo, essa visão encontra forte resistência por parte de outros conselhos profissionais. A Biomedicina, por exemplo, tem defendido veementemente a sua competência e formação para atuar na estética, sustentando que a área, por sua natureza, abrange diversas especialidades e competências.
A Sinergia das Profissões em Estética
A atuação em estética envolve uma gama de procedimentos que vão desde cuidados com a pele e aplicação de substâncias até técnicas mais complexas. A defesa pela multiprofissionalidade se alicerça na premissa de que a formação específica em cada área garante a devida qualificação técnica e a segurança necessária para a execução dos serviços.
Biomédicos, farmacêuticos, enfermeiros e outros profissionais da saúde têm investido em especializações e pós-graduações que os habilitam a atuar com excelência neste segmento. A argumentação principal é que restringir a atuação a uma única categoria profissional poderia não apenas gerar reservas de mercado, mas também limitar o acesso da população a serviços qualificados e acessíveis.
A Lei de 2011, que reconhece a Biomedicina Estética como uma especialidade, é frequentemente citada como um marco legal que ampara essa atuação. Milhares de biomédicos estão devidamente registrados e capacitados, com formação acadêmica sólida e a chancela de seus conselhos de classe.
A participação em audiências públicas e debates no Congresso Nacional tem sido crucial para expor os argumentos dessas categorias. O objetivo é construir um diálogo que resulte em uma legislação que contemple a qualificação técnica e a segurança, sem cercear a atuação de profissionais habilitados e o direito dos cidadãos ao acesso a diversos serviços de saúde.
O Impacto na Saúde Pública e no Mercado
A discussão em torno do projeto de lei transcende a simples delimitação de competências profissionais; ela impacta diretamente a saúde pública e o acesso a tratamentos estéticos. Uma regulamentação que valorize a multiprofissionalidade pode significar maior democratização do acesso a esses serviços, com custos potencialmente mais acessíveis.
Ao permitir que profissionais com formações diversas, mas igualmente qualificadas, atuem no setor, abre-se um leque de opções para a população. A formação continuada e a fiscalização rigorosa pelos conselhos de classe são pilares fundamentais para garantir a ética e a segurança em todos os procedimentos realizados.
É fundamental que a legislação reflita a realidade atual do mercado de saúde e reconheça a evolução das diversas profissões. A busca por uma regulamentação equilibrada, que contemple a segurança do paciente e a expertise de múltiplos profissionais, é o caminho para um avanço positivo no campo da estética e da saúde em geral.





