Um gesto de profunda fé e acolhimento marcou a Páscoa para uma família em Umuarama, no Paraná. Em um momento de fragilidade clínica, a pequena Maitê, com apenas seis meses de vida e internada há 90 dias na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), recebeu o sacramento do batismo. A cerimônia, que ocorreu em 21 de março, foi uma iniciativa para reforçar a esperança na cura da criança, diagnosticada com malformação de Chiari tipo II, uma condição genética complexa que demanda acompanhamento médico intensivo e intervenções específicas.
A malformação de Chiari tipo II, caracterizada pelo deslocamento de parte do cerebelo para o canal medular, impõe desafios significativos à saúde infantil. O quadro de Maitê exigiu internação prolongada, com monitoramento constante e rotinas clínicas rigorosas, submetendo a família a um cenário de apreensão e dedicação ininterrupta.
Diante da piora no quadro clínico da filha no último mês de março, os pais de Maitê expressaram o desejo de realizar o batismo, um ritual de grande significado religioso e emocional para a família. A solicitação foi recebida com sensibilidade pela equipe médica e assistencial da unidade.
A mãe de Maitê relatou a importância do ato religioso, especialmente para um casal católico, associando o batismo a uma bênção para a cura. A crença na recuperação da filha foi um motor para buscar este momento de renovação espiritual em meio à adversidade.
A Humanização no Cuidado Crítico
A iniciativa de realizar o batismo no ambiente da UTIP foi prontamente acolhida por Solange Gezielle dos Santos Coning, assistente social da unidade. A profissional articulou a mobilização da equipe para viabilizar a cerimônia, assegurando que todas as precauções necessárias para a condição de saúde da criança fossem rigorosamente observadas.
O batismo foi conduzido pelo Diácono Rosalvo Jorge, reunindo os pais, padrinhos e uma representação da equipe multiprofissional. O evento simbolizou a união de esforços em prol do bem-estar de Maitê, transcendendo a esfera puramente clínica para abranger aspectos emocionais e espirituais.
Segundo Solange Coning, episódios como este reforçam a essência do cuidado em saúde. A escuta atenta, o acolhimento e o respeito à individualidade do paciente e de sua família são pilares fundamentais, especialmente em contextos de cuidados intensivos. A capacidade de transformar momentos de extrema dificuldade em experiências de significado, dignidade e amor é um diferencial para a UTIP.
Para a mãe, a experiência foi descrita como um momento mágico e inesquecível, destacando a colaboração e o empenho de toda a equipe. A atmosfera de solidariedade e apoio mútuo fortaleceu o vínculo entre a família e os profissionais de saúde.
O Papel da Empatia na Recuperação
A história de Maitê evidencia a importância do atendimento humanizado em unidades de tratamento intensivo. Ir além das intervenções médicas para contemplar as necessidades emocionais e espirituais dos pacientes e seus familiares pode ter um impacto profundo na percepção da gravidade da situação e na resiliência de todos os envolvidos.
A capacidade da equipe em adaptar seus protocolos para acomodar um pedido de tamanha relevância pessoal demonstra um compromisso com o cuidado integral. Essa abordagem, que reconhece o paciente como um ser completo, com suas crenças e laços afetivos, é crucial para promover um ambiente de cura e esperança, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras.






