A gestão urbana de Pinhais, no Paraná, tem implementado uma política contínua de vistorias de árvores em logradouros públicos com o duplo objetivo de prevenir acidentes e assegurar a preservação da arborização. Iniciativas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) buscam equilibrar as necessidades da população com a saúde do ecossistema local.
A colaboração da comunidade é peça-chave neste processo. Munícipes podem formalizar solicitações através de protocolos na Semma. Essas demandas, aliadas à observação de campo realizada por técnicos especializados, definem a necessidade de serviços como poda, corte ou destoca.
A bióloga da Semma, Natacha Sohn Hausner, detalha o fluxo de trabalho: uma equipe segue um roteiro preestabelecido, priorizando os protocolos abertos. Durante as visitas técnicas, é feita uma avaliação minuciosa da saúde das árvores e do seu entorno, considerando elementos como calçadas, muros, fiação elétrica e a condição da via.
Os dados coletados em campo, incluindo fotografias, são registrados em tempo real no aplicativo municipal “App da Poda”. Este sistema digitalizado auxilia na determinação da ordem de serviço, indicando se será realizada a poda de galhos, o corte total da árvore ou a destoca, que consiste na remoção do tronco remanescente.
O “App da Poda” também permite a edição de imagens, fornecendo orientações específicas aos operadores. Estes seguem o planejamento traçado pelos especialistas, visando executar os trabalhos sem comprometer o Plano de Arborização de Pinhais.
Após a conclusão dos serviços, novas fotografias são anexadas ao processo, documentando as intervenções realizadas e garantindo a transparência e o acompanhamento das ações.
Desmistificando pedidos e responsabilidades
Em cada endereço onde um protocolo foi aberto, os técnicos deixam um comunicado com as conclusões da avaliação e um folder explicativo. Este material informa sobre as podas que não são de responsabilidade do poder público, como podas drásticas, de raízes, ornamentais com formatos específicos, ou intervenções em arbustos, cactos, trepadeiras e flores.
Hausner esclarece que solicitações de corte sem justificativa técnica não podem ser atendidas. Muitas vezes, os pedidos são motivados pela queda natural de folhas, um processo fisiológico das árvores, comparado à perda de cabelos em humanos. A manutenção de calhas e a limpeza de ralos, por exemplo, são responsabilidades dos moradores, conforme a legislação municipal que combate o mosquito da dengue.
Outros pedidos que não se enquadram nos serviços públicos incluem reclamações sobre sombra excessiva, presença de insetos ou o ruído de pássaros. Em casos onde as raízes de árvores afetam calçadas, a responsabilidade pela construção inadequada do calçamento, muitas vezes sem o devido canteiro, pode ser do munícipe.
“Quando o corte é indispensável, realizamos a destoca, que rebaixa o tronco ao nível da calçada para evitar acidentes. A remoção completa da raiz não é viável, pois ela se estende sob o solo acompanhando a copa. Se o toco está em um canteiro e não oferece risco, a indicação é aguardar a decomposição natural”, explica a bióloga.
A Prefeitura de Pinhais direciona sua atuação exclusivamente para áreas públicas. Intervenções em propriedades particulares são de responsabilidade do munícipe, sempre em conformidade com a legislação vigente. Espécies protegidas, como araucárias, não permitem intervenções sem autorização e laudo técnico.
Juliana Zanetti Ribeiro, diretora do Departamento de Planejamento, Conservação e Educação Ambiental da Semma, observa que a demanda por serviços de poda tende a aumentar após eventos climáticos como tempestades. Ela tranquiliza a população, afirmando que o balanço das árvores com o vento é um comportamento natural de seres vivos.
Ribeiro destaca a relevância da expansão da cobertura vegetal para o desenvolvimento sustentável do município. Em 2025, foram plantadas 2.363 novas árvores, contra 312 cortes tecnicamente justificados. A arborização urbana contribui para a drenagem de águas pluviais, mitigando enchentes, reduzindo o ruído e o calor, filtrando o ar e enriquecendo a paisagem urbana.
Emergências e Ações Preventivas
Em situações de risco iminente, como a ameaça de queda de árvores ou quando há perigo à vida, os órgãos competentes para serem acionados são a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. Estes órgãos estão preparados para atuar em emergências que demandam resposta imediata.
Para demais situações que exijam avaliação ou intervenção em áreas públicas, a abertura de protocolo na Secretaria Municipal de Meio Ambiente é o caminho. O serviço pode ser solicitado pelo telefone (41) 3912-5100 ou através do site oficial do município.
A legislação que norteia os procedimentos de poda e corte é a Lei Municipal nº 476/2001, que estabelece as diretrizes para a gestão da arborização urbana em Pinhais.






