Araucária enxertada produz acima da média em estudo da UFPR

🕓 Última atualização em: 10/04/2026 às 17:04

A busca por acelerar a produção de pinhões e otimizar o cultivo da araucária, espécie símbolo do Sul do Brasil, tem impulsionado pesquisas inovadoras. Um estudo em andamento na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em colaboração com a Embrapa, demonstra resultados promissores na utilização da enxertia como técnica para encurtar o tempo até a frutificação e aumentar a produtividade. A pesquisa se baseia em um exemplar excepcional de araucária, encontrado em Caçador, Santa Catarina, capaz de produzir mais de 600 pinhas por safra.

Essa árvore matriz, identificada em 1985, tornou-se o foco de um trabalho que visa replicar seu desempenho superior. Tradicionalmente, a araucária nativa pode levar entre 12 a 15 anos para iniciar sua produção de pinhões. A técnica de clonagem por enxertia busca reduzir drasticamente esse período, além de garantir maior regularidade nas safras.

No viveiro do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade da UFPR, sob a condução do engenheiro florestal Valdeci Constantino e estudantes, as etapas de seleção, resgate genético, enxertia e manejo são meticulosamente executadas. O objetivo é obter mudas que herdem as características de alta produtividade e, adicionalmente, apresentem um porte mais reduzido, facilitando o manejo e a colheita.

Avanços na Produção e Conservação

As mudas resultantes desse processo de enxertia estão sendo utilizadas para formar um jardim clonal e um pomar clonal, onde as araucárias são consorciadas com outras espécies frutíferas. Essa estratégia visa oferecer aos agricultores uma fonte de renda diversificada, com a produção de frutas enquanto as araucárias atingem a maturidade produtiva, estimada em cerca de oito anos. Esses projetos, implantados na Fazenda Canguiri da UFPR, fazem parte de um programa de extensão universitária.

O programa busca envolver estudantes, a comunidade externa e técnicos, promovendo o conhecimento e o incentivo ao plantio e à conservação da araucária por meio de seu uso econômico sustentável. A alta produtividade das plantas enxertadas a partir da matriz de Caçador já está sendo comprovada.

Plantas enxertadas em 2015 começaram a apresentar botões de pinha com apenas 4,5 anos após a intervenção. Atualmente, com 11 anos, essas araucárias exibem um número de pinhas significativamente superior às árvores nativas de mesma idade. Os pesquisadores observam ramos com até 15 pinhas, característica herdada diretamente da árvore matriz, inclusive nas grimpas (ramos mais finos) e sapés (ramos inferiores).

A origem desta pesquisa remonta à identificação da árvore de alta produtividade na propriedade de Vanio Czerniak, em Caçador. Esse material genético selecionado permitiu o desenvolvimento das mudas enxertadas e o acompanhamento de seu desempenho ao longo dos anos. Os resultados parciais sugerem uma mudança significativa na lógica do cultivo da araucária.

A produção tradicional por meio de pinhões apresenta desafios, como a longa espera pela frutificação e a alta proporção de plantas masculinas (cerca de 50%), que não geram frutos. A clonagem por enxertia permite a seleção de matrizes femininas e de alta produtividade, além da possibilidade de escolher variedades com diferentes épocas de maturação.

Isso otimiza a operação de colheita, evitando a mistura de pinhões verdes e maduros, e garante um produto final de melhor qualidade. O plantio planejado de araucárias enxertadas para produção de pinhões representa uma alternativa valiosa ao extrativismo predatório.

Perspectivas para o Futuro

A técnica de enxertia não só acelera a produção, mas também permite o escalonamento do fornecimento de pinhões ao mercado. O engenheiro florestal Valdeci Constantino ressalta que essa abordagem contribui diretamente para a preservação da espécie.

Ao focar em plantas em pé, com produção eficiente e manejo facilitado, o cultivo se torna mais sustentável. A possibilidade de escolher e replicar indivíduos com características agronômicas superiores é um passo crucial para garantir a continuidade da araucária e seu valor econômico para as comunidades locais.

O futuro do cultivo da araucária parece cada vez mais promissor com o avanço dessas pesquisas. A aplicação prática dos resultados poderá não apenas impulsionar a economia regional, mas também desempenhar um papel fundamental na conservação de uma espécie tão importante para a biodiversidade brasileira. A valorização de árvores com potencial genético excepcional, aliada a técnicas modernas de propagação, abre um novo capítulo para o manejo sustentável e produtivo da floresta de araucárias.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *