O Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, tem se tornado um palco singular para a manifestação artística, integrando a paisagem natural a intervenções humanas. Uma iniciativa inovadora visa estabelecer um diálogo entre as esculturas geológicas moldadas pelo tempo e obras de artistas contemporâneos.
Este projeto, batizado de “MON sem Paredes – Arte ao Ar Livre”, expande a atuação do Museu Oscar Niemeyer (MON) para além de suas instalações tradicionais em Curitiba. A proposta é levar a arte para perto do público em ambientes abertos, democratizando o acesso e promovendo uma nova experiência cultural.
A ideia central é convidar os visitantes a contemplar e comparar a beleza intrínseca da natureza com a produção artística humana. As formações rochosas de Vila Velha, esculpidas ao longo de milhões de anos, servem como contraponto às criações de artistas renomados.
Governo e instituições culturais veem na iniciativa uma forma de disseminar a arte e a cultura por todo o estado. Ao descentralizar a oferta cultural, busca-se alcançar novos públicos e oferecer momentos de reflexão e reconexão com o ambiente.
A Arte como Ponte entre o Natural e o Criado
A curadoria da exposição em Vila Velha é assinada por Marc Pottier, com conceito de Fernando Canalli. Seis artistas foram selecionados para propor intervenções que estabelecem uma relação intrínseca com o sítio ecológico.
O objetivo foi complementar a narrativa já existente no parque, utilizando a arte para dialogar com a história e a geologia do local. As obras foram pensadas para coexistir harmoniosamente com as paisagens e formações de arenito.
Um exemplo é a obra “Reconstrução”, de Tom Lisboa, que utiliza aço inoxidável em uma estrutura pensada para capturar elementos da natureza. Com o tempo, a própria chuva e o vento incorporarão resíduos à peça, transformando-a em um organismo em constante mudança.
Outros artistas como Denise Milan, Alexandre Vloger, Kulykirida Mehinaku, Gustavo Utrabo e Sônia Dias Souza contribuem com peças em diferentes materiais, explorando a relação entre a arte e o ambiente natural. O uso de bronze, basalto, madeira, resinas e aço corten reflete a diversidade de abordagens.
Esta é a primeira fase de expansão do projeto no Parque Estadual de Vila Velha, com planos de receber novas instalações e obras de outros artistas futuramente. A iniciativa reflete a missão do MON de alcançar públicos diversos e superar barreiras.
Vila Velha: Um Tesouro Natural com Novos Contornos Artísticos
O Parque Estadual de Vila Velha é reconhecido como uma importante unidade de conservação ambiental. Abrangendo quase mil hectares, preserva fragmentos de Mata de Araucária e Campos Nativos, sendo habitat para espécies ameaçadas como o lobo-guará e a jaguatirica.
Sua rica história geológica, marcada pelas formações de arenito milenares, confere ao parque um caráter de museu a céu aberto. A inclusão de obras de arte contemporâneas enriquece ainda mais essa percepção, adicionando camadas de interpretação ao espaço.
O “MON sem Paredes” busca justamente quebrar a formalidade dos espaços museológicos tradicionais. Ao levar a arte para ambientes naturais e acessíveis, pretende-se criar uma experiência mais inclusiva e convidativa, especialmente para aqueles que se sentem intimidados por museus convencionais.
Esta colaboração entre o Governo do Paraná, o Instituto Água e Terra (IAT), a Soul Parques e o Museu Oscar Niemeyer reforça o compromisso com a democratização do acesso à cultura e a valorização do patrimônio natural e artístico do estado.






