A expansão do ensino superior público tem se mostrado um catalisador fundamental para o desenvolvimento socioeconômico de regiões remotas. Um exemplo emblemático dessa dinâmica pode ser observado no interior do Paraná, onde a implantação de um câmpus universitário estadual, há mais de três décadas, redefiniu o panorama de um município antes marginalizado.
A cidade de Diamante do Norte, localizada em uma tríplice divisa estratégica entre Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, experimentou uma transformação notável após a criação de sua unidade regional da Universidade Estadual de Maringá (UEM) em 1990. O impacto mais palpável dessa iniciativa é mensurado pelo salto significativo em seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Dados históricos revelam que, na época da fundação do câmpus, o IDH de Diamante do Norte era de apenas 0,456. Vinte anos depois, em 2010, o indicador alcançou 0,723, classificando o município entre aqueles com alto desenvolvimento humano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa elevação reflete não apenas o acesso à educação de nível superior, mas também o fomento a atividades econômicas e tecnológicas que antes não existiam ou eram incipientes na localidade. A infraestrutura acadêmica e de pesquisa proporcionou um ambiente propício para a inovação e a geração de conhecimento aplicado.
Ações de Pesquisa e Desenvolvimento em Agropecuária Sustentável
O câmpus regional da UEM em Diamante do Norte concentra suas atividades de pesquisa em áreas vitais para o desenvolvimento rural, com um foco pronunciado em agropecuária sustentável. A unidade dispõe de 14 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em 82,4 hectares dedicados a projetos práticos.
Esses projetos abrangem um leque diversificado de atividades, incluindo suinocultura, bovinocultura de leite, piscicultura, apicultura, horticultura e mandiocultura. A fazenda experimental, peça-chave dessa estrutura, serve de campo de provas e aprendizado para os cursos de Agronomia e Zootecnia.
Na produção vegetal, a fazenda experimental cultiva culturas essenciais como milho e sorgo para silagem, mandioca e eucalipto. Uma horta diversificada não só contribui para a pesquisa, mas também abastece o Restaurante Universitário (RU), promovendo a integração entre a produção local e a comunidade acadêmica.
No setor pecuário, a produção de leite na fazenda experimental gera entre 200 e 250 litros diariamente. Parte dessa produção é destinada a uma empresa de laticínios da região, enquanto outra porção é processada internamente para a fabricação de queijos. A suinocultura se destaca com a criação da raça Moura, reconhecida pela qualidade de sua carne, utilizada na produção de embutidos artesanais como linguiça, salame e defumados.
A importância da fazenda experimental se estende ao ensino profissionalizante. Desde 2022, ela abriga a sede do Centro Estadual de Educação Profissional (Ceep) do Noroeste, conhecido como Colégio Agrícola. Fruto de um convênio entre a Secretaria da Educação e a UEM, e com um investimento significativo de R$ 11 milhões, o colégio oferece formação técnica em agropecuária em regime de internato.
O reitor da UEM, Leandro Vanalli, ressalta a qualidade das pesquisas e a inovação gerada pelo câmpus, que direcionam uma agropecuária mais sustentável e impactam positivamente a economia do estado, além de oferecerem uma formação de excelência aos estudantes.
A apicultura na unidade explora a criação de abelhas do gênero Apis mellifera, beneficiada pela mata nativa preservada. Um meliponário também está em fase de implantação para o manejo e conservação de abelhas sem ferrão. As pesquisas visam identificar e quantificar as espécies vegetais visitadas pelas abelhas, compreendendo sua dieta e a diversidade da flora local.
Outro projeto relevante é a unidade de psicultura em tanques-rede, localizada no Rio do Corvo. Implantada em 2023, esta estrutura produz tilápias que abastecem o RU e o Hospital Universitário Regional de Maringá. A unidade também é o lar do Programa de Melhoramento Genético de Tilápias do Nilo (Tilamax), vinculado ao Núcleo de Pesquisa Peixegen, focado em aprimorar a qualidade genética desses peixes.
O Impacto do Ensino Superior na Redução das Desigualdades Regionais
A trajetória do câmpus regional da UEM em Diamante do Norte ilustra um modelo de desenvolvimento que vai além da simples oferta de vagas universitárias. Trata-se de uma estratégia de interiorização do ensino superior que atua diretamente na redução das desigualdades regionais, promovendo o desenvolvimento humano e econômico em áreas historicamente desfavorecidas.
A concentração de atividades de pesquisa e extensão em setores produtivos relevantes para a região, como a agropecuária, garante que o conhecimento gerado pela academia tenha aplicação prática imediata, impulsionando a modernização e a sustentabilidade dessas atividades. Isso, por sua vez, gera empregos qualificados e aumenta a renda local, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.
A parceria entre a universidade, o poder público e o setor privado tem sido crucial para a consolidação dessas iniciativas. Convênios para a instalação de escolas técnicas e projetos de pesquisa aplicados demonstram a capacidade de articulação do câmpus para atender às demandas sociais e econômicas de sua área de influência, solidificando seu papel como agente transformador.






