Torta holandesa de Carambeí é IG 23 do Paraná

🕓 Última atualização em: 21/01/2026 às 17:19

O Paraná consolida sua posição como polo nacional de produtos com Indicação Geográfica, alcançando um marco expressivo de 23 itens com o reconhecimento oficial, modalidade Indicação de Procedência. A recente adição a esta lista prestigiosa são as tradicionais tortas de Carambeí, na região dos Campos Gerais. Este selo, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), atesta a origem, autenticidade e inquestionável qualidade de produtos que carregam consigo histórias e saberes ancestrais.

A saga das tortas de Carambeí remonta a mais de um século, trazida pelas mãos dos imigrantes holandeses e fincada no solo paranaense desde 1911. Mais do que uma iguaria, elas se tornaram um pilar da economia local e um símbolo da identidade cultural da cidade. As receitas, passadas de geração em geração, embora recebam toques de modernidade, preservam a essência artesanal e a excelência dos ingredientes regionais empregados em sua fabricação.

O reconhecimento por meio da Indicação Geográfica não é um mero formalismo; ele gera um impacto tangível na economia das regiões produtoras. Ao agregar valor intrínseco ao produto, o selo fortalece a identidade regional e a competitividade no mercado. A qualidade única de itens como as tortas de Carambeí é fruto da sinergia entre recursos naturais específicos – o clima, o solo e a vegetação local – e os métodos de produção tradicionais, aperfeiçoados ao longo do tempo.

“As tortas de Carambeí agora integram um seleto grupo de produtos brasileiros. O reconhecimento abre portas para novos mercados, fortalece a competitividade dos pequenos negócios e impulsiona o desenvolvimento local e regional. Além disso, contribui para o fortalecimento do turismo gastronômico, valorizando a cultura, a identidade e a história de Carambeí”, pontua Nádia Joboji, consultora do Sebrae/PR, ressaltando o alcance positivo para os produtores.

A Força da Organização e Tradição

A obtenção do selo do INPI para a herança culinária holandesa no Paraná é o resultado de um esforço colaborativo exemplar. Os produtores da região se uniram em prol de um objetivo comum, formalizando a Associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC). Esta associação, que conta com a participação de entidades como o Museu Parque Histórico de Carambeí, Frederica’s Koffiehuis, Tortas Wolf e Lavandário Het Dorp, trabalhou em conjunto com o Sebrae/PR para documentar o legado histórico, cultural e sensorial das tortas.

Paulo Ricardo Los, presidente da APTC e proprietário de um café local, expressou seu orgulho pelo feito. “É motivo de muito orgulho. É algo que temos acompanhado desde o início. Agora, podemos mostrar para o Brasil toda essa afetividade, essas receitas familiares e tudo que foi construído ao longo desses anos ao redor da cooperativa”, declarou, enfatizando que a IG é um reconhecimento do trabalho árduo para projetar as tortas de Carambeí nacionalmente.

Carambeí já ostenta o título de Capital Estadual das Tortas, oficializado pela Lei Estadual nº 22.534/2025. A cidade também é palco do tradicional Festival de Tortas desde 2010, evento que, inicialmente uma celebração comunitária, evoluiu para se tornar uma vitrine de grande porte, atraindo milhares de visitantes anualmente.

A prefeita Elisangela Pedroso destaca a relevância do turismo gastronômico para o município, que anualmente recebe mais de 200 mil turistas. “Recebemos muitos turistas que vêm para experimentar as nossas receitas. A IG consolida oficialmente esta fama que a cidade já tem”, afirmou, adicionando que a administração investe em capacitação de novas produtoras e em cursos para fomentar o empreendedorismo local, integrando mais pessoas à história da cidade.

Christian Dykstra, diretor-administrativo da APTC e gestor da Frederica’s Koffiehuis, reitera a importância da Indicação Geográfica como um pilar para o desenvolvimento de Carambeí. “É um convite para as pessoas desfrutarem o que é genuinamente nosso. Ajudam a preservar a identidade local, a cultura gastronômica e a história do município, por meio da tradição na produção de tortas”, disse, projetando um futuro de maior atração turística e impulso econômico.

Um Panorama das Indicações Geográficas Paranaenses

Com a inclusão das tortas de Carambeí, o Paraná totaliza 23 produtos detentores do selo de Indicação Geográfica. O ano de 2025 tem sido particularmente frutífero, com oito novos reconhecimentos para setores paranaenses, estabelecendo um recorde para o estado em um único ano. Entre os novos contemplados estão as ostras do Cabaraquara, a ponkan de Cerro Azul, as broas de centeio de Curitiba, a cracóvia de Prudentópolis, a carne de onça de Curitiba, o café de Mandaguari, o urucum de Paranacity e o queijo colonial do Sudoeste do Paraná.

A lista de produtos com Indicação Geográfica no Paraná é vasta e diversificada, incluindo o mel de Ortigueira, os queijos coloniais de Witmarsum, a cachaça e aguardente de Morretes, o melado de Capanema, os cafés especiais e o morango do Norte Pioneiro, os vinhos de Bituruna, a goiaba de Carlópolis, o mel do Oeste do Paraná, o barreado do Litoral do Paraná, a bala de banana de Antonina, a erva-mate de São Matheus, a camomila de Mandirituba e as uvas finas de Marialva.

Adicionalmente, o estado contribui para o reconhecimento do mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, um título concedido a Santa Catarina, mas que abrange municípios paranaenses e gaúchos. A expectativa é que mais nove produtos paranaenses sejam analisados e possivelmente contemplados com a Indicação Geográfica, demonstrando a contínua valorização dos saberes e produtos regionais.

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