A busca por uma educação que contemple a diversidade de talentos e potenciais individuais tem impulsionado políticas públicas voltadas ao reconhecimento e desenvolvimento de alunos com altas habilidades/superdotação. No Paraná, a rede estadual de ensino tem investido na expansão e qualificação de suas Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs), espaços projetados para oferecer um atendimento educacional especializado e complementar. O objetivo é criar um ambiente que desafie e engaje esses estudantes, promovendo seu desenvolvimento acadêmico e socioemocional de forma integral.
Atualmente, o estado conta com 315 SRMs distribuídas em 167 escolas, atendendo aproximadamente 12 mil estudantes identificados com altas habilidades. A expectativa é que, a partir de 2026, mais sete unidades escolares recebam novas salas e outras quatro unidades ampliem a capacidade de atendimento existente, fortalecendo a estrutura para esse público específico.
A identificação dessas habilidades se baseia em um protocolo multifacetado que considera não apenas o desempenho intelectual e acadêmico, mas também aptidões como liderança, habilidades psicomotoras e talentos artísticos, que podem se manifestar de forma isolada ou conjunta.
A ampliação dessas estruturas visa assegurar que o potencial singular desses alunos seja plenamente desenvolvido, com o suporte de acompanhamento especializado e propostas pedagógicas alinhadas aos seus interesses. O enriquecimento curricular proposto nas SRMs permite que os estudantes explorem suas capacidades por meio de projetos de pesquisa, estudos aprofundados e desenvolvimento de propostas inovadoras.
Engajamento e Inovação em Ambientes Adaptados
Um exemplo prático da eficácia dessas iniciativas pode ser observado em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O Colégio Estadual Vereador Raulino Costacurta, reconhecido por seu trabalho com altas habilidades, reúne cerca de 120 alunos nas SRMs. A professora Raquel de Carvalho destaca a importância da identificação precoce para que os estudantes sintam-se estimulados e participativos, evitando que se retraiam em salas de aula regulares por receio de serem diferentes.
O papel da família é crucial nesse processo. A professora Elma Marcelo de Almeida enfatiza que, embora a escola promova ações de orientação, o engajamento dos pais na busca por informações e no acompanhamento do protocolo de identificação potencializa os resultados, criando uma parceria fundamental para o sucesso educacional.
Um projeto notável desenvolvido neste colégio é o “Mãos que Protegem”. Idealizado pelos estudantes Fábio Lima de Mello e Luiz Eduardo Candido do Carmo, ambos com 15 e 14 anos respectivamente, a iniciativa surgiu durante uma maratona de empreendedorismo. Sensibilizados com os riscos enfrentados por coletores de lixo urbano, como cortes e ataques de animais, eles criaram uma ferramenta manual em formato de mão mecânica.
Este dispositivo, de baixo custo e alta resistência, funciona como uma extensão do braço, permitindo a manipulação e o distanciamento seguro de resíduos perigosos. A inspiração para a ferramenta veio de pesquisas realizadas pelos próprios alunos, demonstrando um potencial de aplicação prática que poderia ser adotado por órgãos públicos e empresas do setor de limpeza urbana, evidenciando a capacidade de solucionar problemas reais.
### Fortalecendo a Rede de Atendimento e o Desenvolvimento Profissional
Para pais e alunos que suspeitam ou identificam características de altas habilidades/superdotação, o caminho indicado é buscar os Núcleos Regionais de Educação para a aplicação do protocolo de identificação. Esse processo detalhado envolve observação, questionários para alunos, famílias e professores, além de atividades pedagógicas específicas.
O Departamento de Educação Inclusiva (DEIN) da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) e o Núcleo de Atividades para Altas Habilidades/Superdotação Paraná (NAAH/S) vêm trabalhando desde 2022 no Projeto Altas Habilidades/Superdotação Paraná. Esse projeto tem sido fundamental para otimizar a identificação e o acesso ao atendimento educacional especializado. Antes da implementação do projeto, o número de alunos identificados e matriculados anualmente flutuava entre 900 e 1,3 mil. Atualmente, o número já ultrapassa os 12 mil alunos.
O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é oferecido no contraturno para alunos em período regular e de forma integrada no mesmo turno para estudantes em tempo integral. Essa modalidade garante que o aprendizado complementar não interfira na rotina escolar principal, promovendo uma experiência educacional mais rica e completa. A colaboração entre professores especialistas e docentes regulares é essencial para a integração curricular e o sucesso pedagógico.
Além disso, o DEIN-NAAH/S Paraná oferece suporte contínuo aos professores que atuam com esse público. Por meio de plantões tira-dúvidas, cursos de capacitação e orientações pedagógicas, busca-se manter os educadores atualizados sobre as diversas áreas de interesse e habilidades emergentes. Treinamentos em robótica, xadrez, literatura criativa e automação são exemplos de como a formação se adapta para atender às necessidades dinâmicas dos estudantes com altas habilidades.






