Sanepar remove causa de cheiro e gosto na água em PG

🕓 Última atualização em: 07/03/2026 às 14:35

A qualidade da água distribuída à população de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, voltou à normalidade. Medidas de otimização no processo de tratamento na Estação de Tratamento de Água (ETA) da Sanepar alcançaram 100% de eliminação da geosmina, substância responsável por alterações perceptíveis de sabor e odor. As análises realizadas desde o início do mês de março confirmaram a eficácia das intervenções, com um aumento expressivo na capacidade de remoção do composto.

A superintendente da Sanepar na Região Sudeste, Simone Alvarenga de Campos, assegurou que a estabilidade do sistema é a prioridade máxima da companhia. Segundo ela, os monitoramentos técnicos indicam que a crise associada à proliferação de algas foi superada. A população pode ter a certeza de que a água que chega às residências mantém os padrões de qualidade estabelecidos.

O episódio de alteração sensorial na água foi desencadeado por uma hiperfloração de cianobactérias na Represa de Alagados. Fatores como intensa insolação e períodos de estiagem na bacia hidrográfica contribuíram para a intensificação do fenômeno, que culminou na elevação da concentração de geosmina. Essa substância, mesmo em níveis baixos, é detectável pelo olfato e paladar humano.

Estratégias para Restabelecimento da Qualidade

Para mitigar os efeitos da geosmina, a Sanepar implementou uma série de soluções operacionais. A aplicação de carvão ativado nas captações foi uma das principais medidas, com ajustes estratégicos no ponto de inserção e um controle rigoroso na dosagem de dióxido de cloro. Paralelamente, em momentos de maior crítica, a companhia reduziu a captação de água da Represa de Alagados de 28% para 12% do volume total.

A bioquímica Cynthia Malaghini, gerente de Avaliação de Conformidades da Sanepar, destacou a natureza inédita do desafio enfrentado pelo estado. O volume de cianobactérias em Ponta Grossa atingiu níveis alarmantes, chegando a quase 300 mil células, um patamar duas vezes superior ao registrado em crises anteriores em outras regiões do país. A sensibilidade humana à geosmina é notável; concentrações de apenas 1 nanograma por litro podem ser percebidas.

A capacidade de detecção humana é comparada à de identificar um grão de açúcar em uma piscina olímpica. Essa extrema sensibilidade explica por que, mesmo com a água atendendo aos parâmetros de potabilidade, alguns consumidores reportavam alterações no sabor e odor. A eliminação completa da substância no tratamento garante a normalização sensorial.

Segurança Hídrica e Prevenção de Futuros Eventos

A Sanepar não se limita a remediar crises. A companhia está investindo em medidas de longo prazo para garantir a segurança hídrica e prevenir futuras oscilações. Uma consultoria especializada foi contratada para aperfeiçoar os processos existentes, com foco em diagnóstico e melhorias contínuas. A perfuração de seis novos poços em diferentes áreas de Ponta Grossa visa diversificar as fontes de abastecimento, diminuindo a dependência exclusiva da Represa de Alagados.

Uma iniciativa promissora envolve a viabilização de uma tecnologia canadense inovadora, em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT). Essa tecnologia utiliza ondas eletromagnéticas de baixa potência com o objetivo de controlar a proliferação de algas diretamente na represa. A ação conjunta entre diversas instituições, incluindo IDR, Simepar, IAT e Adapar, é fundamental para a implementação do Plano de Segurança da Água. Este plano foca na gestão de riscos e na conservação da bacia hidrográfica, envolvendo ativamente a sociedade civil e os usuários da região de Ponta Grossa, Carambeí e Castro.

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