Sanepar moderniza esgoto de Cambará com R 13 milhões

🕓 Última atualização em: 16/03/2026 às 22:45

Investimentos em saneamento básico no interior do Paraná estão impulsionando a adoção de tecnologias inovadoras para o tratamento de esgoto. Em Cambará, no Norte do estado, uma obra de R$ 13 milhões na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alambari está introduzindo um sistema de pós-tratamento que utiliza o conceito de wetlands, ou zonas úmidas artificiais.

Esta abordagem naturalista para a gestão de efluentes e lodo representa um avanço significativo na busca por soluções mais sustentáveis e eficientes no setor. A Sanepar, companhia responsável pela iniciativa, destaca os benefícios ambientais e de saúde pública decorrentes dessa modernização.

A tecnologia empregada em Cambará mescla o sistema tradicional de tratamento biológico, com reatores anaeróbios de fluxo ascendente (UASB) e lodos ativados em batelada (SBR), com um estágio adicional focado na remoção de matéria orgânica e nutrientes como fósforo e nitrogênio.

Um dos pilares da inovação em Cambará é a forma como o lodo residual é tratado. Em vez dos métodos convencionais que demandam o uso de produtos químicos e equipamentos de secagem complexos, como centrífugas e leitos de secagem, a ETE Alambari implementa o modelo wetland.

Inovação Natural no Tratamento de Esgoto

O sistema de wetlands em Cambará consiste em canteiros com aproximadamente 1.600 metros quadrados, que recebem camadas filtrantes de areia grossa e brita. Centenas de plantas aquáticas são estrategicamente cultivadas sobre essas camadas.

As raízes dessas plantas desempenham um papel crucial, atuando como um filtro natural para a água tratada e, principalmente, para o lodo gerado no processo. Essa biomassa vegetal auxilia na retenção e degradação de poluentes, além de minimizar a emissão de odores característicos do lodo.

Rafael Leite, gerente Geral da Sanepar na região, explica que a tecnologia permite a concentração e a degradação natural do lodo pelas plantas, reduzindo a necessidade de insumos químicos e equipamentos de manejo mais onerosos. Ele ressalta que esta é uma abordagem mais sustentável e alinhada com os processos ambientais.

A implantação dessa tecnologia em Cambará reforça o compromisso da Sanepar com a inovação e a sustentabilidade. O diretor-presidente da companhia, Wilson Bley, enfatiza que a empresa busca constantemente aprimorar seus sistemas, mesmo em municípios onde a universalização do saneamento já foi alcançada, como é o caso de Cambará.

Além dos benefícios diretos para a qualidade da água e a saúde pública, a tecnologia wetland apresenta um diferencial ambiental importante: a capacidade de capturar carbono, em vez de emiti-lo, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

Expansão e Impacto da Tecnologia Wetland no Paraná

O modelo wetland para tratamento de lodo já está em processo de expansão pela Sanepar em diversas regiões do Paraná. Este sistema inovador foi inicialmente testado em um projeto piloto em Santa Helena, no Oeste do estado, em 2020.

Atualmente, unidades que utilizam essa tecnologia para o tratamento de lodo já operam em Assis Chateaubriand e Vera Cruz do Oeste. No Norte do Paraná, além de Cambará, a tecnologia está presente em Cornélio Procópio (ETE Tangará II) e Joaquim Távora, com planos de expansão para outros municípios como Serranópolis, Saudade do Iguaçu, Turvo, Pinhão, Palotina e Curitiba (ETE CIC/Sisto).

A gestão do lodo nos wetlands ocorre por desidratação e mineralização, um processo biológico onde bactérias aderidas às raízes das plantas transformam o material em um composto orgânico estável. Esse composto, após um período de 5 a 10 anos de acúmulo nos canteiros sem necessidade de intervenção, torna-se inertizado e apto para uso agrícola.

O prefeito de Cambará, Walcir Joaquim, ao conhecer a tecnologia, ressaltou o caráter inovador do sistema, que une o tratamento biológico convencional ao tratamento por plantas, sendo uma das primeiras estruturas do tipo no Norte do Paraná. Ele destacou a importância dos investimentos em saneamento para a melhoria da qualidade de vida, a saúde pública e a preservação ambiental.

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