A resiliência da infraestrutura hídrica em regiões costeiras sob pressão ambiental é um tema de crescente urgência. Em Guaratuba, litoral do Paraná, a Companhia de Saneamento (Sanepar) está implementando uma solução inovadora para mitigar riscos de falha em suas adutoras de água bruta. A intervenção envolve a substituição de 400 metros de tubulação de grande porte, um investimento de R$ 1,7 milhão com foco em segurança e confiabilidade.
O projeto se concentra em um trecho crítico que abastece a cidade a partir das Estações de Tratamento Saí-Guaçu e Morro Grande. A decisão de modernizar a infraestrutura foi motivada por estudos detalhados sobre a dinâmica do solo local. Observou-se um aumento da umidade e uma consequente perda de firmeza ao longo dos anos, elevando o risco de movimentação indesejada das tubulações subterrâneas.
Essa instabilidade do solo pode levar a desgastes prematuros, vazamentos e até mesmo o rompimento completo das adutoras, comprometendo o abastecimento. A ação preventiva visa evitar interrupções no fornecimento, especialmente em períodos de alta demanda sazonal, como o Carnaval, quando Guaratuba atrai um grande número de turistas.
A estratégia adotada é a migração para um sistema de tubulação aérea. Essa mudança representa uma adaptação inteligente às condições geológicas da região, onde a compactação e a estabilidade do solo podem ser comprometidas pela proximidade com áreas úmidas e pela ação do tempo.
Desafios Geotécnicos e Soluções Inovadoras
A escolha pela instalação aérea surge como uma resposta direta aos desafios geotécnicos identificados. O solo em questão, localizado próximo a um importante entroncamento rodoviário, apresentou características de plasticidade e baixa resistência ao cisalhamento, que se acentuaram com a saturação hídrica. Esses fatores criam um ambiente propício para o fenômeno conhecido como “liquefação” ou “assentamento diferencial” em estruturas enterradas.
A tubulação elevada, sustentada por pórticos de concreto e metal com aproximadamente 1,5 metro de altura, minimiza a interação direta com o solo instável. Essa abordagem não apenas confere maior segurança estrutural, mas também facilita a inspeção e a manutenção futura. A rápida instalação, um fator crucial para minimizar o impacto no abastecimento, também foi um ponto a favor da solução aérea.
As etapas da obra foram planejadas meticulosamente. Iniciou-se com um processo de drenagem do solo para estabilizar a área de intervenção. Em seguida, foram cravados perfis metálicos para a fundação dos suportes, seguidos pela construção dos pórticos que sustentarão a nova adutora. A chegada dos novos tubos, feitos de aço de alta resistência e com 12 metros de comprimento cada, marca o início da fase de substituição efetiva.
O gerente da Sanepar no Litoral, Marcos Eduardo Muniz, destacou a eficiência e a segurança do novo sistema, especialmente em áreas com baixa urbanização, onde o impacto visual e a ocupação do espaço público são minimizados.
Otimização do Abastecimento em Tempo Real
A operação de troca da tubulação está sendo executada em duas fases distintas para garantir a continuidade do fornecimento de água à população. Durante a substituição em uma das adutoras, a outra continua em operação, minimizando o impacto na pressão e no volume de água distribuída. Essa estratégia de “bypass” temporário, com o suporte de reservatórios de emergência, assegura que os consumidores não sofram desabastecimento significativo.
A Sanepar reforça que a antecipação destas obras em trechos de maior instabilidade reflete um compromisso proativo com a garantia da segurança hídrica. A implementação de tecnologias e metodologias adaptadas às condições locais demonstra a importância de uma abordagem multidisciplinar, integrando engenharia civil, geotecnia e gestão de recursos hídricos para assegurar a qualidade dos serviços públicos essenciais.






