A reconstrução de moradias em Rio Bonito do Iguaçu, município paranaense severamente atingido por um tornado em novembro de 2025, entra em sua segunda fase de avaliações técnicas. Engenheiros da Defesa Civil Estadual, com apoio de voluntários do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREA-PR), estão percorrendo o município para emitir laudos sobre os danos em centenas de imóveis. A iniciativa visa consolidar a base para a liberação de novos recursos do Auxílio Reconstrução, um programa governamental focado em amparar financeiramente as famílias afetadas.
A tragédia climática deixou um rastro de destruição, afetando uma parcela significativa das aproximadamente 1.300 edificações que sofreram algum tipo de avaria, conforme dados municipais. A maioria dos danos concentrou-se na área urbana da cidade, que possui cerca de 13,9 mil habitantes. O impacto foi tão expressivo que exigiu a mobilização de recursos estaduais para mitigar os prejuízos materiais e sociais.
O Governo do Estado destinou uma verba substancial, estimada em R$ 17,8 milhões, para socorrer os moradores de Rio Bonito do Iguaçu. Parte desse montante, R$ 15,1 milhões, está sendo direcionada para o carregamento de 592 cartões do Auxílio Reconstrução. Esses cartões funcionam como um meio de transferência de recursos, permitindo que os beneficiários adquiram materiais de construção e executem as obras necessárias para reerguer suas residências.
A modalidade do benefício prevê valores que variam entre R$ 20 mil e R$ 50 mil, classificados de acordo com a severidade dos danos observados em cada imóvel. Essa categorização é determinada pelo percentual de estragos, desvinculada do valor de mercado da propriedade. A destinação dos recursos é dividida em três faixas: R$ 20 mil para danos considerados parciais, R$ 35 mil para danos severos e R$ 50 mil para casos de ruína total.
Desafios na Concessão e Gestão dos Recursos
Apesar da iniciativa e da alocação de fundos, o processo de repasse financeiro não tem sido isento de entraves. Identificou-se que 233 proprietários, embora elegíveis para receber o auxílio, enfrentam pendências em seus cadastros ou documentação. Essas inconformidades impedem a liberação imediata dos recursos, gerando ansiedade e atrasos na retomada da vida normal para as famílias.
A complexidade na regularização de propriedades, especialmente em áreas com alta incidência de assentamentos e ocupações, tem se mostrado um obstáculo significativo. Situações como a venda informal de imóveis, falecimentos de proprietários sem a devida oficialização de inventário, ou a falta de registro formal de posse, criam barreiras para a identificação inequívoca dos beneficiários e para a concretização da ajuda. A coordenação-executiva da Defesa Civil, Coronel Ivan Fernandes, enfatiza a necessidade de o cidadão providenciar os ajustes necessários em suas solicitações.
Outra frente de apoio, no valor de R$ 2,7 milhões, foi liberada especificamente para a contratação de mão de obra para a reconstrução, por meio de vouchers de serviço. Essa medida visa não apenas fornecer os recursos materiais, mas também garantir a expertise técnica e a força de trabalho qualificada para a execução das obras, impulsionando a economia local e a geração de empregos temporários.
O programa Auxílio Reconstrução é financiado pelo Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), administrado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC). A operacionalização dos cartões e a gestão dos beneficiários ficam a cargo da Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), com um olhar atento para as famílias em situação de vulnerabilidade, que muitas vezes são as mais duramente atingidas por eventos súbitos como o tornado.
A Importância da Regularização e da Colaboração Interinstitucional
A necessidade de um processo robusto de verificação é evidente. Em um primeiro momento, após a tragédia, a estratégia adotada foi priorizar os moradores cujos nomes constavam nos cadastros imobiliários da prefeitura, como forma de agilizar a liberação dos primeiros 598 cartões. Essa abordagem, segundo Ivan Fernandes, permitiu uma resposta rápida, utilizando os dados de cobrança de IPTU como um indicativo inicial de propriedade.
Contudo, a realidade de Rio Bonito do Iguaçu exige uma abordagem mais abrangente. A colaboração com o município tem sido crucial para mapear e atestar a legitimidade dos casos que apresentavam inconsistências documentais. Essa sinergia entre órgãos estaduais e municipais é fundamental para superar as complexidades burocráticas e garantir que o auxílio chegue a quem realmente necessita, promovendo um recomeço digno para as famílias desabrigadas.






