Produtor rural de Janiópolis realiza sonho com projeto estadual

🕓 Última atualização em: 23/01/2026 às 16:15

Políticas públicas que promovem a inclusão produtiva no campo demonstram um impacto direto e significativo na melhoria da qualidade de vida e na segurança alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade. Iniciativas que aliam suporte financeiro e assistência técnica qualificada são cruciais para a consolidação de pequenos empreendimentos rurais.

A trajetória de Maria de Fátima e Celino Lino da Silva, residente na comunidade rural de São Domingos, no Centro-Oeste paranaense, exemplifica o potencial transformador de tais programas. Após enfrentar dificuldades financeiras decorrentes de problemas de saúde, Maria de Fátima encontrou no segmento de panificação artesanal uma oportunidade para reerguer a renda familiar.

Inicialmente, a produção era realizada em condições precárias. O sonho de profissionalizar a atividade e adquirir equipamentos essenciais, como um forno refratário industrial, um cilindro e uma amassadeira, parecia inatingível pelas próprias limitações financeiras do casal. A produção era direcionada para vendas a particulares, ao comércio local e à feira do produtor.

O Papel Estratégico do Apoio Governamental

O projeto “Renda Agricultor Familiar”, uma política pública do Governo do Estado, surgiu como um catalisador para a realização desse sonho. A iniciativa, voltada a famílias rurais em situação de vulnerabilidade social, combina recursos públicos com acompanhamento técnico para impulsionar atividades geradoras de renda.

Com o repasse de recursos em parcelas, a família adquiriu os equipamentos desejados. O cilindro e a amassadeira foram comprados com a primeira parcela, enquanto o forno refratário, um investimento mais substancial, foi adquirido com a segunda parcela, complementada por recursos próprios. Essa aquisição otimizou significativamente o processo produtivo.

Os resultados foram imediatos: a nova estrutura resultou em maior velocidade e praticidade na produção, além de aprimoramento na higiene e na qualidade dos pães e bolachas produzidos. Maria de Fátima agora planeja expandir o volume de produção e conquistar novos mercados, incluindo o fornecimento para merenda escolar.

O Secretário Estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, ressalta a importância dessas políticas de inclusão produtiva. Ele enfatiza que o apoio financeiro, aliado à orientação técnica contínua, é fundamental para transformar pequenos empreendimentos em fontes sólidas de renda e melhoria da qualidade de vida no campo.

“Quando o Estado oferece condições para o agricultor familiar se estruturar, ele gera renda, melhora a qualidade dos alimentos produzidos e fortalece a economia local”, afirma Nunes. Ele destaca ainda o papel preponderante das mulheres no empreendedorismo rural, na organização da produção e na garantia da segurança alimentar familiar, o que torna o apoio a essas iniciativas um motor de dignidade e desenvolvimento sustentável.

A Estrutura e Abrangência do Programa

O projeto “Renda Agricultor Familiar”, criado em 2015 como parte do programa “Nossa Gente Paraná”, tem como objetivo principal atender famílias rurais em situação de vulnerabilidade social. Executado em parceria por diversas secretarias estaduais e municipais, o programa busca melhorar a segurança alimentar e nutricional, desenvolver atividades geradoras de renda e facilitar o acesso a políticas de proteção social.

O Secretário do Desenvolvimento Social e Família, Rogério Carboni, corrobora a visão de que políticas sociais bem estruturadas geram resultados concretos. Ele enfatiza que a iniciativa não se trata apenas de transferência de recursos, mas de promover dignidade, fortalecer a produção e impulsionar o desenvolvimento no meio rural.

Ao longo de uma década, o programa já beneficiou mais de 11.000 pessoas, com 90% delas sendo mulheres. O investimento total aproxima-se de R$ 34 milhões, provenientes do Tesouro do Estado, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop).

O público-alvo são produtores com renda familiar mensal per capita igual ou inferior a meio salário mínimo. Isso inclui agricultores familiares do Grupo B do Pronaf, pescadores artesanais, quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais. Jovens com projetos próprios em áreas cedidas pelos pais também podem participar.

O funcionamento do projeto se baseia na assistência técnica e extensão rural. Extensionistas do IDR-Paraná auxiliam as famílias a estruturar suas unidades produtivas, abordando três áreas: saneamento básico, produção para autoconsumo (horticultura, avicultura, fruticultura, etc.) e apoio a processos produtivos, incluindo atividades não-agrícolas.

O coordenador estadual do programa, Jefferson Meister, explica que a ideia é fomentar qualquer atividade que promova a melhoria de vida e ajude a manter as famílias no meio rural, seja um salão de beleza, uma pequena loja ou um restaurante. O foco é sempre no desenvolvimento e na sustentabilidade da vida no campo.

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