O incremento na oferta de alimentos nutritivos para estudantes da rede estadual de ensino no Paraná tem ganhado destaque com a inclusão da pitaia no cardápio escolar. Prevista para atingir 48 toneladas em 2026, a meta representa um aumento de 20% em relação ao volume distribuído no ano anterior, demonstrando uma política pública robusta em expansão.
A fruta, também conhecida como fruta-do-dragão, é valorizada por seu perfil nutricional. Rica em fibras, a pitaia auxilia na regulação intestinal e no controle da glicemia. Seu baixo teor calórico, aliado à presença de vitaminas A, C e E, além de minerais como ferro e magnésio, a tornam um componente valioso para a saúde infantil.
A introdução da pitaia, que começou como um projeto piloto em 2024, já alcançou aproximadamente um terço dos alunos da rede, beneficiando cerca de 300 mil estudantes em quase mil escolas. Essa iniciativa integra uma estratégia mais ampla de diversificação da alimentação escolar, promovendo o consumo de alimentos regionais e com alto valor nutricional.
O fortalecimento da agricultura familiar é um pilar central nesta política. No Paraná, são aproximadamente 47,9 mil famílias dedicadas a essa modalidade, das quais 17 mil abastecem o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Esses produtores representam cerca de 75% dos empreendimentos rurais do estado e são responsáveis por uma vasta gama de cultivos.
A produção de pitaia, em particular, exige um manejo intensivo e colheita manual, demandando acompanhamento constante. O cultivo tem se expandido significativamente, com regiões como Cornélio Procópio, Maringá e Apucarana se destacando como polos produtores importantes. A atividade se tornou uma fonte relevante de geração de renda no campo.
A conexão entre o campo e a escola
A relevância da agricultura familiar para o fornecimento de alimentos à rede estadual de ensino é inegável. Ao priorizar produtores locais, programas como este não apenas garantem a qualidade e a diversidade dos alimentos consumidos pelos estudantes, mas também fomentam o desenvolvimento econômico das comunidades rurais. A logística de distribuição é coordenada para atender a um número crescente de escolas.
A política pública, sob a ótica da Secretaria de Estado da Educação e do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), visa criar um ciclo virtuoso. Alimentos frescos e nutritivos chegam às mesas dos estudantes, enquanto a demanda gerada pelo programa estimula a produção e a profissionalização dos agricultores familiares. Essa abordagem integrada reforça a importância da alimentação adequada para o desempenho escolar e o bem-estar geral.
O secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, ressalta que a iniciativa transcende a mera oferta de alimentos. Ela representa uma política que conecta saúde, educação e economia local, demonstrando o potencial da colaboração intersetorial para o alcance de resultados positivos em múltiplas frentes. O sucesso da pitaia exemplifica o potencial de outras culturas regionais.
A expansão da oferta de alimentos nutritivos se estende para além da pitaia. Produtos como guabiroba, juçara e araçá já compuseram o cardápio de diversas escolas em 2025. Complementarmente, a incorporação de água de coco e pão de queijo entre 2025 e 2026 demonstra o compromisso contínuo com a diversificação e a qualificação da alimentação escolar, visando atender as 2.080 unidades da rede.
Desafios e perspectivas para a produção agrícola
A produção de pitaia, embora promissora, enfrenta desafios intrínsecos ao manejo da cultura. A exigência de cuidados intensivos e a natureza manual da colheita demandam investimento em mão de obra e técnicas adequadas para garantir a qualidade e a sanidade do produto. O fortalecimento das cooperativas e associações de agricultores é fundamental para otimizar esses processos e aumentar a escala de produção.
O Paraná tem se posicionado como um relevante produtor nacional de pitaia, com dados recentes apontando o estado como o quarto maior produtor. O Valor Bruto de Produção (VBP) da fruta no estado, que em 2024 alcançou R$ 41,7 milhões, demonstra o potencial econômico da cultura e a sua contribuição para a balança agrícola estadual. As regiões de Cornélio Procópio, Maringá e Apucarana concentram a maior parte dessa produção.
A diversificação de culturas, como a inclusão de outras frutas nativas e regionais, é um caminho estratégico para a resiliência da agricultura familiar e a oferta de uma dieta mais variada e nutritiva. Ao apoiar a produção local e integrada aos programas de segurança alimentar, o estado reforça seu compromisso com a sustentabilidade, a saúde pública e o desenvolvimento rural, criando um impacto positivo duradouro na vida dos estudantes e das comunidades.






