Peabiru avança com consulta e georreferenciamento

🕓 Última atualização em: 12/02/2026 às 19:36

O Paraná avança na estruturação de um ambicioso projeto de turismo sustentável: a Rota Turística Caminhos do Peabiru. A iniciativa, que visa transformar mais de 4.600 km de trilhas históricas em um produto turístico tecnológico e acessível, entrou em uma fase crucial de planejamento para 2026.

O objetivo é resgatar e valorizar uma rede de trilhas ancestrais, com mais de três milênios de existência, que historicamente conectaram o Oceano Atlântico ao Pacífico. O nome “Peabiru” remete à linguagem tupi-guarani, significando “caminho gramado amassado”, uma referência à antiga utilização por povos originários.

As primeiras etapas práticas já estão em andamento, com equipes realizando visitas técnicas ao longo de um trecho de 2.000 km. O foco é o georreferenciamento detalhado e a captura de imagens aéreas de alta resolução, conhecidas como ortofotos. Estes dados são fundamentais para a criação de ferramentas digitais destinadas aos futuros turistas.

A tecnologia será um pilar central na experiência do visitante. Todo o mapeamento geoespacial coletado alimentará o desenvolvimento de um futuro site e aplicativo oficial da Rota. Essas plataformas serão essenciais para a navegação segura e a exploração completa do trajeto, que atravessa o estado paranaense de leste a oeste.

A iniciativa, executada em parceria com o Paraná Projetos e com a expertise da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá (Fadec), busca ir além do turismo de aventura. A estratégia de territorialização contempla a riqueza histórica, cultural e simbólica dos Caminhos do Peabiru.

O secretário estadual do Turismo, Leonaldo Paranhos, destaca o valor intrínseco do projeto. “Ao estruturar essa rota de forma responsável, o Governo do Estado promove o turismo sustentável, valoriza os povos originários, preserva o patrimônio ambiental e cria novas oportunidades de desenvolvimento para os municípios envolvidos”, ressalta.

A avaliação técnica abrange não apenas o traçado das trilhas, mas também a identificação de necessidades de infraestrutura. Pontes, obras de arte e trechos suscetíveis a erosão ou deslizamentos são pontos de atenção para garantir a segurança e a viabilidade do percurso.

Diversidade e Respeito às Comunidades

A concepção de “Rota” para os Caminhos do Peabiru reconhece a sua vasta diversidade. O percurso integra trechos para meios não motorizados, como caminhadas, ciclismo, cavalgadas e atividades aquáticas em caiaque e canoa, caracterizando-se como trilhas. Há também trechos de conexão que podem incluir rodovias e áreas urbanas.

Luciane Rosas, coordenadora da equipe de consultoria da Fadec, explica que o projeto adota uma abordagem multidisciplinar. A consultoria realizará entregas mensais com pesquisa científica detalhada nas esferas antropológica, sociológica, histórica e geográfica. Serão elaborados planos e documentos estratégicos, como o Data Book e o Plano Executivo de Sinalização, adaptados a cada território.

Com 97 municípios atravessados pela rota, o respeito à vocação local é primordial. O planejamento visa orientar as instâncias de governança e garantir o alinhamento com as aptidões turísticas de cada área, promovendo um desenvolvimento alinhado à realidade e às potencialidades regionais.

Um dos aspectos mais relevantes do projeto é a realização de Consultas Livres, Prévias e Informadas (CLPI) com comunidades indígenas do estado, seguindo os preceitos da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em Turvo, foram realizadas conversas com lideranças das comunidades Guarani e Kaingang da Terra Indígena Marrecas, ambas manifestando interesse em integrar o traçado.

Ulisses Maia, secretário do Planejamento, enfatiza o compromisso do governo em fortalecer o desenvolvimento histórico e cultural. “Esse encontro em Turvo é uma forma de apoiarmos o município e os povos indígenas da região, valorizando a história e cultura local e fortalecendo o desenvolvimento municipal”, afirma.

Alexane Salles, servidora da Secretaria do Turismo (Setu) atuante no programa, destaca a importância da relação de respeito entre as comunidades. “Para abranger toda a população residente, optamos por fazer a consulta para o desenvolvimento de um plano de visitação voltado à realidade de cada comunidade, e assim, não deixar nenhuma de fora”, explica.

O Legado Ancestral e o Futuro do Turismo

A próxima fase com as comunidades indígenas envolverá uma consulta coletiva, visto que a decisão final não compete unicamente às lideranças. Essas comunidades foram selecionadas para receber o plano funcional de visitação à aldeia, que será protocolado na Funai pela Setu.

O programa da Rota Turística Caminhos do Peabiru tem como escopo fundamental a promoção do turismo em municípios paranaenses. A estrutura da rota homenageia esses caminhos antigos, reconhecendo o seu imenso valor histórico-cultural e o legado deixado por gerações.

A iniciativa representa um marco para o turismo no Paraná, integrando preservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento econômico. Ao conectar o passado ao futuro, a Rota Turística Caminhos do Peabiru se consolida como um produto inovador e de profundo significado para o estado.

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