A tecnologia emerge como aliada estratégica no combate à violência de gênero no Paraná, com a expansão de programas inovadores e o aprimoramento da capacitação profissional. Iniciativas que visam a proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade estão ganhando força, demonstrando um esforço contínuo do Estado em utilizar ferramentas modernas para coibir crimes e assegurar a segurança da população feminina.
A expansão do Programa de Monitoração Eletrônica Simultânea (MES) para cidades como Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais reflete a prioridade dada à prevenção do feminicídio. Este sistema, já em operação na capital paranaense, representa um salto qualitativo ao integrar tecnologia no acompanhamento em tempo real de situações de risco.
O MES opera com um duplo mecanismo de proteção: uma tornozeleira eletrônica para o agressor e um dispositivo móvel para a vítima. Este último não apenas permite o rastreamento da localização do agressor, mas também emite alertas caso as zonas de exclusão determinadas pela Justiça sejam violadas.
Fortalecendo as Ferramentas de Proteção e Prevenção
Complementando a monitoração eletrônica, o lançamento do aplicativo Salve Maria surge como uma ferramenta crucial para o atendimento emergencial. Desenvolvido para mulheres sob medida protetiva, o aplicativo oferece um canal direto para acionar a Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar.
Ao ativar um botão de emergência no aplicativo, um alerta é enviado instantaneamente às autoridades, agilizando o tempo de resposta. A funcionalidade de geolocalização em tempo real do dispositivo ajuda as viaturas a localizarem a usuária rapidamente, otimizando o deslocamento em situações críticas.
Além do acionamento rápido e da geolocalização, o aplicativo Salve Maria inclui um canal de comunicação direta com operadores policiais, permitindo o envio de mensagens de texto e áudios. Essa capacidade de comunicação reforça o suporte e a segurança oferecidos às vítimas em momentos de perigo iminente.
A segurança digital é uma preocupação central, com a plataforma incorporando protocolos de criptografia de dados e validação de cadastro por CPF e número de telefone, assegurando que apenas usuárias autorizadas acessem a ferramenta, protegendo informações sensíveis.
O monitoramento eletrônico simultâneo é aplicado em cenários de alto risco, onde a vida da mulher corre perigo concreto de feminicídio. A tecnologia atua como um mecanismo de proteção intensiva, monitorando agressor e vítima em tempo real para evitar desfechos trágicos. A articulação institucional entre diversas secretarias estaduais, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público, consolidada por meio de normativas como a Instrução Normativa nº 230/2025, é fundamental para a eficácia desses programas.
Capacitação Profissional: Um Pilar Essencial no Combate à Violência
Paralelamente à implementação de tecnologias, a Secretaria da Segurança Pública (Sesp) tem investido em capacitação para os profissionais das forças de segurança. Cursos a distância (EAD) estão sendo oferecidos para qualificar policiais, civis, penais e outros agentes no atendimento a mulheres em situação de violência.
Os conteúdos abordam desde a identificação de estereótipos machistas e a importância do atendimento humanizado até técnicas de escuta ativa e acolhimento. Módulos específicos, como “De Homem Para Homem”, buscam promover o diálogo e a reflexão sobre masculinidades, visando desconstruir comportamentos que perpetuam a cultura da violência.
A formação abrange os cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. O objetivo é equipar os profissionais com o conhecimento necessário para identificar, abordar e encaminhar adequadamente as vítimas, além de conscientizar sobre os trágicos resultados da violência, culminando no feminicídio.
A resolução que determina a obrigatoriedade da conclusão deste curso para todos os membros das forças de segurança até o final de 2026 é um marco importante. Essa medida garante que um número significativo de profissionais esteja apto a lidar com ocorrências de violência doméstica e de gênero de forma mais eficaz e empática, reforçando o compromisso do Estado com a segurança das mulheres.






