O estado do Paraná se prepara para um marco na coordenação internacional de respostas a desastres. Foz do Iguaçu sediará, em 2026, o principal encontro global da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicado à busca e resgate em cenários de catástrofes naturais: o INSARAG Global Meeting (IGM). Esta será a primeira vez que as Américas recebem o evento, que ocorre a cada cinco anos.
O encontro, agendado para julho de 2026, reunirá representantes dos 90 países que compõem o Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate (INSARAG). Vinculado ao Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o INSARAG estabelece padrões e metodologias para operações de resgate em larga escala.
A organização do evento no Brasil é uma responsabilidade conjunta do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), do Ministério das Relações Exteriores, através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), e do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC).
O IGM não é apenas uma reunião, mas a principal instância estratégica do INSARAG. Espera-se que dele emane a Declaração de Foz do Iguaçu, um documento que delineará as prioridades e direcionamentos globais da rede para os próximos cinco anos, influenciando a forma como o mundo responde a emergências.
A escolha do Paraná para sediar este evento sublinha o crescente protagonismo do Corpo de Bombeiros Militar local em discussões internacionais sobre padronização e capacitação em operações humanitárias. O estado reforça assim sua posição estratégica no cenário de resposta a desastres.
O Comandante-Geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, participou de uma reunião em Genebra onde o anúncio oficial foi feito. Ele destacou o investimento do governo estadual e da Secretaria de Segurança Pública na corporação, ressaltando o trabalho de suas forças-tarefa, reconhecidas pela preparação e equipamento.
O Papel do Brasil e os Desafios Contemporâneos
A realização do IGM no Brasil é um reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo país na área de resposta a desastres e cooperação internacional. A força-tarefa brasileira, que busca a classificação pesada no INSARAG, é composta pelos Corpos de Bombeiros Militares do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, um esforço inédito para a América Latina.
Essa iniciativa reflete uma preparação estratégica para atuação em ações humanitárias globais de busca e resgate. A candidatura para a classificação INSARAG pesada demonstra um compromisso com a elevação dos padrões de resposta do país em emergências de grande magnitude.
O contexto global de eventos climáticos extremos e a recorrência de desastres naturais tornam a discussão sobre prevenção e resposta ainda mais premente. O coronel Lino enfatizou a importância de abordar a prevenção, visto que o mundo volta seus olhos para o Paraná em debates sobre ajuda humanitária em grandes catástrofes.
A vinda do mentor francês da equipe nacional, Emmanuel Chapeau, ao Brasil em maio de 2024, para avaliar locais de treinamento, reforça a seriedade e o compromisso com o processo de credenciamento, previsto para 2028. Essa visita é crucial para a escolha do estado que sediará o treinamento conjunto.
O INSARAG, criado em 1991, desempenha um papel fundamental no estabelecimento de padrões e procedimentos operacionais para Equipes de Busca e Resgate Urbano (USAR). Seu objetivo é otimizar a coordenação de respostas a desastres de larga escala, como terremotos, inundações e incêndios florestais, garantindo uma atuação mais eficaz e integrada.
Um Legado de Cooperação e Preparação
As edições anteriores do INSARAG Global Meeting ocorreram em importantes cidades globais: Kobe, no Japão (2010); Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (2015); e Varsóvia, na Polônia (2021). Cada encontro serviu para reafirmar o compromisso da comunidade internacional com a melhoria contínua das capacidades de resposta a desastres.
A escolha do Brasil, e especificamente do Paraná, para sediar o evento em 2026, sinaliza um reconhecimento da capacidade logística e da expertise da região na gestão de crises. Além disso, o encontro em Foz do Iguaçu representará uma oportunidade ímpar para o aprofundamento do diálogo sobre os desafios atuais, como a adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento da resiliência comunitária.






