O Paraná consolidou sua posição como o principal polo produtor de feijão no Brasil, alcançando em 2025 um marco histórico de produção com cerca de 25% do volume nacional. Este feito, que resultou em quase 865 mil toneladas colhidas nas duas safras do ano, reflete um modelo de agricultura que prioriza inovação e eficiência.
Os números expressivos não são acidentais. Eles são o reflexo de um investimento contínuo em tecnologia e pesquisa, conforme aponta o Secretário Estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes. Para ele, o estado se destaca pela sua capacidade de produção por metro quadrado, um indicativo de gestão eficiente que impacta diretamente a renda do produtor rural.
Essa liderança produtiva está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento de cultivares de feijão de alta performance. Indicadores do Ministério da Agricultura e Pecuária (Sigef/Mapa) para as safras de 2024/25 e 2025/25 revelam que as cultivares desenvolvidas no Paraná representam uma parcela significativa dos campos de produção de sementes no país, especialmente nos grupos comerciais carioca e preto.
O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) emerge como um protagonista incontestável nesse cenário. Sua expertise em melhoramento genético o posicionou como referência nacional, desenvolvendo variedades que se adaptam às necessidades específicas dos agricultores paranaenses e brasileiros.
Avanços na Genética do Feijão e o Impacto na Cadeia Produtiva
A atuação do IDR-Paraná na pesquisa de genética vegetal tem sido crucial para a oferta de cultivares que impulsionam o setor produtivo. O programa estadual de melhoramento genético de feijão tem desenvolvido um portfólio robusto, com nove cultivares atualmente em processo de multiplicação por parceiros produtores de sementes.
No grupo comercial preto, o instituto detém uma liderança expressiva, respondendo por mais de 70% da área multiplicada nacionalmente. Este domínio é, em grande parte, impulsionado pela cultivar IPR Urutau, que se tornou a mais multiplicada do Brasil na última safra, demonstrando sua adaptabilidade e alta produtividade em diversas regiões.
O engenheiro agrônomo José dos Santos Neto, coordenador estadual do programa Grãos-Feijão e Cereais de Inverno do IDR-Paraná, destaca que o desempenho da IPR Urutau valida décadas de investimento em genética, sanidade e adaptação regional. Essas características são fundamentais para garantir a competitividade do feijão paranaense no mercado.
A pesquisa do IDR-Paraná vai além da produtividade imediata. O trabalho busca também aprimorar características como a resistência a doenças e a qualidade nutricional, aspectos cada vez mais valorizados tanto pela indústria quanto pelo consumidor final.
Sustentabilidade e Segurança Alimentar Através da Inovação em Cultivares
O programa de melhoramento genético do IDR-Paraná já desenvolveu 42 cultivares, muitas das quais são amplamente utilizadas por agricultores em todo o país. A diretora de Pesquisa do instituto, Vania Moda Cirino, enfatiza que o desenvolvimento contínuo de novas variedades é essencial para aumentar a variabilidade genética, um fator crucial para reduzir a vulnerabilidade da cultura a pragas e doenças.
A adoção de variedades melhoradas é apontada como uma das principais tecnologias para a redução de custos de produção e agregação de valor ao produto. Isso se traduz em maior rentabilidade para o agricultor, incentivando a sucessão familiar e a permanência do pequeno produtor no campo, fatores que contribuem para a sustentabilidade econômica e social do agronegócio.
A inovação na cultura do feijão demonstra, ainda, um compromisso com a segurança alimentar. Ao diversificar as opções de cultivares e garantir a oferta de alimentos básicos de qualidade, o estado fortalece sua capacidade de abastecimento e contribui para a estabilidade de preços no mercado interno.
O lançamento da 43ª cultivar, a IPR Quiriquiri, prevista para março de 2026, exemplifica essa estratégia. Pertencente ao grupo comercial carioca, a nova variedade apresenta a característica de escurecimento lento do tegumento, uma demanda específica da indústria e dos agricultores, que prolonga a vida útil do grão após a colheita e durante o armazenamento.






