O setor agropecuário do Paraná demonstra robustez e dinamismo em diversas frentes, impulsionado por uma combinação de fatores que incluem o aumento da produção, a valorização de produtos e a expansão para novos mercados. Relatórios recentes do Departamento de Economia Rural (Deral) pintam um quadro de crescimento notável em segmentos como a criação de aves, a produção de hortaliças e o processamento de carnes, consolidando o estado como um polo de excelência na produção de alimentos.
A olericultura, em particular, registra um desempenho expressivo. Em 2024, a colheita alcançou a marca de 2,9 milhões de toneladas, gerando um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 7,1 bilhões. Este montante reflete a importância de diversas culturas, com destaque para as hortaliças tuberosas, como batata e mandioca, que dominam não apenas a área cultivada, mas também a receita gerada.
O segmento de hortaliças-fruto, com o tomate liderando, apresentou o maior preço médio por quilo, sinalizando uma forte demanda e boa remuneração ao produtor. Este cenário é favorecido pela complexidade e pelo valor agregado dessas culturas, que exigem técnicas de manejo específicas e respondem às necessidades de um consumidor cada vez mais exigente.
O Potencial das Pequenas Carnes e a Consolidação da Avicultura
Paralelamente ao domínio das hortaliças, a cunicultura, ou criação de coelhos, se afirma como um nicho de mercado com grande potencial. O Paraná se mantém como um dos principais criadores do Brasil, gerando renda bruta significativa e um volume expressivo de carne. O mercado interno é abastecido, mas o setor demonstra uma capacidade exportadora crescente, com o Brasil registrando um salto expressivo no embarque de carne de coelho para o exterior nos últimos anos.
A coturnicultura, focada na produção de ovos e carne de codorna, também exibe um crescimento expressivo. O aumento da produção nacional, impulsionado pelo reconhecimento do alto valor nutricional dos ovos de codorna e pela expansão do consumo, tem impulsionado o Valor Bruto da Produção do setor. A exploração se diversifica, englobando a produção de carne, ovos e a criação de matrizes, demonstrando versatilidade.
Na avicultura, o Paraná consolida sua posição de liderança. O setor de frangos, apesar de enfrentar custos de produção que se equiparam ao preço nominal médio recebido pelo produtor, mantém a competitividade. Os custos de produção estaduais se mostram inferiores aos de estados vizinhos, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, permitindo ao Paraná sustentar sua proeminência no mercado nacional.
A bovinocultura também segue em trajetória de expansão. O abate de bovinos no estado registrou um crescimento considerável, superando o ritmo de expansão nacional. O peso médio das carcaças dos animais abatidos demonstra a qualidade do rebanho e das práticas de manejo adotadas, refletindo um ciclo de melhoria contínua na produção de carne bovina.
Desafios e Perspectivas para as Grandes Culturas
No que se refere às grandes culturas, como soja e milho, o cenário da safra 2025/26 apresenta um ritmo de colheita ligeiramente inferior aos ciclos anteriores. A colheita da soja, embora em processo avançado, ainda não atingiu os percentuais de anos passados em igual período. O milho de primeira safra segue uma tendência similar, com a maior parte da área já colhida, enquanto o plantio da segunda safra avança.
Essa ligeira desaceleração na colheita pode estar atrelada a fatores climáticos, à logística ou à estratégia dos produtores em relação às janelas de plantio e colheita. No entanto, o volume total e o potencial produtivo das lavouras seguem sendo monitorados de perto, com o Deral acompanhando de perto o desenvolvimento de cada etapa da safra.
A resiliência do agronegócio paranaense é evidenciada pela capacidade de adaptação e pela busca constante por eficiência em todos os seus segmentos. Seja na pecuária, na horticultura ou nas grandes lavouras, o estado tem se posicionado estrategicamente para atender às demandas internas e externas, impulsionando a economia e garantindo a segurança alimentar.






