O Estado do Paraná está impulsionando o fortalecimento da cadeia produtiva da erva-mate, um investimento estratégico que visa agregar valor a um produto de profunda relevância histórica e econômica para a região. Iniciativas recentes consolidam o compromisso de transformar o estado em referência nacional na produção e comercialização da erva-mate, indo além do fornecimento de matéria-prima para outras regiões.
Um novo capítulo dessa jornada foi iniciado com a apresentação do Meta 3, uma etapa crucial do programa Vocações Regionais Sustentáveis (VRS). Essa fase do projeto, uma colaboração entre a Invest Paraná e o Núcleo Interdisciplinar de Gestão Pública da UEL (NIGEP), foca na operacionalização de instrumentos que antes eram apenas planejados.
A iniciativa expande o trabalho iniciado com o VRS Lab+, buscando a sinergia entre pesquisa científica, o mercado e a formulação de políticas públicas eficazes. O objetivo central é maximizar o potencial da erva-mate paranaense, gerando mais renda e impacto positivo para os produtores locais.
O programa é viabilizado com apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e conta com financiamento do Fundo Paraná. Os primeiros passos envolveram a criação de bases sólidas, como sistemas de rastreabilidade e a definição de identidade territorial para o produto.
Um Marco para a Valorização da Erva-Mate
A etapa atual, Meta 3, representa a transição do estudo para a prática. Após ciclos de pesquisa e feedback direto aos produtores, as ações foram divididas em três frentes principais: aprimoramento da rastreabilidade, conexão e integração da cadeia produtiva, e estratégias de marketing para a valorização do produto.
Segundo Bruno Banzato, gerente de Desenvolvimento Econômico da Invest Paraná, os eixos de atuação foram diretamente moldados pelas demandas do setor. A ambição é clara: elevar o padrão da erva-mate paranaense, garantindo que seu valor seja reconhecido e remunerado de forma justa, combatendo a desvalorização histórica que muitas vezes beneficia apenas intermediários.
A meta de dobrar o valor da erva-mate de qualidade, especialmente aquela produzida sob sombreamento, é um indicativo da visão ambiciosa do projeto. O Paraná historicamente abastece outras regiões, mas o objetivo agora é que o reconhecimento e o retorno financeiro cheguem aos produtores que cultivam essa matéria-prima com esmero.
Daniele Ukan, professora da Unicentro e parte da equipe de desenvolvimento científico, destaca a importância da rastreabilidade como um diferencial estratégico. A definição das informações que acompanharão o produto busca atender às exigências de mercado e, ao mesmo tempo, servir como uma poderosa ferramenta de diferenciação.
O projeto também prevê a avaliação e promoção de boas práticas de manejo. A colaboração com produtores e indústrias visa identificar as técnicas que mais impactam positivamente a qualidade da folha, estabelecendo um padrão que assegure o controle de qualidade em toda a cadeia.
Um elemento central dessa nova fase é a criação de uma marca de autenticidade para a erva-mate paranaense. Essa iniciativa, que se diferencia de uma marca coletiva tradicional, visa estabelecer um selo de origem estadual. A pesquisa avaliará os atributos que tornam essa marca única, a viabilidade de segmentação no mercado e os desafios de comunicação dessa qualidade em âmbitos nacional e internacional.
Abertura de Novos Mercados e Fortalecimento Local
Além das frentes de produção e mercado, o evento que marcou o lançamento do Meta 3 abordou um pilar fundamental para o desenvolvimento local: o acesso ao mercado institucional através das compras públicas. A inclusão da erva-mate na merenda escolar do Paraná, por exemplo, representa uma oportunidade concreta para os agricultores familiares.
O Instituto Fundepar, responsável pelas chamadas públicas para alimentação escolar, investiu significativamente em alimentos da agricultura familiar. A erva-mate, adicionada recentemente ao grupo de compras, demonstra um potencial de crescimento, com a expectativa de que a oferta aumente com a divulgação e a aproximação com os produtores.
Victoria Aline Balan, nutricionista ligada ao Fundepar, apresentou aos participantes o funcionamento desses processos licitatórios, incentivando agricultores e cooperativas a acessarem esse mercado. A alimentação escolar se torna, assim, um vetor importante de desenvolvimento econômico e social.
Saulo Fabiano Amâncio-Vieira, professor da NIGEP-UEL, reforça o papel das compras locais na promoção do desenvolvimento econômico. Ao apoiar pequenas empresas, garantir a sustentabilidade ambiental e gerar renda, essas políticas fomentam a inclusão social e elevam a qualidade dos produtos consumidos, especialmente aqueles destinados ao público infantil.
Os produtores e empresários engajados no programa VRS agora integram grupos de trabalho específicos para cada meta. Eles participarão de capacitações focadas em padronização de qualidade, adequação de marca para mercados diversificados e contribuirão ativamente para a consolidação da marca identificadora da erva-mate paranaense e do sistema de rastreamento.






