A busca por soluções que conciliem alta performance produtiva e respeito ao meio ambiente impulsiona avanços significativos no agronegócio. Uma nova tecnologia, desenvolvida a partir de um processo húngaro de tratamento da água, chega ao Brasil com a promessa de revolucionar a proteção de cultivos e a saúde animal, sem a utilização de insumos químicos convencionais.
O produto, denominado SteriClean, atua através de uma alteração na estrutura molecular e carga elétrica da água. Este processo, baseado em filtragem e purificação avançadas, confere à água propriedades oxidativas seguras, capazes de combater microrganismos indesejados.
Na agricultura, seu foco reside na proteção de plantas contra a ação de fungos e bactérias patogênicas. Além de atuar como um agente sanitizante, estimula o crescimento natural e fortalece a resistência intrínseca das culturas, minimizando a necessidade de defensivos agrícolas tradicionais.
Avanços em Biotecnologia e Segurança Alimentar
A chegada desta tecnologia ao país representa um marco importante para a pesquisa e desenvolvimento no agronegócio brasileiro. A validação e implementação do SteriClean foram viabilizadas por uma parceria estratégica envolvendo o Governo do Paraná, o Consulado-Geral da Hungria em São Paulo e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
O Tecpar desempenhou um papel crucial na avaliação técnica e na adaptação da tecnologia às necessidades locais. Seu envolvimento assegura a credibilidade e a eficácia do produto em diferentes cenários produtivos brasileiros, reforçando o protagonismo do Paraná como polo de inovação.
O investimento na instalação da primeira fábrica nacional, que soma R$ 10 milhões, está localizado no Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark), em Toledo, na região Oeste do estado. Este empreendimento é administrado pela Sanfer Soluções Agropecuárias, com participação da Ferticerto Soluções Orgânicas e da Adaport S/A.
A Ferticerto, detentora da inovação no Brasil, enxerga no SteriClean uma oportunidade para atender produtores, especialmente do segmento orgânico, que historicamente enfrentam desafios pela limitada gama de defensivos aprovados.
Os resultados de testes preliminares indicam potencial não apenas para a agricultura, mas também para a indústria de alimentos e para a pecuária. Em frigoríficos e câmaras refrigeradas, a tecnologia demonstrou ser eficaz como sanitizante. Mais recentemente, a pesquisa expandiu-se para a saúde animal.
Um novo projeto de pesquisa, com aporte de R$ 6 milhões do Fundo Paraná, visa validar o uso do SteriClean no controle de patógenos críticos na pecuária. Estão sendo investigadas aplicações para combater a mastite em gado leiteiro, a doença vesicular em suínos causada pelo Senecavírus A, e infecções por Salmonella spp. em suínos e humanos.
A pesquisa também abrange a desinfecção de aviários, controle de amônia na suinocultura, cicatrização de feridas e higienização em laticínios, avaliando a segurança e eficácia em superfícies e ambientes.
O Ecossistema de Inovação como Catalisador
A escolha do Biopark para abrigar a fábrica do SteriClean não foi aleatória. Este ecossistema de inovação, credenciado no Sistema Estadual de Ambientes Promotores de Inovação do Paraná (Separtec), tem se consolidado como um ambiente propício para a convergência de ciência, pesquisa e mercado.
A concentração de startups, empresas de base tecnológica e ambientes de inovação no Biopark favorece a colaboração e a transferência de conhecimento. Isso cria um ambiente fértil para a atração de investimentos e o desenvolvimento de soluções tecnológicas sustentáveis, impulsionando a competitividade do setor.
A articulação entre o poder público, instituições de pesquisa e o setor privado é um modelo que tem se mostrado eficaz para acelerar a adoção de novas tecnologias e fomentar o desenvolvimento econômico e social do estado. A expansão do uso do SteriClean, seja na produção agrícola ou na pecuária, reflete o potencial dessas parcerias.
A contínua validação e a expansão de aplicações para o SteriClean sinalizam um futuro onde a saúde das plantas e dos animais pode ser assegurada com métodos inovadores e ambientalmente responsáveis, alinhados com as demandas globais por uma produção mais sustentável.






