O protagonismo do Paraná na redução da gravidez na adolescência, com uma queda de 20,73% entre 2024 e 2025, supera a média nacional de 17,50% no mesmo período. Este desempenho posiciona o estado na liderança da Região Sul e na segunda colocação em âmbito nacional, evidenciando o sucesso de políticas públicas intersetoriais e de uma rede de atenção à saúde (RAS) bem estruturada.
Em 2025, o Brasil contabilizou 176.356 nascidos vivos de mães com idade entre 10 e 19 anos, conforme dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos (Sinasc). No Paraná, este número foi de 8.095. Um dado expressivo é o zeramento do indicador em diversos municípios, como Cruzeiro do Iguaçu, Iguatu, Ivatuba, Munhoz de Melo e São Jorge do Ivaí. Cruzeiro do Oeste, por sua vez, registrou uma queda notável, passando de 20% de gestações na adolescência em 2024 para 0% no ano seguinte.
A gestão estadual atribui esses resultados à articulação coordenada de diversas frentes de atuação, visando não apenas a saúde, mas a construção de perspectivas futuras para a juventude. A abordagem integrada permite avanços consistentes na prevenção e no cuidado.
A base do sucesso paranaense reside na Linha de Cuidado Materno Infantil (LCMI). Este modelo organiza a atenção à saúde de forma integrada e regionalizada, garantindo o acompanhamento contínuo no Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado abrange desde o planejamento reprodutivo e o acompanhamento pré-natal, na Atenção Primária à Saúde (APS) e na Atenção Especializada (AAE), até o momento do parto em maternidades de referência e o acompanhamento no puerpério.
Adicionalmente, o Estado investe na capacitação de profissionais. O Curso de Qualificação à Assistência ao Pré-Natal, promovido pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), foca na identificação precoce de riscos e na articulação eficaz da rede de atenção, assegurando a integralidade do cuidado às gestantes adolescentes.
Acesso a métodos contraceptivos modernos e informação
Um marco importante na estratégia de prevenção é a ampliação da oferta de métodos contraceptivos de longa duração (LARC). A implementação do implante subdérmico de etonogestrel, voltado para adolescentes e mulheres em idade fértil, representa um avanço significativo, alinhado às portarias federais recentes.
Para garantir a capacitação das equipes na oferta deste método, a Sesa promoveu, em novembro de 2025, uma Oficina de Qualificação. O evento reuniu 150 profissionais, incluindo médicos e enfermeiros, fortalecendo a capacidade técnica e a resolutividade dos serviços municipais de APS.
O alcance da informação sobre saúde sexual e reprodutiva se estende ao ambiente escolar através do Programa Saúde na Escola (PSE). Com adesão de 100% dos 399 municípios paranaenses no ciclo 2025/2026, o programa beneficia mais de 1,1 milhão de estudantes em 5.150 escolas públicas. A temática é prioritária dentro das seis áreas obrigatórias do PSE, visando reduzir vulnerabilidades e promover o autocuidado.
A atenção do Estado também se volta a grupos de maior vulnerabilidade. Adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas têm acesso garantido a oficinas educativas, orientações sobre planejamento familiar e testagem regular para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), por meio da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei.
A importância da abordagem multifacetada para a saúde juvenil
A redução sustentada da gravidez na adolescência não se restringe à oferta de métodos contraceptivos. Envolve um ecossistema complexo de ações que abrangem desde o acesso à informação de qualidade até o suporte psicossocial e o fortalecimento de oportunidades educacionais e profissionais.
O modelo paranaense demonstra que a articulação entre saúde, educação e assistência social é fundamental. Ao integrar políticas e garantir a continuidade do cuidado em diferentes níveis de atenção, o estado não só previne gestações não planejadas, mas também investe no bem-estar integral e no futuro de seus jovens.





