Paraná adota teste DNA-HPV contra câncer de colo útero

🕓 Última atualização em: 13/02/2026 às 14:41

A luta contra o câncer de colo do útero no Brasil, especificamente no Paraná, ganha um novo capítulo com a introdução de uma tecnologia inovadora na rede pública de saúde. A detecção precoce, pilar fundamental no combate a este tipo de neoplasia, que estima cerca de 790 novos casos anualmente no estado, agora se beneficia de uma abordagem molecular avançada. O objetivo é identificar o vírus causador da doença em estágios ainda mais iniciais, antes mesmo que alterações celulares se manifestem.

Esta nova estratégia se alinha com os esforços globais de eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública. O Paraná figura entre os 12 estados brasileiros selecionados para a fase inicial desta implementação, marcando um avanço significativo na incorporação de tecnologias desenvolvidas nacionalmente. A tecnologia em questão, denominada exame DNA-HPV, é fruto de uma colaboração entre o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e a Fiocruz, com apoio do Governo do Paraná.

Diferentemente do exame citopatológico tradicional, conhecido como Papanicolau, que foca na identificação de alterações morfológicas nas células do colo do útero, o exame DNA-HPV vai um passo além. Ele é capaz de detectar diretamente a presença do material genético dos tipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV), ou seja, as cepas do vírus com maior potencial de induzir o desenvolvimento do câncer. Essa detecção antecipada possibilita uma intervenção médica mais célere.

A introdução do teste DNA-HPV na rede pública representa uma mudança de paradigma na prevenção. A expectativa é que esta tecnologia permita identificar a infecção viral antes mesmo que as primeiras lesões pré-cancerosas surjam, otimizando o manejo clínico e potencialmente reduzindo a incidência e mortalidade associadas à doença.

Otimizando o Rastreamento e o Intervalo entre Exames

A adoção do exame DNA-HPV como método de rastreamento primário, substituindo gradualmente o Papanicolau, traz consigo benefícios importantes em termos de eficácia e espaçamento entre as avaliações. Enquanto o Papanicolau, em seu protocolo inicial, demanda exames anuais, sendo recomendado a cada três anos após dois resultados consecutivos normais, o teste molecular permite um intervalo maior.

Com o DNA-HPV, o rastreamento poderá ser realizado a cada cinco anos. Essa ampliação do intervalo é justificada pela alta especificidade do teste em identificar os tipos de HPV de alto risco, reduzindo a necessidade de repetição frequente para confirmação ou descarte de alterações. Para o público-alvo, que compreende mulheres cisgênero e pessoas com útero (incluindo homens trans, pessoas não binárias e intersexuais) entre 25 e 64 anos com histórico de atividade sexual, essa mudança representa um alívio e uma maior praticidade.

Em uma fase inicial de testes, realizada em unidades básicas de saúde de Rio Branco do Sul e Curitiba, o exame já demonstrou sua capacidade diagnóstica. Quase 10% dos 235 indivíduos testados apresentaram resultado positivo para o HPV, sendo imediatamente encaminhados para exames complementares como colposcopia e citologia convencional, garantindo um acompanhamento detalhado.

A Abordagem Preventiva Abrangente: Vacinação e Rastreamento

É crucial ressaltar que a estratégia de combate ao câncer de colo do útero e outras neoplasias associadas ao HPV não se resume à detecção. A vacinação contra o HPV é um dos pilares mais robustos da prevenção primária e tem apresentado resultados expressivos no Paraná. O imunizante protege contra uma gama de doenças, incluindo não apenas o câncer de colo do útero, mas também cânceres de pênis, ânus, uretra e garganta, além de prevenir o desenvolvimento de verrugas genitais (condiloma).

O estado paranaense tem se destacado em relação à cobertura vacinal para jovens. Em 2025, as taxas de imunização atingiram 98,76% para meninas e 91,25% para meninos na faixa etária de 9 a 14 anos, superando a meta nacional de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Essa alta cobertura é fundamental para a redução da circulação do vírus em longo prazo.

Ademais, o programa de vacinação mantém uma etapa de resgate para adolescentes entre 15 e 19 anos que não completaram o esquema vacinal até os 14 anos, com prazo estendido até junho de 2026. Essa iniciativa garante que um número maior de jovens possa se beneficiar da proteção oferecida pelo imunizante, fortalecendo ainda mais as ações de saúde pública voltadas à eliminação de doenças relacionadas ao HPV.

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