A performance da banda Os Paralamas do Sucesso em Matinhos, durante o Verão Maior Paraná, transcendeu a expectativa de um mero concerto musical. O evento, que já havia recebido a banda jamaicana Inner Circle, confirmou a força da música brasileira em atrair multidões, mesmo diante de adversidades climáticas.
Com uma trajetória que se estende por mais de quatro décadas, o trio formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone apresentou um repertório robusto, com 24 canções que se tornaram hinos nacionais, capazes de conectar diferentes gerações de ouvintes.
A chuva, que iniciou de forma branda, intensificou-se durante a apresentação. No ápice da emoção, durante a execução de “Aonde Quer Que Eu Vá”, com aproximadamente 153 mil pessoas cantando em uníssono, a banda precisou pausar o show por questões de segurança.
Herbert Vianna comunicou ao público a necessidade da interrupção com clareza e respeito. “É porque eletrônica e água são completamente incompatíveis. Além do risco de choque, começa a falhar tudo. Vamos aguardar um pouco pra ver se melhora”, explicou o vocalista, dissipando qualquer receio de “estrelismo”.
A reação do público foi notável. Aplausos e manifestações de compreensão ecoaram, com o grito de “Eu não vou embora” tornando-se o lema da noite. A espera foi recompensada com o retorno da banda ao palco assim que as condições permitiram, impulsionados pela energia renovada da plateia.
João Barone expressou sua gratidão pela receptividade do público. “A gente conseguiu terminar o show. É muito legal ver que a gente tem uma plateia maravilhosa, de pessoas do bem”, declarou, visivelmente emocionado. Ele também ressaltou a honra de dividir o palco com o Inner Circle, uma referência global no reggae.
“O reggae sempre teve uma presença muito forte no nosso trabalho, desde o início”, comentou Barone, destacando a influência histórica do gênero em sua sonoridade. A banda, com sua vasta experiência, compartilha a sensação de êxtase ao subir ao palco, um sentimento amplificado pela magnitude da audiência.
A Resiliência da Arte e a Conexão com o Público
A experiência de se apresentar para um público tão vasto e engajado reforça a visão de Herbert Vianna sobre o poder da música. Segundo o vocalista, a música é um antídoto singular, capaz de gerar reações profundas tanto nos artistas quanto nos espectadores.
O setlist foi cuidadosamente elaborado para abranger toda a trajetória dos Paralamas. Após a pausa climática, a banda retornou com “A Novidade”, uma colaboração marcante com Gilberto Gil, e seguiu com outros sucessos, culminando em uma performance catártica com “Meu Erro”, quando o público se uniu em um coro emocionado.
Entre os presentes, a gratidão era palpável. Fãs que acompanharam a banda desde a adolescência expressaram a felicidade de reviverem a época com shows gratuitos e acessíveis. A estrutura oferecida pelo evento, incluindo comodidades como água e banheiros, foi amplamente elogiada.
A presença de diferentes grupos, incluindo fãs e até mesmo uma banda cover, demonstrou o alcance e a atemporalidade da obra dos Paralamas do Sucesso. A celebração do rock nacional, com sua autenticidade e profundidade, foi um ponto alto para muitos dos presentes.
O Legado Musical e o Impacto Cultural dos Grandes Eventos
A capacidade de Os Paralamas do Sucesso de manterem uma conexão forte com seu público ao longo de décadas é um testemunho de sua qualidade artística e relevância cultural. A banda não apenas revisita seu passado glorioso, mas também demonstra uma vitalidade que ressoa com novas gerações.
Eventos como o Verão Maior Paraná desempenham um papel crucial na democratização do acesso à cultura. Ao trazer artistas de renome nacional e internacional para apresentações gratuitas, eles ampliam o alcance da música e promovem a interação social e o entretenimento para um público diversificado.
A superação de desafios, como as intempéries, durante um espetáculo de grande porte, evidencia a resiliência não apenas dos artistas, mas também da organização e do público. Essa experiência compartilhada fortalece os laços e cria memórias duradouras, solidificando a importância da música como elemento unificador.






