A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) expande seu arsenal sonoro com a incorporação de instrumentos de ponta, impulsionada por um investimento governamental substancial destinado à modernização do Teatro Guaíra. Essa iniciativa, parte de um pacote mais amplo de cerca de R$ 50 milhões para revitalização do complexo cultural, visa elevar o patamar técnico e artístico da instituição.
Um dos destaques recentes é a aquisição de uma nova harpa de concerto da renomada marca italiana Salvi Harps. O instrumento, com valor de R$ 488,9 mil, representa um marco na renovação do parque instrumental da orquestra, que também recebeu em dezembro de 2025 um novo console de luz profissional e, em fevereiro deste ano, um piano Steinway & Sons.
A aquisição de equipamentos de excelência é vista pela Secretaria Estadual da Cultura como um componente fundamental para o fortalecimento da produção artística local e para a democratização do acesso do público a apresentações de alto nível. A Secretária Luciana Casagrande Pereira ressalta a importância desses investimentos para a orquestra.
O objetivo é dotar a OSP de recursos que permitam a exploração integral do vasto repertório sinfônico, que frequentemente demanda a presença de múltiplos instrumentos. A nova harpa, modelo Apollo com 47 cordas, é a terceira da história da OSP, sucedendo instrumentos anteriores de diferentes portes e origens.
A Evolução do Som Orquestral no Paraná
A chegada da harpa Salvi Apollo é um passo significativo para atender a uma necessidade artística antiga. O harpista Hélio Leite, com quase quatro décadas de dedicação à OSP, destaca que muitos compositores renomados, como Debussy, Ravel e Mahler, conceberam suas obras prevendo o uso de duas harpas simultaneamente.
Até recentemente, a orquestra utilizava uma harpa de concerto adquirida em 2001, que começou a apresentar problemas estruturais por volta de 2020, forçando a locação de um instrumento para suprir a demanda. A antiga harpa, após restauração, poderá somar-se à nova aquisição, consolidando a capacidade da orquestra em executar repertórios que exigem essa configuração instrumental.
A tecnologia empregada na construção da harpa Apollo, especialmente na caixa de ressonância feita em abeto vermelho com estrutura em maple canadense, foi escolhida pela sua capacidade de projeção sonora. Essa característica é crucial para que o som da harpa se destaque harmoniosamente na complexa tessitura da orquestra, especialmente no palco de grandes proporções do Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão.
O processo de adaptação do novo instrumento é meticuloso. Após o transporte internacional, onde as cordas são afrouxadas para evitar danos, é necessário um período de afinamento gradual. Esse processo, que pode durar semanas, permite que a madeira do instrumento se ajuste à tensão das cordas, garantindo sua estabilidade e otimizando a qualidade sonora.
Além da harpa, a OSP aguarda a chegada de outros instrumentos que enriquecerão suas possibilidades musicais. Um órgão eletrônico sampleado da marca Viscount, uma celesta, um cravo, dois contrabaixos de cinco cordas e dois trompetes de rotor estão em processo de aquisição ou a caminho do Teatro Guaíra. O diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, enfatiza que esses investimentos, fruto de estudos aprofundados, são essenciais para a excelência da orquestra.
O Palco em Transformação: Uma Nova Era Musical
A apresentação ao público da nova harpa e de outros instrumentos recém-adquiridos está programada para o dia 28 de junho, em um concerto especial no Guairão. A ocasião servirá para celebrar a renovação e apresentar novas nuances sonoras ao público paranaense.
Sob a regência do maestro venezuelano Christian Vásquez, o concerto contará com a participação de solistas renomados: Fernando Cordella no cravo e Cecília Pacheco na harpa. O programa foi cuidadosamente selecionado para evidenciar as capacidades dos novos instrumentos, com obras que representam diferentes períodos da música clássica.
A abertura com o Concerto de Brandemburgo nº 5 de Johann Sebastian Bach, peça emblemática do período barroco, destacará o cravo. Em seguida, as Danças Sacra e Profana de Claude Debussy, compostas especificamente para harpa e cordas, mostrarão a expressividade da nova harpa. O encerramento com a Sinfonia nº 4 de Robert Schumann apresentará a grandiosidade e a profundidade sonora da orquestra em sua integralidade.
A venda de ingressos para este evento especial terá início cerca de dez dias antes da apresentação, com valores acessíveis para a comunidade, reafirmando o compromisso com a disseminação da cultura e o acesso democrático à arte de alta qualidade no Paraná.






