A integração de tecnologias avançadas de vigilância e a expertise da perícia criminal têm se mostrado ferramentas indispensáveis no combate à criminalidade no Paraná. Recentemente, uma ação conjunta resultou na recuperação de um veículo com indícios de adulteração em Pontal do Paraná, Litoral do estado.
A operação, que envolveu o 9º Batalhão de Polícia Militar, foi impulsionada por informações do sistema de videomonitoramento Olho Vivo. O alerta indicava a presença de um automóvel com registro de furto em circulação na região, levantando suspeitas de clonagem.
O veículo em questão, uma Fiat Strada branca, havia sido subtraído em março de 2023 na cidade de Santo André, São Paulo. A suspeita de que o carro estaria sendo utilizado em atividades ilícitas no litoral paranaense ativou o protocolo de monitoramento.
As equipes policiais conseguiram rastrear o deslocamento do automóvel em tempo real por meio do Olho Vivo. Essa capacidade de acompanhamento instantâneo permitiu o posicionamento estratégico das viaturas e a abordagem rápida e efetiva do veículo.
A interceptação ocorreu na Rodovia Engenheiro Argus Tha Heyn (PR-407), próximo a um posto da Polícia Rodoviária Estadual. Durante a fiscalização inicial, nada de ilícito foi encontrado com o condutor.
No entanto, os policiais observaram alterações visíveis nos elementos de identificação do veículo. Cortes e pontos de solda anômalos levantaram suspeitas sobre a originalidade da identificação.
A Ciência Forense como Pilar da Investigação
Diante das evidências de adulteração, a Polícia Científica foi acionada para realizar um exame técnico aprofundado. A atuação dos peritos é crucial para desvendar a verdadeira identidade do veículo e corroborar as suspeitas policiais.
O perito Leonardo de Ataide Jedneralski explicou que o processo de exame de identificação veicular envolve a análise minuciosa de todas as numerações registradas no chassi e motor. O objetivo é detectar quaisquer sinais de manipulação e, se confirmada a irregularidade, identificar o veículo original.
Este procedimento é essencial para assegurar que o bem seja restituído ao seu legítimo proprietário, garantindo a justiça e a reparação do dano sofrido. A confirmação da adulteração e a identificação do chassi original foram fundamentais para a conclusão do caso.
O tenente Lucas Martinelli destacou a importância do sistema Olho Vivo para otimizar as ações policiais. A tecnologia permite respostas mais ágeis e abordagens mais qualificadas, aumentando a eficiência no combate a crimes patrimoniais.
O veículo apreendido foi encaminhado para os procedimentos legais cabíveis. A inteligência artificial tem sido cada vez mais integrada ao sistema, auxiliando na análise de dados e imagens para o reconhecimento de indivíduos e veículos de interesse policial.
O Olho Vivo: Um Investimento em Segurança Pública
Inspirado em modelos internacionais de sucesso, o programa Olho Vivo representa um marco na segurança pública brasileira. Sua expansão visa cobrir o estado com um vasto sistema de monitoramento, totalizando 26,5 mil câmeras.
A primeira fase do programa já contava com cinco mil câmeras em operação. Atualmente, 1,5 mil novos equipamentos estão sendo instalados, e outros 20 mil serão adquiridos pelos municípios em parceria com o governo estadual, com um investimento total de R$ 400 milhões.
Uma das principais inovações previstas para o futuro é a ampliação do uso de inteligência artificial para uma etapa de “investigação assistida”. Isso significa que as câmeras não dependerão apenas da observação humana, mas contarão com ferramentas de análise automática para identificar atividades suspeitas.
Os novos equipamentos possuem recursos avançados, como o cruzamento de dados e imagens em tempo real, potencializados pela inteligência artificial. Essa capacidade auxilia as forças de segurança na identificação de criminosos e na verificação de veículos de interesse policial, fortalecendo a prevenção e a repressão.
No Litoral, a implementação do Olho Vivo avançou com a instalação de 116 câmeras inteligentes em cinco municípios. Essa iniciativa faz parte do reforço de segurança durante o Verão Maior Paraná, um período de aumento significativo de fluxo de pessoas na região.
A tecnologia já contribuiu para a prisão de quadrilhas especializadas em roubo de veículos, o desmantelamento de pontos de tráfico de drogas e a prisão de estelionatários. O programa é coordenado de forma integrada por diversas secretarias estaduais, operando em conformidade com a Lei Geral de Proteção aos Dados Pessoais (LGPD).






