Novo feijão mais produtivo lançado no Paraná

🕓 Última atualização em: 24/03/2026 às 12:11

Um novo capítulo na agricultura paranaense se inicia com a introdução de uma cultivar de feijão desenvolvida para atender às crescentes demandas do mercado e do consumidor. A inovação, fruto de anos de pesquisa e investimento em melhoramento genético, promete elevar a competitividade do setor, oferecendo um produto com características superiores em termos de produtividade, qualidade e durabilidade pós-colheita.

A cultivar, batizada de IPR Quiriquiri, pertence ao tradicional grupo carioca, amplamente aceito em diversas regiões do Brasil. Seu desenvolvimento representa um marco para o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná), que consolida seu papel na geração de tecnologias voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e empresarial.

A principal característica que distingue a IPR Quiriquiri é a sua notável resistência ao escurecimento lento dos grãos. Essa atributo singular garante que o feijão mantenha seu aspecto visual atraente por um período prolongado após a colheita, uma vantagem competitiva significativa para empacotadores, distribuidores e, consequentemente, para o consumidor final, que valoriza a aparência do alimento.

Em testes de campo, a nova cultivar demonstrou um potencial produtivo expressivo, atingindo até 4,6 toneladas por hectare. Este desempenho supera a média produtiva das cultivares convencionalmente empregadas pelos agricultores, indicando um salto qualitativo e quantitativo na produção.

A escolha da IPR Quiriquiri como nome para a nova cultivar evoca elementos da cultura local e da biodiversidade paranaense, reforçando a identidade do desenvolvimento agropecuário do estado. A pesquisa que culminou nesta inovação buscou unir a tradição do feijão carioca com as mais modernas técnicas de seleção e desenvolvimento genético.

Além da produtividade e da conservação de aspecto, a cultivar apresenta um elevado rendimento de peneira. Essa característica é crucial na etapa de comercialização, pois permite uma classificação mais eficiente do produto, otimizando os processos de seleção e agregando valor à mercadoria.

Desafios Sanitários e Agronômicos Superados

No que se refere à sanidade da lavoura, a IPR Quiriquiri se destaca por sua ampla resistência a doenças prevalentes. O feijoeiro é historicamente suscetível a diversas pragas e patógenos que podem comprometer drasticamente a produção. No entanto, esta nova cultivar apresenta resistência a doenças como ferrugem, oídio e mosaico comum, e resistência moderada à antracnose e mancha angular.

Essa robustez sanitária traduz-se em menor necessidade de aplicação de defensivos agrícolas, o que não apenas reduz os custos de produção para o agricultor, mas também contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis e ambientalmente conscientes. A redução do uso de agrotóxicos é uma demanda crescente por parte da sociedade e um objetivo estratégico para a saúde pública.

O porte semiereto da planta e sua aptidão para colheita mecanizada direta facilitam a logística e a operação agrícola, especialmente em propriedades de maior escala. O ciclo semiprecoce, com colheita em até 84 dias, confere flexibilidade para o planejamento do plantio, permitindo a adaptação a diferentes janelas de cultivo e a maximização do uso da terra ao longo do ano.

A qualidade nutricional e culinária dos grãos também foram priorizadas. A IPR Quiriquiri oferece um tempo de cozimento médio de 19 minutos, resultando em um caldo encorpado e um elevado percentual de grãos que se mantêm inteiros após o preparo. Seu teor de proteína, em torno de 22%, a posiciona como uma fonte valiosa de nutrientes na dieta dos brasileiros.

Impacto na Cadeia Produtiva e Segurança Alimentar

O lançamento oficial da cultivar IPR Quiriquiri representa um passo importante na modernização contínua da cultura do feijão no Paraná e no Brasil. A diretora de Pesquisa e Inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, enfatiza que a nova variedade está intrinsecamente alinhada às exigências atuais do mercado, combinando a viabilidade econômica da alta produtividade com a excelência na qualidade e atributos tecnológicos que agregam valor intrínseco ao produto.

A expectativa é que a IPR Quiriquiri impulsione a competitividade do feijão paranaense em âmbito nacional. O diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, reforça que os benefícios se estendem por toda a cadeia, desde os produtores, que podem obter maiores retornos financeiros, passando pelas empresas do setor, que terão um insumo de maior qualidade e potencial de mercado, até os consumidores, que terão acesso a um alimento mais nutritivo e com melhor aparência.

A disponibilização das sementes para os produtores já está planejada para a safra 2026/27, por meio de empresas multiplicadoras parceiras do IDR-Paraná. Este cronograma garante a expansão gradual e organizada da nova cultivar, assegurando a qualidade e a rastreabilidade desde a produção de sementes até o campo do agricultor, fortalecendo assim a segurança alimentar e a economia regional.

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