O Paraná consolida sua posição como referência nacional na produção de mandioca para fins industriais, com uma projeção de colheita ambiciosa para 2026, estimada em aproximadamente 4,4 milhões de toneladas. Este feito não apenas o posiciona como o segundo maior produtor do Brasil, mas também o estabelece como um polo central, especialmente no Noroeste do estado, onde se concentra um número significativo de unidades de processamento, como fecularias e farinheiras.
O impacto econômico da cultura é substancial. Dados recentes do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) revelam que, somente em 2024, o Valor Bruto de Produção (VBP) da mandioca destinada à indústria alcançou a marca expressiva de R$ 1,76 bilhão, evidenciando a relevância socioeconômica da cadeia produtiva.
Nesse cenário, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) anuncia o desenvolvimento de três novas cultivares de mandioca: IPR Clara, IPR Topázio e IPR Quartzo. Estas inovações são fruto de um programa de pesquisa contínuo, focado em aprimorar os atributos essenciais para o segmento industrial.
Avanços em Performance e Qualidade Agrícola
As novas variedades foram especificamente desenvolvidas para atender às demandas da indústria de fécula e farinha, introduzindo melhorias notáveis em diversos aspectos. A produtividade é um dos pilares de desenvolvimento, com as cultivares superando os materiais atualmente predominantes no mercado. Essa superioridade produtiva se traduz em maior volume de matéria-prima disponível para o processamento industrial.
Paralelamente, a sanidade das plantas foi um foco central. O aprimoramento da resistência a doenças e pragas contribui para a redução da necessidade de insumos e minimiza perdas na lavoura, fortalecendo a sustentabilidade do cultivo. Adicionalmente, a qualidade intrínseca da matéria-prima foi otimizada, impactando positivamente o resultado dos produtos derivados, como a fécula e a farinha.
A adaptabilidade a diferentes ambientes de cultivo é outra característica marcante. O desenvolvimento de cultivares que prosperam em variados tipos de solo e condições climáticas é crucial para expandir a área de plantio e garantir a estabilidade da produção em diferentes regiões do estado. Isso também permite aos agricultores escolher a variedade mais adequada às suas particularidades de manejo e terroir.
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, ressalta a importância estratégica da pesquisa pública. Ele enfatiza que o trabalho do IDR-Paraná é fundamental para converter conhecimento científico em prosperidade econômica para o produtor rural. A criação de cultivares adaptadas às especificidades do solo e clima paranaense é vista como um motor para o aumento da produtividade e, consequentemente, da renda no campo.
“O lançamento dessas variedades em um evento de grande porte como o Show Rural não apenas demonstra o potencial inovador do Paraná, mas também reforça o protagonismo do estado em tecnologia para o agronegócio”, declarou o secretário, sublinhando o papel de vanguarda do estado no setor.
Vania Moda Cirino, diretora de pesquisa e inovação do IDR-Paraná, complementa, destacando o papel crucial da ciência no desenvolvimento rural. Ela afirma que os novos materiais reúnem atributos agronômicos superiores com alta qualidade para o processamento industrial, fruto de um compromisso com as demandas reais do setor produtivo.
A cultivar IPR Clara, por exemplo, distingue-se pela coloração clara de suas raízes, tanto na casca quanto na polpa. Essa característica é altamente valorizada pela indústria, pois resulta em produtos derivados com maior alvura, atendendo a nichos de mercado mais exigentes. Seu potencial produtivo pode superar as 30 toneladas por hectare no primeiro ciclo, com possibilidade de colheita em dois ciclos, dependendo do manejo.
O pesquisador Mário Takahashi, responsável pelo desenvolvimento da IPR Clara, explica que a grande vantagem reside na qualidade do produto final, com menor incidência de pontos escuros, o que garante féculas e farinhas mais brancas. Essa característica a torna ideal para aplicações que demandam alta pureza visual.
A IPR Quartzo apresenta um porte de médio a alto e demonstra moderada resistência à podridão radicular. Sua notável adaptabilidade permite o cultivo tanto em solos arenosos quanto argilosos. Em ciclos duplos de cultivo, a cultivar tem se destacado pela produção de raízes mais espessas e alto rendimento industrial, atributos cruciais para as fecularias.
Já a IPR Topázio, com porte mais baixo, é recomendada prioritariamente para solos arenosos. Conforme ressalta o pesquisador Wilmar Ferreira Lima, com atenção adequada ao armazenamento e ao manejo das ramas, a IPR Topázio pode atingir um potencial produtivo significativamente superior aos materiais tradicionais.
Lima também aponta ganhos produtivos expressivos da IPR Quartzo e IPR Topázio em comparação à cultivar IPR Paraguainha, atualmente a mais plantada no Paraná para fins industriais. Estudos conduzidos entre 2021 e 2025 em diferentes sistemas de cultivo no estado indicaram que ambas as novas cultivares apresentaram incrementos de produtividade de 10% a 15% em um e dois ciclos de colheita.
O Impacto da Inovação no Agronegócio Paranaense
O Show Rural Coopavel, um dos eventos de agronegócio de maior relevância na América Latina, servirá de palco para o lançamento oficial destas novas cultivares. Previsto para ocorrer entre os dias 9 e 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste paranaense, a feira abordará como tema central a inovação tecnológica aliada à sustentabilidade, alinhando-se perfeitamente com o propósito destas novas variedades de mandioca.
O evento inaugura o calendário anual de feiras agropecuárias no Paraná, reunindo por cinco dias produtores rurais, pesquisadores e técnicos em busca de conhecimento, novas tecnologias e oportunidades de negócio. A edição de 2025 atraiu mais de 400 mil visitantes e registrou um volume de transações comerciais superior a R$ 7 bilhões, demonstrando sua força como plataforma de desenvolvimento e intercâmbio para o setor.
O IDR-Paraná estará presente no evento, apresentando as novas cultivares e demais inovações para o agronegócio. A iniciativa reforça o compromisso do instituto em impulsionar a competitividade e a sustentabilidade da produção agrícola paranaense através da pesquisa aplicada e da transferência de tecnologia.






