O Paraná avança na proteção de seus bebês e crianças mais vulneráveis contra as infecções respiratórias graves. Uma nova estratégia de imunização, focada no combate ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR), tem sido implementada no estado, com a aplicação de um anticorpo monoclonal inovador.
Este medicamento, conhecido como Nirsevimabe, foi introduzido no início de fevereiro e já alcançou mais de mil doses aplicadas em bebês e crianças com indicações específicas. A iniciativa é uma demonstração do compromisso do Sistema Único de Saúde (SUS) em oferecer ferramentas de ponta para a saúde pública.
O VSR é um agente viral de grande preocupação para a saúde pediátrica. Ele se destaca como uma das principais causas de bronquiolite e hospitalizações em lactentes e crianças pequenas, representando um risco considerável para os quadros mais severos.
A coordenação estadual desta ação é realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em estreita colaboração com os municípios. O objetivo principal é identificar e garantir o acesso ao imunizante para aqueles que mais necessitam.
Estratégias de Cobertura e Elegibilidade
A metodologia de aplicação do Nirsevimabe segue um planejamento criterioso, alinhado às diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Para os bebês prematuros, a administração é contínua ao longo do ano, com preferência para que ocorra ainda no ambiente hospitalar, logo após o nascimento.
Já para crianças que apresentam comorbidades específicas, a oferta do anticorpo monoclonal é concentrada nos períodos de maior circulação do vírus. Essa sazonalidade abrange os meses de fevereiro a agosto, período crítico para a incidência de doenças respiratórias em crianças.
A Sesa desempenha um papel fundamental na articulação com maternidades e com a Atenção Primária à Saúde. Essa parceria é crucial para a identificação proativa e o encaminhamento dos bebês elegíveis, garantindo que recebam o tratamento preventivo no momento adequado.
A orientação técnica aos municípios e o apoio na organização da rede de atendimento são pilares para o sucesso da operação. O objetivo é assegurar que a rede de saúde esteja preparada para administrar o imunizante com segurança e eficiência.
O Nirsevimabe é direcionado a bebês prematuros com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias, sem distinção de peso. Além disso, crianças de até 24 meses de idade que possuam comorbidades como cardiopatias congênitas, broncodisplasia pulmonar, imunodeficiências, Síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares ou anomalias congênitas das vias aéreas são contempladas.
O secretário de Estado da Saúde enfatizou a importância estratégica do medicamento. Ele reforça a proteção das crianças antes dos picos de circulação viral, contribuindo significativamente para a redução de casos graves e internações hospitalares. A incorporação dessa tecnologia ao SUS representa um avanço na proteção dos grupos mais vulneráveis.
A administração do anticorpo monoclonal é realizada por via intramuscular, seguindo rigorosos protocolos de segurança. O armazenamento adequado e o registro detalhado das doses aplicadas são aspectos essenciais para a garantia da qualidade e rastreabilidade do processo.
Proteção Ampliada para o Público Infantil
Em paralelo à estratégia de imunização com anticorpo monoclonal, o Paraná também fortalece a proteção contra o VSR através de outra frente de atuação: a vacinação de gestantes. Essa abordagem preventiva visa conferir imunidade passiva aos recém-nascidos.
A vacina, administrada em dose única para mulheres a partir da 28ª semana de gestação, tem como objetivo proteger os bebês contra a bronquiolite e a pneumonia causadas pelo VSR durante os primeiros seis meses de vida. A transferência de anticorpos da mãe para o feto através da placenta é um mecanismo de defesa crucial.
Desde o início da campanha de vacinação para gestantes em dezembro de 2025, um número expressivo de doses já foi administrado. Esta iniciativa, somada ao uso do Nirsevimabe, demonstra um compromisso abrangente com a redução da carga de doenças respiratórias graves em crianças no estado.





