Mulheres na Ciência Policial Paraná Trajetórias

🕓 Última atualização em: 11/02/2026 às 12:48

A ciência forense no Paraná tem visto um crescente e vital protagonismo feminino, evidenciando a importância da diversidade para aprimorar a busca pela justiça. Em 11 de fevereiro, data que celebra o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a Polícia Científica do Paraná (PCIPR) destaca o papel fundamental de suas profissionais. Elas representam a fusão entre rigor técnico, inovação e um compromisso inabalável com a verdade científica.

A trajetória feminina na instituição abrange tanto novas gerações de cientistas quanto carreiras consolidadas, ambas essenciais para a construção da história e para o reconhecimento dos avanços conquistados. A precisão e a perspicácia aplicadas na elaboração de provas periciais impactam diretamente a qualidade investigativa.

Essa atuação meticulosa contribui de forma significativa para a elucidação de crimes e para o fortalecimento de um sistema judiciário cada vez mais embasado em evidências científicas. A PCIPR reconhece a competência, a dedicação e o rigor técnico de suas colaboradoras.

A Diversidade de Perspectivas na Perícia

As mulheres na PCIPR atuam em uma ampla gama de especialidades, desde análises complexas que demandam metodologias rigorosas até a atenção minuciosa aos detalhes. Para as servidoras que ingressaram recentemente na instituição, a presença de outras mulheres em posições de destaque na ciência funciona como um poderoso incentivo e um símbolo de pertencimento.

A perita oficial Fábia Tomie Tano, com mais de três anos de experiência na PCIPR, ressalta como a ampliação da participação feminina na ciência é crucial para enriquecer o trabalho pericial. Uma equipe mais diversa, com diferentes pontos de vista, consegue analisar casos sob múltiplas óticas, o que é fundamental para um julgamento mais equilibrado e completo das evidências.

A técnica de perícia Isabella Schemiko, que teve contato com a área como estagiária antes de efetivar-se, enfatiza o impacto dessa representatividade no dia a dia. Ver outras mulheres ocupando esses espaços serve como inspiração direta, validando a possibilidade de alcançar o sucesso profissional e demonstrando que as mulheres podem excelência em qualquer campo que almejem, contribuindo com suas histórias e vivências.

Além da identificação com referências femininas, a persistência e a dedicação contínua são elementos centrais para quem trilha uma carreira científica. A busca por aprimoramento e a superação de desafios são constantes, construindo um legado de experiência e conhecimento ao longo dos anos.

A Consolidação de Uma Trajetória de 31 Anos

Entre as histórias que moldam a identidade da PCIPR, destaca-se a da perita oficial criminal Nadir de Oliveira Vargas, com uma impressionante carreira de 31 anos. Nomeada em 1994, quando a perícia ainda era parte da estrutura da Polícia Civil, Nadir iniciou sua atuação na Seção de Documentoscopia e Grafotecnia, área na qual permanece como chefe da seção até hoje, demonstrando uma profunda conexão com sua especialidade.

Ao longo de mais de três décadas, Nadir testemunhou e participou ativamente de profundas transformações institucionais, tecnológicas e culturais. Ela resume com clareza: “Avançamos muito”. A transição de um ambiente onde os laudos eram datilografados a partir de rascunhos para um cenário de sistemas digitais, imagens de alta resolução e ferramentas analíticas modernas é um marco.

Contudo, Nadir enfatiza que a essência da profissão permanece inalterada: produzir prova material confiável, fundamentada no método científico, capaz de subsidiar as decisões da Justiça com precisão e isenção. A produção de evidências sólidas é o pilar que sustenta a confiança no trabalho pericial.

O ambiente de trabalho também evoluiu significativamente, promovendo um maior reconhecimento profissional e relações institucionais mais equilibradas. Essa evolução é um fator direto na qualidade do trabalho e na retenção de talentos. Nadir observa: “Hoje existe respeito, diálogo e cuidado nas relações institucionais com as mulheres, especialmente no ambiente de trabalho”. Essa harmonia contribui para um clima propício ao desenvolvimento profissional e à colaboração.

Na chefia da Seção de Documentoscopia e Grafotecnia, Nadir mantém um olhar atento para a formação de novos peritos. Ela acompanha de perto o ingresso de novos profissionais, sublinhando a importância do tempo, da experiência e da constância no processo de aprendizado. A entrada de mulheres neste campo é vista não apenas como necessária, mas como um enriquecimento complementar.

Nadir pontua com sabedoria: “A perícia nada mais é do que a análise dos detalhes, daquilo que é quase imperceptível. A mulher tem uma sensibilidade própria para isso”. Essa percepção aguçada para nuances é uma qualidade intrínseca que aprimora a capacidade de investigação e a descoberta de elementos cruciais em cada caso. Assim, a PCIPR reafirma seu compromisso com a excelência científica, impulsionado pela experiência consolidada e pela chegada de novas gerações de profissionais qualificadas.

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