A contribuição e o protagonismo de mulheres que deixaram seus países de origem em busca de novas oportunidades no Paraná têm ganhado destaque. O Estado já acolhe uma população significativa de mulheres migrantes, muitas delas buscando construir uma nova vida, empreender e somar ao desenvolvimento local.
Os dados do Observatório de Migração (OBMigra) revelam que, desde 2010, mais de 84 mil mulheres migrantes chegaram ao Paraná. Essa realidade sublinha a importância de políticas públicas e eventos que reconheçam e celebrem essas trajetórias de resiliência e superação.
Histórias como a de Carmen del Valle Menezes, venezuelana que encontrou no Paraná o palco para recomeçar. Chegou ao Brasil em 2018 e se estabeleceu no estado em 2020, descobrindo na costura uma via para o empreendedorismo e a sustentação familiar.
“Nós, mulheres migrantes, somos talentosas, independentemente do país de origem. Não somos apenas mulheres que vieram de fora, mas pessoas com muitos projetos, ideias e vontade de contribuir”, afirma Carmen, destacando o desejo de somar e auxiliar no desenvolvimento do país que a acolheu.
A Interseção entre Migração, Gênero e Políticas Públicas
A análise da migração sob a ótica de gênero revela desafios específicos enfrentados pelas mulheres. A necessidade de adaptação a uma nova cultura, muitas vezes somada a responsabilidades familiares e à busca por inserção no mercado de trabalho, exige atenção e suporte direcionados.
O cenário paranaense tem buscado responder a essa demanda através de iniciativas que visam não apenas o acolhimento, mas também a plena integração e o empoderamento dessas mulheres. Eventos e programas governamentais buscam oferecer um leque de serviços essenciais para facilitar essa transição.
A fluidez linguística e a bagagem cultural de muitas migrantes são, por si só, um diferencial. Sonise Donise Senat, haitiana que reside no Brasil desde os 11 anos, exemplifica essa capacidade de adaptação e contribuição. Fluente em francês, português e crioulo haitiano, ela representa a força da diversidade.
Sua jornada inclui a superação de obstáculos em escolas públicas e a naturalização brasileira, com a conquista do título de eleitor, simbolizando sua plena integração social e cívica. A experiência de Sonise ressalta a “resistência” e a “luta diária” que caracterizam ser mulher em qualquer parte do mundo, mas especialmente para quem recomeça em solo estrangeiro.
A importância de reconhecer essas vozes e fortalecer os direitos humanos de todas as mulheres, independentemente de sua origem, é um ponto central para a construção de políticas públicas mais eficazes e inclusivas. O apoio à regularização documental, a oferta de oportunidades de emprego e o suporte psicossocial são pilares fundamentais nesse processo.
Um Futuro de Reconhecimento e Oportunidades
A articulação entre diferentes secretarias estaduais, como a de Justiça e Cidadania (Seju) e a da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi), tem sido crucial para a implementação de ações integradas. A oferta de atendimentos jurídicos pela Defensoria Pública, vagas de emprego pelo Sine Móvel e suporte da Agência do Migrante demonstra um compromisso com a rede de apoio.
Essas iniciativas vão além do atendimento emergencial, buscando promover a autonomia e o desenvolvimento das mulheres migrantes. A criação de espaços para o diálogo e a escuta ativa é essencial para que suas necessidades sejam compreendidas e transformadas em políticas públicas concretas.
A celebração de eventos que destacam as conquistas e os desafios das mulheres migrantes não é apenas um ato simbólico, mas uma estratégia para garantir que suas vozes sejam ouvidas e suas contribuições sejam plenamente reconhecidas pela sociedade. É um passo fundamental para assegurar que o Paraná continue sendo um estado de acolhimento e oportunidades.






