Mostra de cinema Aly Muritiba e Mano Cappu no MIS-PR

🕓 Última atualização em: 18/03/2026 às 01:30

A produção audiovisual tem se consolidado como uma ferramenta potente para a dissecação de temas complexos da esfera pública, especialmente quando aborda o sistema prisional brasileiro. Uma recente mostra de cinema, realizada em março, evidenciou essa capacidade ao exibir produções deAly Muritiba e Mano Cappu, cineastas que mergulharam nas realidades do encarceramento.

A iniciativa, que incluiu exibições gratuitas e debates, buscou promover uma reflexão aprofundada sobre as diversas facetas do sistema carcerário. A curadoria se concentrou em obras que exploram não apenas a vivência dos detentos, mas também o impacto em suas famílias e nos profissionais que atuam na linha de frente do sistema.

Arte como Espelho Crítico do Sistema Prisional

O projeto, intitulado “Projeto Cárcere”, transformou o antigo Centro de Triagem da Polícia Civil em um espaço de análise crítica. Mais do que apenas exibir filmes, a iniciativa propôs a criação de um ambiente para o fomento de movimentos culturais e debates sobre justiça e humanização. A meta é estimular um entendimento mais profundo da complexidade do sistema.

A iniciativa, que já alcançou mais de 10 mil visitantes em 2025, demonstrou a importância do diálogo intercultural e interdisciplinar. Ações como teatro, palestras, visitas guiadas, mostras de cinema e rodas de conversa reuniram especialistas de todo o país, fortalecendo a troca de experiências e projetos voltados à temática.

A realização é fruto da colaboração entre a Associação dos Amigos do Museu da Imagem e do Som (AAMIS) e o MIS-PR, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e do Ministério da Cultura. O patrocínio da Lei Rouanet, do Instituto Humanitas 360 e da Copel viabiliza a continuidade dessas ações transformadoras.

A diretora do MIS-PR, Mirele Camargo, ressalta a gratificação em ver o projeto expandir e atrair novos parceiros. Para ela, a união de esforços, aliada ao suporte dos patrocinadores, permite a oferta contínua de ações gratuitas que utilizam a arte como um catalisador de mudanças sociais.

Aly Muritiba, com sua experiência prévia como agente penitenciário, traz uma perspectiva única para suas obras. Seus filmes, premiados internacionalmente, frequentemente exploram as nuances do sistema carcerário e suas repercussões humanas. Sua “Trilogia do Cárcere” é um marco nesse campo, evidenciando um compromisso artístico com a denúncia e a reflexão.

Mano Cappu, por sua vez, compartilha uma vivência pessoal com o sistema, tendo sido preso injustamente por um período. Essa experiência moldou seu trabalho artístico, que busca dar voz àqueles invisibilizados pelo sistema. Seus curtas, como “Bença”, narram histórias de esperança e resiliência, com foco na importância dos laços familiares para o processo de reintegração social.

A Necessidade da Reintegração e o Papel Familiar

Um dos pontos centrais levantados pelos diretores é a questão da reintegração social de indivíduos que passaram pelo sistema carcerário. Cappu argumenta que a verdadeira reintegração passa, invariavelmente, pela manutenção e fortalecimento dos laços familiares. Para ele, a sociedade deve compreender que a família não deve ser penalizada pelos atos de um indivíduo.

Essa conexão familiar é vista como um pilar fundamental para a reinserção do ex-detento na sociedade. Ao manter um vínculo afetivo e de apoio, o indivíduo encontra um ponto de ancoragem para reconstruir sua vida após o cumprimento da pena, minimizando o risco de reincidência e promovendo uma cidadania plena.

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