A busca por contato com a natureza e a prática de esportes ao ar livre têm impulsionado significativamente o fluxo de visitantes em parques estaduais de montanha no Paraná. Nos últimos cinco anos, um aumento expressivo, que ultrapassa os 90%, foi registrado nessas Unidades de Conservação (UCs) administradas pelo Instituto Água e Terra (IAT). Este fenômeno reflete uma tendência crescente de valorização de espaços naturais para lazer e atividades físicas, conectando a população com ambientes de grande beleza cênica.
O Parque Estadual Serra da Baitaca, localizado entre os municípios de Piraquara e Quatro Barras, emergiu como o grande destaque desse crescimento. A unidade viu sua visitação mais que dobrar em apenas cinco anos, saltando de pouco mais de 42 mil pessoas em 2021 para mais de 88 mil em 2025. Esse incremento expressivo demonstra o apelo do local, que se consolidou como um destino popular para amantes da natureza.
Paralelamente, o Pico Paraná e o Parque Estadual Pico do Marumbi também apresentaram números robustos. O Pico Paraná registrou um aumento de mais de 80% na quantidade de visitantes, passando de cerca de 8,3 mil para mais de 15 mil em igual período. Já o Pico do Marumbi, com uma evolução de mais de 50%, recebeu aproximadamente 19,5 mil pessoas em 2025, contra 12,9 mil em 2021.
As razões para esse aumento são multifacetadas. Especialistas apontam para um crescimento das chamadas atividades esportivas de aventura, como corridas em trilhas e o próprio montanhismo, que atraem um público cada vez maior. A proximidade das UCs com a Região Metropolitana de Curitiba, um dos maiores aglomerados urbanos do país, também facilita o acesso e a espontaneidade das visitas.
Outro fator crucial é a melhoria na infraestrutura das unidades. Iniciativas do IAT têm focado em aprimorar as condições de visitação, tornando os parques mais seguros e acessíveis. Essa evolução na experiência do visitante é um componente chave para a consolidação desses espaços como destinos de lazer e turismo.
Gestão e Segurança em Foco
Diante da crescente procura, a gestão dessas áreas naturais torna-se ainda mais vital. O IAT tem implementado medidas de segurança e controle para garantir a integridade dos visitantes. O preenchimento de um cadastro, realizado tanto na entrada quanto na saída das UCs, é uma ferramenta essencial para monitorar o fluxo e, em caso de necessidade, agilizar o acionamento de equipes de resgate.
Este registro detalhado permite que as equipes responsáveis saibam exatamente quando os visitantes ingressaram nas trilhas e, comparando com o tempo estimado para conclusão, possam identificar situações de risco. As informações coletadas incluem contatos de emergência, dados sobre a saúde e o preparo físico dos frequentadores, além de informações sobre experiência prévia em ambientes montanhosos e o uso de equipamentos de segurança adequados.
Os funcionários do IAT oferecem também orientações detalhadas sobre vestimentas apropriadas, a necessidade de levar água e alimentação suficientes, e a importância de não realizar trilhas sozinho. A recomendação é que os grupos sejam compostos por, no mínimo, três pessoas. Para aqueles sem experiência ou familiaridade com os percursos, a contratação de guias especializados ou a companhia de pessoas experientes no local é fortemente sugerida. A conscientização sobre os riscos inerentes à prática do montanhismo e o conhecimento prévio das trilhas são fundamentais para a prevenção de incidentes.
O Futuro da Visitação em Unidades de Conservação
A expansão do turismo em parques de montanha representa um benefício inegável para a saúde e a qualidade de vida da população, conectando as pessoas com o meio ambiente e promovendo a conscientização sobre sua importância. No entanto, é imperativo que essa visitação seja acompanhada por um forte componente de educação ambiental.
A máxima “quem conhece, cuida” torna-se ainda mais relevante neste contexto. Incentivar a compreensão da fragilidade desses ecossistemas e a responsabilidade individual na preservação é um pilar para a sustentabilidade dessas atividades. O IAT, ciente dessa demanda, trabalha na elaboração de planos de uso público que visam aprimorar a experiência e a segurança, como a reestruturação de pontos-chave e a reabertura de áreas de camping, consolidando o turismo em UCs como uma marca do estado.






