MON expõe arte da 36ª Bienal SP

🕓 Última atualização em: 13/03/2026 às 06:38

A arte transcende fronteiras geográficas e se consolida como ferramenta essencial para o debate público e a reflexão social. Em mais uma iniciativa que visa democratizar o acesso à cultura e ampliar o alcance de discussões artísticas de relevância internacional, a 36ª Bienal de São Paulo inicia seu ciclo de mostras itinerantes. O programa, que em 2026 visitará mais de dez localidades no Brasil e no exterior, estabelece uma importante parceria com o Governo do Estado do Paraná.

O Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, mais uma vez se torna palco desta colaboração, marcando a terceira vez que a instituição recebe um recorte da prestigiosa exposição. A curadoria desta etapa é assinada por Anna Roberta Goetz, cocuradora da 36ª Bienal, e por André Pitol, cocurador adjunto. A mostra em Curitiba apresenta obras de dezoito artistas, explorando temas que ressoam com o contexto local.

A proposta das itinerâncias, realizadas de forma programática desde 2011, é reconfigurar as obras e os debates gerados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, promovendo um diálogo enriquecedor com as particularidades de cada cidade visitada. O objetivo é ativar novas leituras e estabelecer conexões com públicos que, por diversas razões, não acessam a exposição em sua sede principal.

A escolha dos temas para a itinerância em Curitiba busca uma conexão intrínseca com a realidade paranaense, um dos principais centros agrícolas do Brasil. A seleção de obras se concentra em discussões sobre o solo e a terra, explorando suas origens, a base da vida sob perspectivas biológicas, ecológicas e espirituais. Questões sobre direitos de propriedade e as responsabilidades inerentes à nossa dependência desses recursos naturais também são levantadas.

O Programa Educativo e a Descentralização da Arte

Além da exibição das obras, o programa de itinerâncias da Bienal de São Paulo é intrinsecamente ligado a um robusto eixo educativo. Este componente visa capacitar equipes locais, promover intercâmbios por meio de encontros online e presenciais, oferecer acompanhamento pedagógico e desenvolver ações direcionadas a diferentes públicos. Visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e atividades educativas para estudantes estão entre as iniciativas planejadas.

A presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Andrea Pinheiro, ressalta a importância de parcerias como a estabelecida com o MON para o compromisso da fundação com a descentralização do circuito artístico brasileiro. A meta é ampliar o alcance da Bienal e garantir que o legado da exposição continue a reverberar em diferentes regiões do país.

Juliana Vosnika, diretora-presidente do MON, corrobora essa visão, enfatizando que a arte deve atingir o maior número possível de pessoas, rompendo barreiras e sensibilizando diversos públicos. Para ela, receber a Bienal de São Paulo pelo segundo ano consecutivo reforça a missão do museu de tornar a arte acessível a todos, proporcionando uma conexão profunda em um mundo cada vez mais digitalizado.

A curadora Anna Roberta Goetz explica que cada itinerância é concebida como uma síntese da Bienal original, adaptada e contextualizada. “Cada uma foi desenvolvida em resposta ao contexto sociopolítico local específico, incorporando particularidades culturais, ecológicas e históricas, e as implicações multifacetadas que estas têm para as pessoas e suas formas de conjugar a humanidade”, afirma Goetz.

A programação de abertura na capital paranaense prevê atividades como rodas de conversa com a curadoria e convidados, além de visitas temáticas. Uma delas, intitulada “Arquiteturas da destruição”, propõe um diálogo a partir de trabalhos que abordam diferentes contextos geográficos e históricos de violência ambiental e estrutural, contando com interpretação em Libras para garantir a acessibilidade.

A 36ª Bienal e o Conceito de Humanidade em Constante Movimento

A 36ª Bienal de São Paulo, sob o conceito “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, inspira-se no poema “Da calma e do silêncio” da escritora Conceição Evaristo. O conceito central da exposição é a escuta ativa da humanidade em seu estado de constante deslocamento, encontro e negociação, refletindo sobre as complexas interconexões e os desafios da existência contemporânea.

A Fundação Bienal de São Paulo, entidade privada sem fins lucrativos, tem como missão democratizar o acesso à cultura e fomentar a criação artística. Sua atuação abrange desde a realização da Bienal de São Paulo, a maior exposição do hemisfério sul, até a gestão de patrimônios culturais de relevância, como o Arquivo Histórico Wanda Svevo e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, ambos projetados por Oscar Niemeyer. A fundação também é responsável pela representação brasileira nas Bienais de Veneza.

O Museu Oscar Niemeyer (MON), um patrimônio estatal vinculado à Secretaria de Cultura do Paraná, é reconhecido como o maior museu de arte da América Latina. Com um acervo que ultrapassa 14 mil obras e uma área construída de mais de 35 mil metros quadrados, o MON abriga referências importantes da produção artística nacional e internacional, além de coleções asiática e africana, reafirmando seu compromisso com a arte e a cultura.

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