A agricultura paranaense avança na busca por maior produtividade e rentabilidade com o lançamento de novas cultivares de mandioca e milho. Desenvolvidas pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), as novas variedades prometem enfrentar desafios sanitários e fortalecer as cadeias agroindustriais do estado.
A inovação é uma marca do Paraná em eventos agropecuários, como o Show Rural Coopavel. As novas cultivares representam um esforço contínuo de pesquisa aplicada, visando oferecer ao produtor rural soluções concretas para o campo.
O objetivo principal é proporcionar um aumento significativo na produtividade, com estimativas de até 30% em algumas culturas. Isso se traduz em mais segurança para o agricultor e maior competitividade para o setor.
Novas Variedades de Mandioca para a Indústria
No segmento da mandioca, três novos materiais foram apresentados: IPR Clara, IPR Quartzo e IPR Topázio. Estes cultivares foram especificamente desenvolvidos para atender às demandas da indústria de processamento de farinha, fécula e outros derivados.
O alto teor de amido, situado entre 550 e 600 gramas, é um dos seus grandes diferenciais. Essa característica confere às novas variedades um desempenho superior em comparação com os materiais já disponíveis no mercado, otimizando os processos industriais.
O diferencial produtivo é notável, com expectativa de ganhos médios de 30% por hectare. Isso significa que o produtor poderá colher até 30 toneladas a mais por talhão, representando um incremento substancial na sua renda.
A IPR Clara apresenta raízes de cor mais clara e um porte arbustivo médio, adaptando-se bem a solos arenosos. A IPR Quartzo destaca-se pela sua estrutura robusta, sendo mais indicada para solos argilosos.
Já a IPR Topázio possui um porte mais baixo e ereto, também sendo recomendada para áreas arenosas. É importante ressaltar que esses cultivares possuem alto teor de ácido cianídrico, o que os torna destinados exclusivamente ao uso industrial, não sendo adequados para consumo in natura.
A tolerância a pragas e doenças é outro ponto forte. As novas variedades oferecem diferentes níveis de resistência, permitindo ao produtor diversificar suas lavouras e mitigar riscos associados a problemas fitossanitários.
A seleção destes materiais envolveu testes comparativos rigorosos. Eles foram avaliados em relação às melhores variedades já consolidadas em campo, garantindo que apenas aqueles com potencial superior fossem lançados.
Pesquisa pública tem sido fundamental para manter a agricultura paranaense na vanguarda. Os lançamentos reforçam esse papel estratégico, entregando soluções que elevam a produtividade e a rentabilidade.
O desenvolvimento genético é um processo contínuo. O objetivo é criar materiais mais resistentes e produtivos, que atendam às crescentes demandas do mercado.
Segurança alimentar e fortalecimento da agroindústria são objetivos claros destas novas variedades. Elas contribuem para a cadeia produtiva, agregando valor em diversas etapas.
O destaque para a produção de milho branco, com o híbrido simples IPR W225, visa combater o complexo de enfezamento, uma doença de grande impacto associada ao ataque da cigarrinha. Este novo cultivar substitui o IPR 127, que estava no mercado há mais de uma década.
O IPR W225 reúne tolerância à doença e um maior potencial produtivo. A pesquisa focou em desenvolver uma solução genética eficaz contra o problema, complementando as estratégias de controle químico e biológico.
O grão de cor branca é um diferencial voltado à indústria, sendo indicado para a produção de farinha, amido, fubá e canjica. Este milho branco agrega valor à produção, com um preço de saca significativamente superior ao do milho amarelo.
A expectativa é que as sementes do IPR W225 estejam disponíveis para a próxima safra, a partir de setembro, após um processo de multiplicação por parceiros credenciados do IDR-Paraná.
Reconhecimento à Ciência e à Mulher no Campo
Durante o evento de lançamento das cultivares, um momento especial foi dedicado a homenagear a pesquisadora do IDR-Paraná, Vânia Cirino. A homenagem ocorreu em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.
Vânia Cirino é uma expoente nacional na agronomia, ocupando uma cadeira na Academia Brasileira de Ciência Agronômica. Sua contribuição para o desenvolvimento de mais de 38 cultivares de feijão, por exemplo, impactou positivamente a produção e a renda de pequenas propriedades rurais.
Esses avanços tecnológicos, liderados por profissionais dedicados como Vânia Cirino, são essenciais para o fortalecimento da segurança alimentar e para consolidar o Paraná como líder na produção de diversos grãos no país.
O trabalho de pesquisa e desenvolvimento é um pilar fundamental para a sustentabilidade e o crescimento do agronegócio. Investir em ciência e tecnologia no campo é garantir um futuro mais próspero e resiliente para os produtores e para a sociedade como um todo.






