Meninas brilham em ciência e pesquisa escolar

🕓 Última atualização em: 04/03/2026 às 03:10

A educação científica no Paraná ganha um impulso significativo com a expansão da Rede de Clubes de Ciência. Iniciativa do Governo do Estado, o programa tem como objetivo fomentar o interesse pela pesquisa e desenvolvimento desde a base escolar, com um investimento expressivo de R$ 23,5 milhões.

A proposta visa não apenas aprimorar a formação dos estudantes, mas também democratizar o acesso ao conhecimento científico. Com 290 clubes distribuídos em 275 escolas estaduais, o projeto alcança cerca de 4.650 alunos em todo o estado.

Um dos pilares dessa iniciativa é o incentivo à participação feminina no universo STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Atualmente, as meninas representam aproximadamente 55% dos participantes, com a criação de núcleos dedicados exclusivamente ao público feminino, reunindo cerca de 200 alunas.

A Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR), em colaboração com a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e a Fundação Araucária, é a responsável pelo desenvolvimento do programa, que integra a visão estratégica de longo prazo para o estado.

O secretário estadual da educação, Roni Miranda, destaca que o programa vai além da sala de aula, promovendo o protagonismo estudantil e gerando benefícios para toda a comunidade. A expectativa é formar profissionais mais qualificados no futuro.

Fomentando a Inovação e o Protagonismo Juvenil

Projetos desenvolvidos pelos clubes de ciência demonstram o potencial criativo e a capacidade de resolução de problemas dos estudantes. Um exemplo notável é o desenvolvido no Colégio Estadual Rui Barbosa, em Jandaia do Sul, onde um grupo de alunas criou um protótipo de sorvete proteico enriquecido com extrato de lentilha-d’água (Lemna minor).

A iniciativa, denominada Cooperativa de Iniciação Científica (Coopic), busca transformar um alimento subestimado em uma opção nutritiva e acessível. Eloísa Vitória Ferreira da Silva, uma das estudantes envolvidas, ressalta a surpresa com as propriedades nutricionais da planta e o impacto da participação no projeto em seu desenvolvimento pessoal, especialmente na comunicação e na confiança para apresentar trabalhos.

A professora orientadora, Liliam Keidinez Bachete da Conceição Rabassi, enfatiza que a experiência no clube capacita as alunas a se tornarem protagonistas de seu aprendizado, vivenciando etapas que se assemelham à pesquisa acadêmica e fomentando o interesse por carreiras científicas.

Outro exemplo inspirador vem do Colégio Euzébio da Mota, em Curitiba, com o clube Friends of Science. Lá, a estudante venezuelana Hasly de Jesus Pantoja Aviles, de 15 anos, participa da criação de um seguidor solar. O protótipo visa otimizar a captação de energia solar ao acompanhar o movimento do sol.

Hasly relata que o projeto exigiu experimentação contínua e ajustes, evidenciando a importância da investigação científica para a construção do conhecimento. A estudante vê na pesquisa uma ponte entre o aprendizado teórico e prático, fortalecendo sua decisão de seguir carreira na área.

A participação de estudantes como Hasly em projetos de engenharia e tecnologia é vista como crucial para desmistificar a ideia de que essas áreas não são para meninas. Ampliar a diversidade de perspectivas, segundo ela, leva a soluções mais completas e criativas.

Gabriele Cristine da Silva, coordenadora do Friends of Science, destaca que esses projetos capacitam os estudantes, demonstrando sua plena aptidão para atuar em campos associados à tecnologia e engenharia, e reforça o papel estratégico dos clubes na rede estadual como espaços de experimentação prática.

Desafios e Perspectivas para o Futuro da Ciência Escolar

A consolidação da Rede de Clubes de Ciência no Paraná, lançada oficialmente em setembro de 2024, representa um marco na política pública de incentivo à iniciação científica. O investimento estadual busca fortalecer a conexão entre as escolas e as universidades, promovendo o desenvolvimento de soluções para as demandas atuais.

Débora de Mello Gonçales Sant’Ana, vinculada à Universidade Estadual de Maringá (UEM) e ao Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) Paraná Faz Ciência, aponta que a meta de garantir, no mínimo, 50% de participação feminina nos clubes tem sido fundamental para ampliar oportunidades e fortalecer o sentimento de pertencimento das jovens ao universo científico.

O sucesso da iniciativa já se reflete no desempenho e participação das estudantes em feiras e eventos científicos. Além dos clubes estaduais, a rede conta com o programa Paraná Faz Ciência Meninas, com recursos federais e apoio estadual, dedicado a grupos exclusivos para aprofundar estudos sobre a participação das mulheres na ciência e o desenvolvimento de projetos científicos com foco nesse público.

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