Mães prematuras no Paraná ganham suporte em saúde mental

🕓 Última atualização em: 20/02/2026 às 19:48

A jornada de um recém-nascido prematuro é marcada por desafios intensos, que transcendem o cuidado médico e se estendem profundamente ao bem-estar emocional das famílias. A internação em unidades de terapia intensiva neonatais, embora essencial para a sobrevivência e desenvolvimento desses bebês, impõe um ambiente de alta carga emocional para pais e, especialmente, para as mães. A saúde mental materna emerge como um pilar fundamental no processo de recuperação, influenciando diretamente o vínculo e o desenvolvimento do recém-nascido.

Estudos internacionais apontam para uma incidência significativa de transtornos de humor e ansiedade em mães de bebês prematuros. A realidade de ter um filho nascido com semanas de gestação a menos que o previsto e a necessidade de cuidados especializados em UTIs neonatais elevam consideravelmente o risco de desenvolver depressão pós-parto, ansiedade e estresse pós-traumático. Essa vulnerabilidade sublinha a urgência de abordagens de cuidado que integrem o suporte psicológico e emocional.

No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) tem direcionado esforços para a implementação de protocolos que visam fortalecer o cuidado centrado na família. Reconhecendo a indissociabilidade entre a saúde do bebê e a de seus genitores, o estado aposta em estratégias que promovem o acolhimento e a participação ativa dos pais no processo terapêutico.

A Importância do Método Canguru e o Suporte Multiprofissional

O Método Canguru, um modelo de assistência neonatal reconhecido mundialmente, tem se consolidado como uma ferramenta vital nesse cenário. Essa abordagem, que vai além do tratamento clínico, preconiza o contato pele a pele entre o bebê e seus pais, idealmente a mãe, buscando estabilizar funções vitais como temperatura, frequência cardíaca e oxigenação.

Mais do que benefícios fisiológicos, essa proximidade física fortalece o vínculo afetivo e a confiança dos pais em seus papéis. A presença constante e o envolvimento nos cuidados básicos, como a troca de fraldas e a amamentação (quando possível), empoderam as mães, reduzindo sentimentos de impotência e ansiedade. A equipe multiprofissional, composta por pediatras, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros especialistas, desempenha um papel crucial em orientar e apoiar essa interação.

A experiência de pais como Anna Karolina Rauth Debacco, cujo filho Pedro nasceu com 27 semanas de gestação e permaneceu 110 dias internado em uma UTI neonatal, evidencia a transformação que o Método Canguru pode proporcionar. A adaptação a essa realidade impõe um turbilhão de emoções, mas o acesso a um suporte psicológico humanizado e contínuo demonstrou ser um fator determinante para a resiliência familiar.

O apoio psicológico, desde o pré-natal de gestações de risco até o acompanhamento durante a internação e após a alta, é um componente essencial. Profissionais de saúde mental atuam como pontos de apoio, oferecendo escuta ativa, validação emocional e estratégias para lidar com o estresse e a ansiedade inerentes a essa vivência. Essa rede de suporte, muitas vezes, estende-se para além do ambiente hospitalar, com encaminhamentos para a atenção primária à saúde.

Desafios e Perspectivas para o Futuro

A permanência prolongada em unidades como a Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa), onde as mães muitas vezes ficam 24 horas por dia ao lado de seus bebês, embora benéfica para o vínculo, pode apresentar seus próprios desafios. O ambiente, com iluminação reduzida e espaço mais restrito, pode impactar a saúde mental materna. A atenção a essa dinâmica requer um olhar atento às necessidades de autocuidado da mãe, garantindo momentos de descanso e higiene pessoal.

A necessidade de cuidado contínuo e o acompanhamento após a alta hospitalar são fundamentais. Mães que apresentam fragilidade emocional persistente ou histórico de transtornos mentais devem ser acompanhadas rigorosamente pela Atenção Primária à Saúde. Essa integração entre os diferentes níveis de atenção garante que o suporte não se encerre com a alta neonatal, mas se prolongue, assegurando a saúde integral da família.

Em 2025, o Paraná registrou aproximadamente 15,9 mil nascimentos de bebês prematuros, segundo dados preliminares. Esses números reforçam a relevância das políticas públicas voltadas para o apoio a essas famílias e a necessidade de aprimorar constantemente as estratégias de cuidado, com foco no binômio mãe-bebê e na promoção da saúde mental como parte indissociável do processo de recuperação e desenvolvimento.

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