A interseção entre a pesquisa acadêmica e as necessidades práticas do agronegócio paranaense está em destaque no evento Show Rural 2026. Universidades estaduais e federais do Paraná apresentam um portfólio de inovações tecnológicas fruto de investimentos em ciência e tecnologia, buscando transformar conhecimento em soluções concretas para o campo.
O programa Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), tem sido um catalisador para o desenvolvimento dessas soluções. Através de edições anuais, o programa seleciona e financia projetos com alto potencial de aplicação mercadológica, concedendo um aporte de R$ 200 mil a cada iniciativa selecionada.
Este financiamento estadual visa viabilizar a transição de estudos científicos de laboratório para aplicações que possam beneficiar diretamente produtores rurais e agroindústrias. A parceria com a Fundação Araucária reforça esse suporte técnico, auxiliando pesquisadores na conversão de descobertas acadêmicas em produtos e serviços inovadores.
A estratégia por trás dessa política pública é clara: conectar o rigor da pesquisa científica com as demandas urgentes do setor produtivo, impulsionando a competitividade e a eficiência no campo. O Show Rural funciona como uma vitrine essencial para essa aproximação.
Marcos Aurélio Pelegrina, diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, ressalta a importância da participação de projetos de pesquisa no evento. “O principal evento do agronegócio do Sul do Brasil é o palco ideal para evidenciar nosso compromisso em fomentar a pesquisa aplicada”, afirma. O objetivo é transformar a ciência em ferramentas tangíveis para otimizar as operações agrícolas.
Um Panorama de Inovação para o Setor
As soluções apresentadas no estande da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) abrangem desde o controle de pragas até a agregação de valor a subprodutos da agroindústria. Essas tecnologias são o resultado de trabalhos de pesquisa que foram finalistas do programa Prime em edições recentes, demonstrando a capacidade do estado de gerar conhecimento aplicável.
Um exemplo notável é o desenvolvimento de um processo biotecnológico pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Esta iniciativa propõe a conversão de resíduos agroindustriais, como bagaço de laranja e cascas de cereais, em um substrato orgânico promissor para o cultivo. A pesquisa busca uma economia circular, transformando o que seria descarte em um recurso valioso.
Outra inovação promissora vem da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG): um gel cicatrizante veterinário que emprega um extrato concentrado da pele de tilápia como seu principal componente ativo. O professor Flávio Luís Beltrame, do programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da UEPG, destaca o impacto potencial dessa pesquisa.
“O investimento na maturação e desenvolvimento desta pesquisa contribuirá para diversos setores, desde a piscicultura, que fornecerá a matéria-prima, até a indústria farmacêutica e médico-veterinária, que poderão fabricar medicamentos inovadores”, explica Beltrame. A geração de empregos e o aproveitamento de uma matéria-prima local são benefícios adicionais.
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) também demonstra seu potencial inovador com dois projetos distintos. Um deles, originário do câmpus de Cornélio Procópio, utiliza inteligência artificial para a identificação rápida e precisa do fungo da ferrugem da soja, crucial para o manejo fitossanitário. A outra tecnologia, desenvolvida no câmpus de Dois Vizinhos, apresenta um molde versátil para a produção de queijos em formato de cumbuca, ideal para acompanhamentos em refeições.
Estas iniciativas ilustram a diversidade de aplicações que a ciência paranaense pode oferecer ao agronegócio, abordando desafios em sanidade, sustentabilidade e desenvolvimento de novos produtos. O evento serve como um importante ponto de encontro para disseminar e estimular a adoção dessas tecnologias.
O Futuro da Tecnologia no Campo Paranaense
A forte presença de projetos científicos no Show Rural 2026 reforça o papel estratégico que o governo do Paraná atribui à inovação tecnológica para o desenvolvimento do agronegócio. A transposição do conhecimento gerado nas universidades para a prática produtiva é vista como um pilar para o aumento da produtividade e da sustentabilidade.
O investimento contínuo em programas como o Prime e o fomento à propriedade intelectual demonstram uma visão de longo prazo. O objetivo é consolidar o Paraná como um polo de referência em inovação agropecuária, onde a ciência e a tecnologia caminham lado a lado com a tradição e a força produtiva do setor.
A continuidade dessas políticas públicas e a colaboração entre instituições de ensino, órgãos de fomento e o setor produtivo são essenciais para garantir que o agronegócio paranaense continue a evoluir e a apresentar soluções que atendam às demandas de um mercado cada vez mais globalizado e exigente.






